29/01/2009

O meme das "seis coisas sobre mim"

A Karla me intimou a participar do meme das "seis coisas sobre mim". O que tenho a declarar: 1 - Nasci em Porto Alegre e vim com um mês de vida para Floripa: jamais subi numa prancha de surfe e não gosto de chimarrão. 2 - Eis uma confissão dolorosa: já participei de uma queima de livros. Foi durante o segundo ano do segundo grau. Após uma tenebrosa apresentação de grupo na aula de Literatura, descemos para o recreio e incendiamos na calçada uns 3 livrecos de umas 30 páginas. Eu nem acendi o isqueiro, OK, mas estava lá assim mesmo, achando a maior graça. 3 - Quebrei a clavícula esquerda jogando futebol. 4 - A Jade passou a acreditar que eu já a olhava e admirava e paquerava de longe, em 1997, nos recreios do colégio, quando eu lhe disse uma vez, em 2004, quando nos reencontramos: "E aquele fiscal com quem tu ficavas meio escondida, hein? Baita jaguara". E ela: "Mas como? Ninguém nunca me viu com o Fulano!". Eu via, emburrado. 5 - Numa noite do começo dos anos 90, eu e um primo mais velho caminhamos das areias da praia Brava até a geral de Canasvieiras para pegar um ônibus, de madrugada. 6 - Só passei a gostar de ler e a comprar livros quando entrei na faculdade de Jornalismo. Até os 18 anos, livro não era comigo. Como mandam as regras, publiquei lá no alto o selo oficial do meme e indico, agora, seis blogueiras que devem se desnudar na nossa frente: a Lya, a Fran, a Daise, a Heda, a Karen e a Cristina.
ps. aproveite para ler o que revelaram sobre si mesmos o Dauro, o Mauricio, o Alexandre, o Frank, a Rafaela, a Karla, a Adriane, o Ulysses, o Upiara e a Francis. É muito legal.

Washington Post extingue caderno dominical de livros

A última edição impressa do caderno Book World, especializado em resenhas literárias, do jornal The Whashington Post sairá no dia 15 de fevereiro, informa o New York Times, que agora é o único grande jornal americano a dedicar um caderno inteiro na edição de domingo às resenhas e reportagens sobre livros. O motivo, claro, é a crise, o baixo número de anunciantes. O papel utilizado para a impressão do Book World vai ser aproveitado na criação de duas novas editorias, mais rentáveis. E o Book World, agora, só na internet. Washington Post’s Book World Goes Out of Print as a Separate Section By MOTOKO RICH In another sign that literary criticism is losing its profile in newspapers, The Washington Post has decided to shutter the print version of Book World, its Sunday stand-alone book review section, and shift reviews to space inside two other sections of the paper. The last issue of Book World will appear in its tabloid print version on Feb. 15 but will continue to be published online as a distinct entity. The Post said in a statement Wednesday that in the printed newspaper Sunday book content will be split between Outlook, the commentary section, and Style & Arts. Book World will occasionally appear as a stand-alone print section oriented around special themes like summer reading or children’s books. Book World was one of the last remaining stand-alone book review sections in the country, along with The New York Times Book Review. The Post’s move comes as the company, like most other newspaper businesses across the country, has been hobbled by a protracted downturn in advertising. “The advertising in Book World didn’t justify the amount of space that we dedicated each week to books coverage,” Marcus Brauchli, executive editor of The Post, said in a phone interview. “But we write about books, and we will continue to write about books because they are important to our audience and our readers.” Continua aqui.

28/01/2009

Uma proposta para salvar os grandes jornais dos EUA

A edição de ontem do NYT, que na semana passada uniu-se ao empresário mexicano Carlos Slim em um matrimônio de US$ 250 milhões, trouxe um artigo interessante e assustador ao mesmo tempo. O texto é assinado por David Swensen, chefe do setor de investimentos de Yale, e Michael Schmidt, analista financeiro da mesma universidade. Chama-se News You Can Endow e apresenta uma proposta urgente, diria até desesperada, para salvar os grandes jornais americanos: "Turn them into nonprofit, endowed institutions — like colleges and universities". Ou seja: transformá-los em jornais financiados por milhonários e instituições com boa saúde econômica, porque se Thomas Jefferson "was right that a well-informed citizenry is the foundation of our democracy, then newspapers must be saved". O desfecho é praticamente um apelo: "Only a handful of foundations and wealthy individuals have the money required to endow, and thereby preserve, our nation’s premier news-gathering organizations. Enlightened philanthropists must act now or watch a vital component of American democracy fade into irrelevance." News You Can Endow “THE basis of our governments being the opinion of the people, the very first object should be to keep that right,” Thomas Jefferson wrote in January 1787. “And were it left to me to decide whether we should have a government without newspapers or newspapers without a government, I should not hesitate to prefer the latter.” Today, we are dangerously close to having a government without newspapers. American newspapers shoulder the burden of considerable indebtedness with little cash on hand, as their profit margins have diminished or disappeared. Readers turn increasingly to the Internet for information — even though the Internet has the potential to be, in the words of the chief executive of Google, Eric Schmidt, “a cesspool” of false information. If Jefferson was right that a well-informed citizenry is the foundation of our democracy, then newspapers must be saved. Although the problems that the newspaper industry faces are well known, no one has offered a satisfactory solution. But there is an option that might not only save newspapers but also make them stronger: Turn them into nonprofit, endowed institutions — like colleges and universities. Endowments would enhance newspapers’ autonomy while shielding them from the economic forces that are now tearing them down. Continua aqui.

27/01/2009

1000 livros essenciais de ficção

Descobri no Todoprosa, blog do Sérgio Rodrigues, uma lista de 1000 livros de ficção essenciais publicada pelo jornal inglês The Guardian. Gosto de listas, acho instigante e não fico me lamentando por "injustiças" e etc. Nesta lista do Guardian, há cinco títulos de quatro escritores de língua portuguesa. Saramago? Um livro. Eça? Um livro. Guimarães Rosa? Um livro. Machado de Assis? Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro! Muito bom. Eu desconfio que Machado seja mesmo o único escritor brasileiro que possa ser incluído num lista do cânone da literatura universal. Parece que foi isso que Harold Bloom fez, não sei. De qualquer forma, é uma felicidade ver Machado e Rosa nessa lista. Bom, chequei de perto a relação, e pus-me a contar. Passei um pouquinho do 5%, o que está de bom tamanho. Abaixo, os 53 que já li (os nomes estão em inglês). Aqui, a lista completa. Don Quixote by Miguel de Cervantes The Mysterious Stranger by Mark Twain A Study in Scarlet by Arthur Conan Doyle The Hound of the Baskervilles by Arthur Conan Doyle The Sign of Four by Arthur Conan Doyle To Kill a Mockingbird by Harper Lee Of Mice and Men by John Steinbeck Great Expectations by Charles Dickens As I Lay Dying by William Faulkner The Old Man and the Sea by Ernest Hemingway The Catcher in the Rye by JD Salinger Fathers and Sons by Ivan Turgenev The Picture of Dorian Gray by Oscar Wilde Dom Casmurro by Joaquim Maria Machado de Assis Wuthering Heights by Emily Bronte Breakfast at Tiffany's by Truman Capote The Great Gatsby by F Scott Fitzgerald Tender is the Night by F Scott Fitzgerald A Farewell to Arms by Ernest Hemingway Death in Venice by Thomas Mann Love in the Time of Cholera by Gabriel Garcia Marquez Atonement by Ian McEwan Alice's Adventures in Wonderland by Lewis Carroll Brave New World by Aldous Huxley The Trial by Franz Kafka Nineteen Eighty-Four by George Orwell The Little Prince by Antoine de Saint-Exupery Blindness by Jose Saramago The Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde by Robert Louis Stevenson The Plague by Albert Camus White Noise by Don DeLillo Notes from the Underground by Fyodor Dostoevsky The Idiot by Fyodor Dostoevsky Sentimental Education by Gustave Flaubert Les Miserables by Victor Hugo The Posthumous Memoirs of Bras Cubas by Joaquim Maria Machado de Assis The Magic Mountain by Thomas Mann Bel-Ami by Guy de Maupassant The Red and the Black by Stendhal The Adventures of Tom Sawyer by Mark Twain Germinal by Emile Zola Heart of Darkness by Joseph Conrad Robinson Crusoe by Daniel Defoe For Whom the Bell Tolls by Ernest Hemingway The Call of the Wild by Jack London One Hundred Years of Solitude by Gabriel Garcia Marquez All Quiet on the Western Front by Erich Maria Remarque The Charterhouse of Parma by Stendhal Treasure Island by Robert Louis Stevenson Gulliver's Travels by Jonathan Swift The Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain Around the World in Eighty Days by Jules Verne Candide by Voltaire

26/01/2009

A Era Bush em fotografias

Interessante a análise da Era Bush, feita por meio de fotografias ("Mirror, Mirror on the Wall"), publicada pelo documentarista Errol Morris ontem em sua coluna no site do NYT. Na última semana do governo de George W. Bush, Morris pediu aos editores de foto de três agências internacionais (Reuters, Associated Press e France-Presse) que escolhessem imagens "that they believe captured the character of the man and of his administration". O resultado é muito bom. Abaixo, três momentos.                                                      (Tim Sloan/Agence France-Presse)                                         (Paul J. Rrichards/Agence France-Presse)                                                          (AP Photo/APTN) Leia e veja tudo aqui.

A crônica de hoje, no DC: Leitora

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. Leitora Ora, ser lido é a glória. Não é preciso receber e-mail, telefonema, cumprimentos, ver o texto reproduzido em blogs. É bacana, claro, mas o extraordinário, o que embevece, “eleva, honra e consola”, é ser lido. E, sem que saibamos, uma multidão nos lê aqui no Variedades, a mim e aos outros cronistas. Mas há quem não leia. Num país como o Brasil, uma quantidade infinita de pessoas não lê livro, revista ou jornal, nunca. Só vê tevê. Agora, há quem leia, releia, e não entenda uma linha. O importante é que tenta. Em 1/09/2008, publiquei aqui uma crônica que ironizava a opinião da Veja a respeito da educação brasileira. Segundo o semanário, os professores de esquerda, ampla maioria, são os responsáveis pela baixíssima qualidade do ensino no Brasil. Citei duas personalidades: um amigo com jeito de filósofo esquerdista e um empresário bem-sucedido, ambos formados nas classes do Colégio Catarinense. E terminei o texto defendendo a continuidade do modelo pedagógico que fez do meu amigo um humanista, ainda que sem dinheiro, ainda que “o século 21 não admita Charles Chaplin, só George Soros”. Em meio ao raciocínio, contei que fui aluno do Barddal. “Segundo me lembro, os professores eram mal-humorados, mas não chegavam ao esquerdismo”, escrevi. Lembrei uma professora de Matemática (tia Maria, acho) que dava aula brandindo um bastão. E supus que, com a ajuda de Veja, eu descobria tardiamente o motivo da falência do vetusto colégio onde aprendi o ABC: “Dona Ivonne e seu Dascomb Barddal só podiam ser de esquerda, e decerto mantinham, no porão da escola, dispendiosos aparelhos onde realizavam intermináveis assembleias secretas”. Só faltou-me piscar o olho. Não é que, na semana passada, Ivonne leu essa minha crônica de 2008? E o fez com ar vigilante, e depois sapateou em cima do jornal. Escreveu-me. Minha crônica é um “patético desabafo”, “de péssimo gosto”, na qual demonstro “inveja de colegas que, supostamente, se deram bem na vida sem muito esforço”, a quem eu teria chamado de “vagabundos”. O texto “desqualifica” o colégio. O autor, “além de ser um mentiroso, demonstra ser um alienado passível de ter uma ação por calunia e difamação”, pois ou é “dono de uma imaginação prodigiosa ou é um caso sério para estudo de psiquiatria”. Para completar, Ivonne investigou meu histórico escolar: apenas “bom”, o que redundaria no que sou hoje: um “jornalista fofoqueiro”. Não é legal ser lido por uma educadora? *** ps. a crônica de 1/09/2008 está aqui.

21/01/2009

Uma multidão viu e aplaudiu Obama

Obama assumiu ontem, com dois milhões de pessoas assistindo a tudo, inclusive à apresentação emocionante e carregada de significado de Aretha Franklin... Horas depois, informam os portais noticiosos nas capas de hoje, Obama mandou "congelar", ou interromper temporariamente, por quatro meses os julgamentos dos detentos de Guantánamo. É... A foto abaixo foi feita por um satélite, e mostra a multidão vista do espaço. Aqui você vê outra foto e lê o post completo. Leia a íntegra do discursso de posse de Obama aqui, na tradução do UOL.

Vergonha de pedir "um prato para dois"?

Descobri esse ano o Blog do Luiz Américo, crítico gastronômico do Estadão (escreve no caderno Paladar, às quintas-feiras). Como não é superespecializado, tem textos "úteis" para gente como nós, que vamos a um restaurante (bem) de vez em quando. Por exemplo, o post abaixo, sobre a vergonha que sentimos de pedir um prato para dois... 07.01.09 Um prato para dois, por favor por Luiz Américo De tanto ir a restaurantes, acabamos perdendo certas inibições. Ambientes e decorações deixam de intimidar, maîtres e hostess pomposos viram apenas parte da aventura, comensais deste ou daquele jeito não afetam, cardápios complicados também não assustam: se tiver dúvida, eu pergunto. Enfim, vou aos lugares pela comida. Desta forma, uma outra vergonha que larguei pelo caminho faz tempo foi a de dividir pratos. É mais barato, mais racional, possibilita que você experimente mais coisas sem ter de se empanturrar com uma porção gigante. Só que a maioria das pessoas ainda sente receio de propor esse esquema aos garçons. Não deveriam, mas é natural que pela cabeça de muita gente passem fantasias como: 1) vão achar que não tenho dinheiro para pagar a conta; 2) o garçom vai pensar que não sei comer com elegância; 3) o chef vai se ofender porque não estou provando o prato tal qual ele idealizou. 4) todas as alternativas anteriores, agravadas pelo fato de o manobrista ter olhado torto para o meu carro velho e/ou popular, e ter avisado o maître pelo Nextel. Tudo bobagem. Continue lendo aqui. *** Ainda sobre críticos gastronômicos. Talvez você tenha livro a crônica Boo e Floripa, ou algumas ou várias das notas e dos comentários e protestos que saíram no Diário Catarinense e nos blogs sobre a "visita" do crítico da Vogue britânica a Florianópolis. Se não, saibam que aqui na cidade não leram direito o que ele escreveu, e tanto demonizaram o cara, que ele resolveu detonar de verdade, agora. Leia o que ele escreveu segunda-feira no blog dele, o Boo's Reviews: "My wonderful trip to Brazil has been slightly compromised by the fact that simply everyone here hates me. I wrongly assumed that punters in the Heart of Darkness wouldn't be reading some gringo restaurant blog, so felt free to speak openly. Turns out I was wrong; they've read it, written about it and have universally decided that I am evil. Thing is, I think I was pretty even handed. Sure, I probably mentioned that they cremate all protein until it crackles like a pork scratching - I maybe even scoffed that the "beer" they slug all day is so weedy it should only be drunk by pregnant women and those operating heavy machinery - but I barely even mentioned the botulism buffets or inability to hold cutlery correctly." Aqui, a elogiosa crítica do El Divino, de Jurerê Internacional, mas que uma turma daqui leu como grande ofensa.

20/01/2009

Como Pelé, Obama é o dono da bola

Começa às 13h de hoje a cerimônia de posse de Barack Hussein Obama. No NYT, o colunista Bob Herbert, negro, escreve que gostaria de ver mais gente hoje em Washington... OP-ED COLUMNIST I Wish You Were Here By BOB HERBERT And so it has happened, this very strange convergence. The holiday celebrating the birth of the Rev. Dr. Martin Luther King Jr. became, in the midnight hour, the day that America inaugurates its first black president. It’s a day on which smiles will give way to tears and then return quickly to smiles again, a day of celebration and reflection. Dr. King would have been 80 years old now. He came to national prominence not trying to elect an African-American president, but just trying to get us past the depraved practice of blacks being forced to endure the humiliation of standing up and giving their seat on a bus to a white person, some man or woman or child. Get up, girl. Get up, boy. Dr. King was just 26 at the time, a national treasure in a stylish, broad-brimmed hat. He was only 39 when he was killed, eight years younger than Mr. Obama is now. There are so many, like Dr. King, who I wish could have stayed around to see this day. Some were famous. Most were not. I remember talking several years ago with James Farmer, one of the big four civil rights leaders of the mid-20th century. (The others were Dr. King, Roy Wilkins and Whitney Young.) Farmer enraged authorities in Plaquemine, La., in 1963 by organizing demonstrations demanding that blacks be allowed to vote. Tired of this affront, a mob of state troopers began hunting Farmer door to door. The southern night trembled once again with the cries of abused blacks. As Farmer described it: “I was meant to die that night. They were kicking open doors, beating up blacks in the streets, interrogating them with electric cattle prods.” A funeral director saved Farmer by having him “play dead” in the back of a hearse, which carried him along back roads and out of town. Farmer died in 1999. Imagine if he could somehow be seated in a place of honor at the inauguration alongside Dr. King and Mr. Wilkins and Mr. Young. Imagine the stories and the mutual teasing and the laughter, and the deep emotion that would accompany their attempts to rise above their collective disbelief at the astonishing changes they did so much to bring about. Continua aqui.

19/01/2009

NYT, 15/01 e 17/01

15/01 Fim da matéria E-Mail Note: ‘I Landed in the Hudson’: Sheikh Ali was waiting at Charlotte-Douglas International Airport for Matt Kane, a co-worker aboard Flight 1549, and did not know why it was late. So Mr. Ali sent an e-mail message from his BlackBerry: “Where are you?” Mr. Kane’s five-word response told the whole story: “I landed in the Hudson.” 17/01 QUOTATION OF THE DAY "My daughter said, ‘Daddy, the plane turned into a boat.’" MARTIN SOSA, who was with his family on the US Airways flight that ditched in the Hudson River.

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. Mulheres bonitas Ao menos por hoje, peço permissão para fazer valer a voz do dissenso e, singelamente, defender o seguinte: ao contrário do que se pensa, as mulheres mais bonitas de Florianópolis não estão, neste momento, dourando nas areias de Jurerê Internacional, Praia Brava, Praia Mole, Lagoinha lá do Norte. As mulheres realmente bonitas desta cidade tão incensada por causa da beleza feminina estão concentradas é no Centro, enfiadas em lojas, escritórios, repartições e consultórios, cercadas por muito concreto e muita argamassa, e é provável que a sua figura cheia de atributos esteja sendo tratada agora mesmo com lufadas agradáveis de ar refrigerado. Escrevo isso como uma forma de reparação a todos nós, homens, que passamos o dia inteiro trabalhando no Centro da cidade – sem direito a um banho de mar nem de manhã, nem à tarde – e a cada início de expediente temos de aturar as fotos que o Diário publica na capa ou na contracapa: as praias cheias, os biquínis revelando o necessário, o sol a pino e as ondas quebrando ao fundo. A primeira reação é lamentar, vendo, naquelas provas fotográficas, tudo o que perdemos a chance de aproveitar no dia anterior. Mas não é porque passamos o dia inteiro trancafiado em um escritório, e às vezes não saímos nem para almoçar e não caminhamos por pelo menos 20 minutos por dia pelas ruas do Centro, não é por causa disso tudo que temos obrigatoriamente de ficar alheios ao importante debate acerca da geografia da mulher bonita, cuja região onde mourejamos é a mais bem-servida da Ilha. As discussões a respeito estão adiantadas, e o grupo de amigos meus que empreende a tarefa de localizar, no mapa, talvez até no Google Earth, os locais mais frequentados por belas mulheres no Centro de Florianópolis chegou, na semana passada, a pelo menos uma boa conclusão. Embasada não só na experiência pessoal de cada integrante da junta, mas também em algumas entrevistas com mulheres que eles não ousam identificar à curiosidade pública. Eis: é no quadrilátero formado por Tenente Silveira, Padre Roma, Osmar Cunha e Rio Branco que as mulheres mais bonitas da cidade circulam. Conforme a gente se afasta deste perímetro, a ocorrência de mulheres lindas começa a ficar rarefeita, chegando à completa asfixia exatamente no calçadão da Conselheiro Mafra: um trecho de cão hostil a mulheres de salto alto, em especial ali perto do Mercado Público. Gostou?

18/01/2009

Poe, 200

Uma das leituras que mais me impressionaram no começo da adolescência, quando eu tinha 12 ou 13 anos, foi o Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe, cujo aniversário de 200 anos é hoje. Lembro que foi em Porto Alegre, na casa de meus padrinhos, numa - acredite - noite de tempestade, em dezembro. Não havia o que fazer, já mais de meia-noite, com quase todo mundo dormindo, quando desci à biblioteca e puxei o livro de capadura preta da estante. Acho que foi pelo título. Que beleza. Até hoje me lembro do conto em que o sujeito tinha a estranha doença de desfalecer e acordar algumas horas depois, e por isso vivia paranóico que o fossem enterrar vivo, ou o conto chamado A queda da Casa de Usher, assustador. Para comemorar a efeméride, segue abaixo trecho do artigo de Joyce Carol Oates para o New York Times, que começa quase igual a este post: Os pesadelos reais de Edgar Allan Poe Joyce Carol Oates Ali estava um mistério! Em nossa casa de fazenda que quase não tinha livros, no Estado de Nova York, na região conhecida estoicamente por seus moradores como Snow Belt (Cinturão de Neve), havia um volume -- danificado como se tivesse manchas de água, com cara de velho, austero em sua escura capa dura -- com o título intrigante de "O Escaravelho de Ouro". "O Escaravelho de Ouro" -- minha imaginação infantil tomou asas com essa imagem intrigante. Insetos -- principalmente moscas e mosquitos -- existiam aos montes no interior. Mas um "escaravelho de ouro", o que poderia ser? O nome do autor -- Edgar Allan Poe -- era forte, "poético", mas desconhecido para mim, uma criança de dez anos com um interesse precoce por livros e contação de histórias e tudo o que não era real, mas imaginado, como uma espécie de sonho acordado. Continua aqui.

Nanopinião 47: Fazendo as malas

Fazendo as malas, de Danuza Leão - Cia. das Letras Li Fazendo as malas na tarde do dia 1, de férias, na Cachoeira do Bom Jesus. Só conhecia o texto de Danuza Leão das crônicas que ela escreve para a Folha de S. Paulo. O livro tem o mesmo tom, porque não é literatura, mas relatos ligeiramente afetados de viagens a Lisboa, Paris, Roma e Sevilha. Leitura rápida, às vezes divertida. "Mulherzinha", OK, mas a descrição de restaurantes, dos pratos e do serviço de alto nível dos lugares onde almoçou ou jantou vale a pena. O mais é roupa, sapato, jóias e "leis" de etiqueta e bom gosto. Esperava uma Danuza mais contida, mais classuda. O bom do livro mesmo é o serviço completo dos lugares citados na "reportagem". Pode ser útil um dia, se um dia tivermos os milhares de euros de que ela dispõe para se divertir na Europa. Leia mais nanopiniões: Suave é a noite, de F. S. Fitzgerald Em Brasília, 19 horas, de Eugênio Bucci Esquetes de Nova Orleans, de William Faulkner Tribulações de um chinês na China, de Júlio Verne Na praia, de Ian McEawn

14/01/2009

Mais um lançamento do velho Woody Allen

E continuam sendo lançados no Brasil os filmes antigos de Woody Allen! Ano passado, por dica da Daise Ribeiro, do Ipsis Litteris, comprei uma caixa exclusiva da 2001 Vídeo com Radio Days, Broadway Danny Rose e Stardust Memories, todos inéditos em DVD no Brasil. Hoje, descobri que está à venda What's Up, Tiger Lily? (1966, O que há, tigresa?). Segundo a sinopse, o longa faz "uma adaptação satírica de thrillers de espiões japoneses, como Key of Keys, com dublagens de atores americanos". E mais: "primeiro longa dirigido por Woody Allen. Um original e divertido filme em que resolve dublar em inglês um filme de ação japonês". Woody faz a narração da história. Veja abaixo que filmes de Woody Allen que ainda não estão disponíveis em DVD no Brasil: Take the Money and Run (1969) Bananas (1971) Play it Again, Sam (1972) September (1987) Alice (1990) Shadows and Fog (1992) Husbands and Wives (1992) Manhattan Murder Mystery (1993) Bullets over Broadway (1994)

Sobre Yoani Sánchez

O internauta Marcos Paula deixou um comentário pertinente na postagem Yoani Sánchez, a blogueira de Cuba, publicada aqui em 12 de maio de 2008. Vai abaixo: "Yoani Sanches merece toda a repercussão que ela está tendo. Imagino o quanto possa estar contente por se saber ouvida por tanta gente, no mundo todo, quebrando todas as fronteiras. MAS ATENÇÃO, CAROS LEITORES: NÃO É DA REVOLUÇÃO EM SI que ela "fala mal"; é de todas as promessas que a Revolução não pode cumprir - e um dos motivos que a fez não cumpri-los foi - nunca é demais lembrar - o embargo econômico dos EUA. Se digo isso, é para lembrar que várias multinacionais estão patrocinando traduções do blog de Yoani. Mas ela e a HP NÃO TÊM os mesmos interesses: ela quer liberdade e um vida justa e digna, ainda que seja sob o Socialismo. A Hewlett-Packard quer entrar de vez na Ilha, ainda que seja sob a exclusão e a miséria de muitos. Yoani é uma mulher corajosa e merece todo o nosso apoio. Mas - por favor - não deixemos que o capitalismo se aproprie de maneira vil de suas belas e livres palavra." Ouça também uma entrevista de Yoani, em postagem publicada no dia 5 de dezembro do ano passado: Entrevista com a blogueira: Yoani Sánchez.

12/01/2009

Floripa é o lugar para festar - com Amy - em 2009

Edição de ontem do The New York Times trouxe uma reportagem especial da editoria de viagem intitulada "The 44 Places to Go in 2009". Os destinos estão separados por categorias, e Florianóplis é o "Top Destination" da categorias "Festas". Segundo o repórter que esteve na cidade, Floripa é o lugar mais "quente" da América Latina para fazer festa. Lá no meio da matéria, quando são apresentadas as casas noturnas, tem esse parágrafo: "Making the biggest splash is Pacha (Rodovia Maurício Sirotsky Sobrinho; 55-48-3282-2054; www.pachafloripa.com.br), part of a chain of megaclubs that opened a branch near Jurerê Internacional in November. According to one of the owners, Johnny Mansur, both Jack Johnson and Amy Winehouse are booked this year for Pacha’s 15,000-seat outdoor concert area." Leia tudo aqui.

A crônica de hoje, no DC: Boo e Floripa

Página 7 do caderno Variedades de hoje, no Diário Catarinense. Boo e Floripa E não é que estão caçando Boo nas ruas de Florianópolis? Não o Boo Radley, o injustiçado da provinciana Maycomb, de O sol é para todos, clássico da literatura americana estrelado no cinema por Gregory Peck e Robert Duvall. No nosso caso é o James “Boo” Murphy, o afetado e ácido crítico de gastronomia da Vogue britânica. Desde dezembro, ele está metido numa casa em Jurerê Internacional: comeu, perambulou e conheceu o famoso balneário. No dia 2, resolveu trabalhar, e publicou em seu blog – de acesso livre – uma opinião sobre a comida e o serviço do El Divino. Boo escreveu que Floripa é uma “ilha idílica”, “um refúgio grã-fino dos endinheirados de SP e RJ” e “um lugar misericordiosamente livre de estrangeiros”. Jurerê ele considerou uma “praia espetacular”, um “lugar rodeado por morros contemplativos e florestas suntuosas, indescritivelmente bonito”. O Taikô, que ele visitou, é “um bar de praia elegante com sofisticação sutil que serve coquetéis deliciosos” e “lembra Pampelonne, em Saint Tropez”, só que melhorado. Para contextualizar a crítica do El Divino, confessou que viagens anteriores ao país lhe deixaram más impressões sobre a gastronomia brasileira. Nessas visitas, testemunhou “crimes contra a comida”, como “croissants de frango e salsichas recheadas com queijo”, e foi embora achando que beber do vinho riesling é provar do cálice da morte e que os demais vinhos só serviriam como mertiolate. Acontece que ele ainda não experimentara os pastéis, camarões e coquetéis de Floripa. Boo os provou no El Divino, onde “os garçons flertam com a mulher do cliente” – o que, segundo o Cacau Menezes disse na CBN/Diário, é verdade mesmo. Se deliciou com pastéis (“saborosos” e “fresquinhos”) e camarões (“carnudos”, o oposto dos ingleses, muito ruins). Desdenhou os vinhos da casa, mas apreciou os drinks. No fim, deu 13 pontos de 20 possíveis ao restaurante. E terminou pensando em adiar o retorno à Inglaterra, correndo o risco de contrair dengue no Brasil, só para ficar uns dias a mais em Jurerê. Só sei avaliar a comida dos botequins de Coqueiros, mas se tenho de expressar uma opinião a respeito do trabalho do crítico inglês, é a de que ele me pareceu deslumbrado demais com Jurerê e os “beach clubs”. Ou então desconfiar que ele escreveu o que escreveu a mando Secretaria de Turismo, com o objetivo de divulgar Florianópolis na terra do “fish and chips”. *** ps do blog. o texto de Boo Murphy está aqui.

10/01/2009

Maysa

Quando a microssérie Capitu saiu tomando porrada por aí de blogueiros e internautas (nos espaços para comentários), falei para os meus amigos: de Maysa, esse pessoal vai gostar. Meio óbvio, ok, mas não custa falar. Eu aguentei parte do primeiro capítulo. Quando, na festa de Maysa na "mansão dos Matarazzo", começa o show pirotécnico que André preparou de surpresa para a jovem, um foguete espocou no céu desenhando os inconfundíveis olhos da cantora. Aí, "larguei", como se diz em Porto Alegre. Mas a turma gostou, tá achando "emocionante". Você já ouviu algum diálogo? É mais ou menos assim: - Maysa, por favor, você precisa tomar jeito. O lugar de uma mãe responsável é em casa, ao lado do filho, junto à família. - Ora, eu sou rebelde, mas amo meu filho! Serei assim para sempre, doa a quem doer. Ou: - E você, Elizeth Cardoso, a maior cantora do Brasil, o que acha da nossa menina? Ou: - Estamos passando em frente da mansão dos Matarazzo, a família mais importante de São Paulo, uma das mais ricas do Brasil! É embaraçoso. Pois o Luiz Carlos Merten, repórter e crítico de cinema do Estadão, deu sua opinião no seu blog. Segue abaixo, porque é quase tudo o que eu penso. Socorro! por Luiz Carlos Merten Lá vou eu me meter. Fotografia de Afonso Beato, figurinos de Marilia Carneiro, a minissérie ‘Maysa’ é um luxo. Pronto, acabou. Não há mais o que elogiar – tirando, claro, a semelhança de Larissa Maciel, com a biografada, a minissérie pode até estar fazendo boa audiência, mas é ruim demais. Jayme Monjardim me desculpe, mas de onde que ele, tão empenhado em contar a história de sua mãe, tirou a idéia de que Manoel Carlos era o melhor autor para contar essa vida? Não havia gostado de ‘Olga’, porque o filme, afinal, parecia um novelão. Sinto falta do novelão em ‘Maysa’. Tudo me parece raso, as personagens sem vida. A verdade é que Manoel Carlos é especialista naquelas Helenas suburbanas e Maysa não tinha nada a ver com elas. A personagem pedia, exigia o glamour de Gilberto Braga. Como segunda opção, ficaria com Maria Adelaide Amaral. Ambos teriam construído, talvez, uma personagem menos santificada, menos ‘vítima’, mais complexa e fascinante ou simplesmente teriam lhe aplicado a injeção de teledramaturgia que me parece faltar a ‘Maysa’. E o que são aqueles diálogos? A protagonista dizia ontem que era subversiva, que era isso e aquilo. Com todo respeito pela grande artista que Maysa foi, a minissérie tem me passado a idéia de uma criatura mais chata e insuportável do que propriamente ‘revolucionária’, no sentido de adiante de sua época. Por dúvida das vias, estou parando com ‘Maysa’. É muito desgastante querer ficar preso a uma coisa que, obviamente, não está me satisfazendo. Ia perder, de qualquer maneira, o desfecho – viajo na quarta que vem, dia 14. Estou parando por absoluta falta de interesse. E, depois, a história já começou e terminou no primeiro episódio, que também estabeleceu a linha mestra – a divisão mulher/artista/mãe/profissional. Estava no primeiro episódio a única cena de que gostei ou que, pelo menos, apontava um caminho, quando Maysa briga com o dono da churrascaria, depois de atirar o sapato na mesa dos clientes que não param de fazer barulho enquanto ela canta. Maysa diz que exige respeito como artista e o cara responde que o público respeita aqueles de quem gosta. Gostaria de ter gostado de 'Maysa', mas não deu. Em matéria de mini/microssérie, ela pode estar tendo melhor audiência do que ‘Capitu’, mas luxo mesmo, pela ousadia e criatividade, era o trabalho de Luiz Fernando Carvalho. Aquilo, sim, me valeu o esforço.

O jornalismo internacional, no Brasil

A primeira ida a uma banca de revistas em 2009 rendeu três boas compras. A última edição da Newsweek International de 2008 tem uma chamada de capa irrestível: "The new global elite", com rápidos perfis das 50 personalidades mais poderosas do planeta. E não é que o Lula está no rol? Da mesma Newsweek International, comprei a edição especial "Issues 2009", cuja manchete também é sedutora: "How to fix the world". E não é que tem um texto do Lula, na página 47? Agora, a grande novidade, até porque passei o mês de dezembro fugindo das bancas (atravessava a rua quando via uma!), para não gastar o décimo terceiro salário: uma edição conjunta de CartaCapital e The Economist em português! "O mundo em 2009", grita a capa. Trata-se da união das últimas edições de 2008 da cria de Mino Carta e da sisuda e respeitável revista britânica. Tomara que a parceria vingue, para o bem dos leitores brasileiros. Afinal, uma Economist "original" nas bancas daqui custa quase R$ 40. E não é que a Economist também tem um texto de Lula na página 100? Ora, o Lula disse para o Mario Sergio Conti, numa entrevista publicada na Piauí de janeiro, que não lê e não vê nada jornalístico, por causa da azia. Mas aposto que essas três revistas ele leu, recortou e guardou num escaninho presidencial. Leia abaixo as principais chamadas e o editorial de Mino Carta sobre a parceria inédita. THE GLOBAL ELITE 1: Barack Obama The new U.S. president will be judged by whether he can save capitalism. SPECIAL ISSUE | ISSUES 2009 A Guide for the Next American President Newsweek's 10th year-end Special Edition, produced in cooperation with the World Economic Forum, speaks to this very question: how to fix the world. The upcoming Forum meeting in Davos will have a similar organizing principle. In this issue, as at Davos, we have assembled a collection of top politicians, thinkers, activists and writers from around the globe to help President Obama navigate the tricky waters that lie ahead. A unicidade premiada Esta é edição duplamente especial. De fato, não é somente a última do ano, a resumir-lhe os momentos mais importantes para extrair significados e desenhar possíveis conseqüências. Representa também um prêmio à qualidade de CartaCapital, valorizada pela inédita parceria com The Economist, a mais importante semanal do mundo. Trata-se de um reconhecimento extraordinário ao cabo de um ano de grandes eventos e de notáveis acertos de uma publicação que prima pelo respeito à língua e pela excelência gráfica. A combinação entre as edições finais de 2008 de The Economist e de CartaCapital é para nós de grande satisfação. Mesmo porque existem claras semelhanças entre as duas revistas.

07/01/2009

O arquivo de Hemingway em Cuba

Reportagem publicada ontem pelo jornal inglês The Guardian revela que essa semana foi aberto à consulta acadêmica um arquivo com o farto material - documentos, fotos, livros etc. - que foi resgatado do porão da casa em que Hemingway viveu por 21 anos em Cuba. O arquivo vai poder ser visto e lido no Museu Ernest Hemingway de Havana e na Biblioteca John F. Kennedy de Boston. Ainda não se sabe se um site será lançado com o material. Bem que podia. Sabe o que tem lá? Um prólogo inédito de Por quem os sinos dobram e um roteiro para cinema de O velho e o mar! Digital archive of papers rescued from Hemingway's home in Cuba is released Ed Pilkington in New York guardian.co.uk, Tuesday 6 January 2009 17.59 GMT Students of the work of Ernest Hemingway, the Nobel prize-winning novelist with a powerful literal and literary punch, have been granted an important boon this week with the opening of a digital archive of papers that he left from his Cuban days. The documents, photographs and books sat for decades in the dank, mouldy basement of Hemingway's home seven miles outside Havana. Among the gems are an unpublished epilogue to his novel For Whom the Bell Tolls and a screenplay for The Old Man and the Sea. Continua aqui.

06/01/2009

Nanopinião 46: Suave é a noite

Suave é a noite, de F. S. Fitzgerald - Casa Jorge Editorial Este foi o terceiro romance que li de Fitzgerald, o primeiro de que não gostei. Continuo achando Deste lado do paraíso melhor, até do que de O grande Gatsby. É estranho, sei, mas acho mesmo. Talvez a tradução do Gatsby que li não tenha ajudado, e eu precise relê-lo em breve. Mas da história dos Diver só gostei do início, quando tudo se concentra na Riviera Francesa. A partir do momento em que a narrativa passa a desvendar o início do relacionamento de Nicole e Dick, paciente e médico, sei não. Duas cenas me ficaram. Uma, logo no início, é a festa noturna que o casal promove na sua casa no alto do morro. Uma frase de Dick a repeito da festança, que a Jade quis gravar no nosso convite de casamento, diz ela, eu não deixei (não lembro!), é demais: "Quero dar uma festa onde haja socos e seduções, as pessoas voltem para casa sentindo-se magoadas e as mulheres desmaiem no toalete". É afetada à Fitzgerald, mas devíamos ter usado. Aliás, li Suave... por insistência da Jade, que já o leu e releu muitas, inúmeras vezes, por achá-lo o melhor livro de todos os tempos. A outra cena é a do acidente de carro do casal com os filhos no banco de trás. Ah, e quando Dick começa a beber de verdade também é interessante.

05/01/2009

Porque ter sorte é bom

Vídeo pescado no blog Desculpe a poeira, do jornalista Ricardo Lombardi.

A crônica de hoje, no DC!

A primeira crônica de 2009 é sobre 2008, mas sobre 2009...
Na página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. Um obituário de 2008 O ano de 2008, que marcou o início da mais grave crise financeira mundial desde 1930 e foi também um período enriquecedor para o Brasil no que diz respeito a fatos “nunca antes ocorridos na história desse país”, segundo os critérios esquisitos mas engenhosos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, extinguiu-se na noite da última quarta-feira. A causa mortis, como sabe todo estudante aplicado de Geografia, foi o respeito devoto da humanidade a uma convenção criada em 1582 – o calendário gregoriano –, que atribuiu 365 dias ao ano – e um a mais aos chamados anos bissextos, recurso que corrige os “novos tempos” em relação ao calendário até então utilizado, o juliano. 2008, porém, teve a peculiaridade de desaparecer de maneira diferente da maioria dos seus antecessores, quebrando uma tradição que só os anos valentões – ou desvairados – ousam confrontar. Por conta da falta de sincronia entre os relógios atômicos e a velocidade de rotação do planeta Terra em seu próprio eixo, o Escritório Internacional de Pesos e Medidas, situado na França, determinou expressamente que 2008 tivesse um segundo a mais do que o previsto na noite de 31 de dezembro de 2007. A informação foi divulgada com alarde poucos dias antes da morte anunciada, mas na verdade, desde 1972, outros 22 períodos de 365 dias já tiveram essa sobrevida de 1 segundo em meio à barulhenta e festiva comemoração de Ano-Novo – detalhe de que, afinal de contas, ninguém se lembra na hora de estourar o champanhe, mas fundamental para a elaboração de um obituário sem destaques relevantes. Com exceção desse um segundo a mais, 2008 foi um ano tedioso. Muita gente morreu, mas também muita gente foi assassinada. Os carros avançaram um pouco mais no território que ainda pertence aos pedestres. Os livros continuam a ser lidos de maneira sofrida, e até as novelas perderam audiência. Boa parte da humanidade passou 2008 saindo pela manhã de casa para trabalhar, comendo um troço qualquer no restaurante de bufê a quilo na hora do almoço e retornando ao lar cansado no fim do dia, na hora do rush. É verdade que muitos sonhos se realizaram, e talvez até alguns milagres, mas não foram descobertos santos e uma multidão desistiu de sonhar (especialistas garantem que essa foi a causa decisiva para o monumental número de mortos em 2008). E como se inicia 2009? Com uma guerra na Faixa de Gaza. Assim caminhamos...

03/01/2009

Vento Sul em Coqueiros

Não chove, mas venta o diabo em Florianópolis. Desci até o fim da rua para fotografar o poente (lá pelas 20h!) na baía Sul...

Os livros de 2008

O ano – corrido, trabalhoso e desgastante – não me permitiu ler mais que 33 livros. Como nos dois últimos anos, publico a lista abaixo. Em negrito, os melhores: Mario Benedetti, Anthony DePalma, Ian McEwan, Harper Lee e Machado de Assis. Os links levam às respectivas nanopiniões. A releitura de Dom Casmurro foi deliciosa: que sorte, que felicidade, que privilégio termos um escritor da excelência de Machado de Assis... Ainda essa semana escreverei as últimas nanopiniões dos livros de 2008. As "descobertas" de Benedetti e McEwan e a decepção/frustração com Pedro Páramo são dignas de nota, também. Em tempo, só publico a lista agora, e não nos últimos dias do ano, como em 2006 e 2007, porque estava na praia, sem computador, ipod, nada. As penas do ofício, de Sérgio Augusto - Agir Pedro Páramo e Chão em chamas, de Juan Rulfo - Record A sonata a Kreutzer, de Lev Tolstói - Editora 34 Quem de nós, de Mario Benedetti - Record A trégua, de Mario Benedetti - Alfaguara Rubem Braga - um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio Carvalho - Editora Globo O homem que inventou Fidel, de Anthony Depalma - Cia. das Letras Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum - Cia. das Letras A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, de Jorge Amado - Cia. das Letras Carne viva, de Paulo Francis - Francis Editora Reparação, de Ian McEwan – Cia das Letras O novo conto Catarina, de Regina Carvalho (org.) – EdUFSC Cenas de um casamento sueco, de Ingmar Bergman - Letras Brasileiras Quem tem medo do Mapinguari?, de Vássia Silveira - Letras Brasileiras O mundo é plano, de Thomas Friedman - Objetiva O sol é para todos, de Harper Lee - José Olympio O romance morreu, de Rubem Fonseca – Cia das Letras Laowai, de Sônia Bridi - Letras Brasileiras O mago, de Fernando Morais - Planeta Estorvo, de Chico Buarque - Cia das Letras Na praia, de Ian McEwan – Cia das Letras Tribulações de um chinês na China, de Júlio Verne - Hemus Esquetes de Nova Orleans, de William Faulkner - José Olympio Em Brasília, 19 horas, de Eugênio Bucci - Record A menina sem estrela, de Nelson Rodrigues - Cia das Letras O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues - Cia das Letras Banquete com os deuses, de Luis Fernando Verissimo - Objetiva O conde e o passarinho, de Rubem Braga - Record O verão e as mulheres, de Rubem Braga - Record Brasil brasileiro, de Paulo Mendes Campos - Civilização Brasileira Suave é a noite, de F. S. Fitzgerald - Casa Jorge Editorial Dom Casmurro, de Machado de Assis - Globo 20:21, de Bill Emmott – Record A lista de 2007, aqui. A lista de 2006, aqui.
 
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