31/12/2007

Os livros de 2007

Segue abaixo a lista dos 46 livros que pude ler em 2007. Li a última página do segundo volume de Victor Hugo, biografia do escritor francês escrita por Max Gallo, na manhã de hoje. Curioso: terminei o primeiro semestre emocionado com a morte de Jean Valjean, herói de Os miseráveis, para mim um dos livros mais lindos que existe, e encerro o ano tocado pela passagem envolta em glória do pai de Quasímodo. Bem, em negrito estão os cinco livros que mais gostei de ler, ou que mais me marcaram. Eu briguei muito comigo mesmo para incluir O filho eterno, de Cristovão Tezza, neste top 5. Mas não deu. Os links levam a nanopiniões que publiquei ao longo do ano... Números: foram 20 livros no primeiro semestre, 26 no segundo. Destes, 12 li a trabalho, pois têm o selo da Letras Brasileiras, o que é um prazer. A lista do primeiro semestre é esta. Dos cinco melhores de então, apenas Os miseráveis ficou para o top 5 geral.
A lista do ano passado é esta, com 39 livros anotados desde abril, quando eu e a Jade voltamos de lua-de-mel e eu tive a boa idéia de começar a gravar o nome dos livros que leio. A diferença para a deste ano, portanto, é de sete livros, em três meses. 2008 vem aí, e a biblioteca não pára de crescer. 1 - O repórter do século, de José Hamilton Ribeiro - Geração Editorial 2 - 20 Contos, de Truman Capote - Cia das Letras 3 - Os lentos anos de Santinha na companhia de Emiliana, de Eliziário Goulart Rocha - Letras Brasileiras 4 - A mentira, de Nelson Rodrigues - Cia das Letras 5 - Eles e eu - memórias de Ronaldo Bôscoli, de Luiz Carlos Maciel e Ângela Chaves - Nova Fronteira 6 - O perfume, de Patrick Süskind - Record 7 - Claudinha no ano da loucura, de Alexandros Evremidis - Tchê 8 - A sapinha Meiga, de Regina Carvalho - Design Editorial 9 - Presente de um domingo chuvoso, de Werner Zotz - Letras Brasileiras 10 - A casa do poeta trágico, de Carlos Heitor Cony - Cia das Letras 11 - O negócio dos livros, como as grandes corporações decidem o que você lê, de André Schiffrin - Casa da Palavra 12 - A cidade de Alfredo Souza, de José Angeli - Letras Brasileiras 13 - Seu eu fosse..., de Luiza Meyer - Letras Brasileiras 14 - Menina de três, de Luiza Meyer - Letras Brasileiras 15 - Braboletas e ciúminsetos, de Vássia Silveira - Letras Brasileiras 16 - O lápis e a menina, de Miriam Aparecida - Letras Brasileiras 17 - Carnaval de fogo, de Ruy Castro - Cia das Letras 18 - Os miseráveis, de Victor Hugo - Cosac Naify/Casa da Palavra 19 - O sabor da fome, de Salim Miguel - Editora Record 20 - As afinidades eletivas, de J. Wolfgang Goethe - Nova Alexandria 21 - A educação sentimental, de Gustave Flaubert - Círculo do Livro 22 - Aventura nos mares do Brasil, de Werner Zotz - Letras Brasileiras 23 - O inverno da guerra, de Joel Silveira - Objetiva 24 - Murais de Vinicius e outros perfis, de Paulo Mendes Campos - Civilização Brasileira 25 - Pais e filhos, de Ivan Turguêniev - Cosac & Naify 26 - Um beijo no coração, de José Antonio - Letras Brasileiras 27 - Falta de ar, de Ricardo Soares - Letras Brasileiras 28 - O cisne de feltro, de Paulo Mendes Campos - Civilização Brasileira 29 - O gol é necessário, de Paulo Mendes Campos - Civilização Brasileira 30 - As vinhas da ira, de John Steinbeck - Record 31 - Txakazuê, de Igor - Letras Brasileiras 32 - Rússia, o ressurgimento da superpotência, de Roberto Colin - Letras Brasileiras 33 - De ponta-cabeça, de Otavio Frias Filho - Editora 34 34 - De vagões e vagabundos, de Jack London - L&PM 35 - O imperador, de Ryszard Kapuscinski - Cia das Letras 36 - Artigo definido - crônicas literárias, de Paulo Mendes Campos - Civilização Brasileira 37 - Ela e outras mulheres, de Rubem Fonseca - Cia das Letras 38 - A mulher do próximo, de Gay Talese - Cia das Letras 39 - A literatura na poltrona, de José Castello - Record 40 - Às margens do Sena, de Reali Jr. - Ediouro 41 - Conspiração de nuvens, de Lygia Fagundes Telles - Rocco 42 - Olympia, de Fausto Wolff - Editora Leitura 43 - O veredicto e A colônia penal, de Franz Kafka - Cia das Letras 44 - Elas gostam de apanhar, de Nelson Rodrigues - Agir 45 - O filho eterno, de Cristovão Tezza - Record 46 - Victor Hugo, de Max Gallo - Objetiva

29/12/2007

DVDteca

A melhor postagem do fim do ano...

...é do UOL Jogos, que criou um álbum de 280 fotos chamado "História do Videogame", com cenas do Pong - fliperama nos anos 1970 - até Bioshock. Muito legal. Acho que não vi Counter Strike, Day of Tentacle, Grand Prix (aquele da Microprose, lembra?) nem o Mario Kart do SNES, mas posso estar enganado. Confira lá. É demais!

Crônica de Verão 2 - Diário Catarinense

Na Revista de Verão do DC, hoje: Sei bem como é Lá por setembro, o filho pede a chave da casa de praia para comemorar, com um churrasco, o seu aniversário entre amigos. Os pais emprestam, claro, que há de mais nisso? Em outubro, é o outro filho quem faz o mesmo pedido, mas apenas por um fim de semana, para descansar com a namorada das "atribulações do trabalho", do "estresse da vida atual" e mais umas desculpas quaisquer para poder dormir a sós com a garota. Como o ano ainda está longe de acabar, os pais compreendem o primogênito, emprestam a casa e fica tudo bem. Chega novembro, e aí é o marido quem olha a mulher um dia, durante um almoço, e diz: - Nossa vez, querida. Os pais então pegam o carro num sábado pela manhã, sem muito ânimo, é verdade, e partem para a casa de praia. Não há trânsito na rodovia, chegam em menos de meia hora. À primeira vista, o desânimo é inevitável. O homem abre o portão e percebe que a grama bate quase na metade do muro, o mato tomou conta de boa parte do quintal, a pitangueira morre a olhos vistos, a brita está suja de barro e lama, tijolos quebrados espalham-se pelo chão da garagem, alguém usou o tanque do deque para limpar peixes há muito tempo e há dias o mosquedo se diverte com as sobras e escamas. De relance, o pai olha para o telhado: a antena continua de pé, mas umas telhas acabaram deslocadas, certamente pelo bravo vento Sul. A cada passo, outras descobertas. A mulher abre a porta da sala e se dirige à cozinha, porque é lá que mora o seu problema maior. Os filhos deixaram uma baita quantidade de louça suja na pia: pratos e travessas, copos de cerveja, uma infinidade de latinhas. Os sacos de lixo estão cheio e fedorentos. Na sala, ela se certifica de que uma grossa camada de pó cobre os móveis, os vidros estão embaçados de maresia. Enquanto isso, o pai caminha em volta da casa para conferir se o poço da bomba dágua continua tampado. Tudo ok. O problema é que a veneziana do quarto de casal está quebrada, talvez por arte de algum ladrão amador. Quando pai e mãe se encontram de novo, o olhar é o mesmo do ano anterior: há tanto a fazer... Um ou dois sábados depois, quando os filhos ainda estão dormindo, eles saem cedinho de volta para a casa de praia. Desta vez, levam no carro pá, tesoura e máquina de cortar grama, pincéis e tintas e latas de selante, muitos baldes, panos de prato, toalhas de banho e de rosto, detergente e umas três pedras de sabão, lixas, uma fornida caixa de ferramentas, solvente, água sanitária e mais uma dezena de produtos químicos de limpeza. E os pijamas e uma muda de roupa para o domingo, pois vão prontos para pernoitar. Afinal, é preciso retomar o controle da casa. Ao chegarem, com método e experiência abrem a casa toda à luz do sol e à força do vento. A mulher varre cada cômodo e expulsa a areia que, meses a fio, passou por entre frestas e gretas, infiltrou-se com a maresia e ocupou o lar. Lava-se o chão e a louça, conserta-se a janela estragada, arranca-se o mato da grama aparada, testa-se a água (e se faltar, meu Deus!) e, no fim do dia, um banho de mar premia o casal. No dia seguinte, a trabalheira segue. Trocar os cadeados carcomidos pela ferrugem. Podar a pitangueira. Subir ao sótão, revirá-lo atrás das malditas telhas de reserva, trepar no telhado e trocar as quebradas. Arrumar um ou outro bode de fiação. Depois disso tudo, ainda visitará a casa a heróica faxineira da família... O pior é fazer isso tudo e chegar à conclusão de que é preciso alugar a casa aos turistas argentinos ou gaúchos ou paulistas e faturar um dinheiro que tornará o ano seguinte menos pesado financeiramente! Assim é o fim de ano de quem tem casa de praia numa cidade em que meio mundo quer passar as férias.

22/12/2007

Crônica de Verão 1 - Diário Catarinense

O blog entra em recesso até pouco antes da virada do ano, quando publicarei a lista de leituras de 2007, indicando os cinco melhores livros do ano. Abaixo, a coluna de ontem da Revista de Verão do Diário Catarinense, que sai às sextas no papel, encartada no jornal, e sábado no 1 crônica por dia. Visite também o Tostadinho, blog da equipe da revista. Boas festas a todos que põem os olhos aqui de vez em quando. Tudo de bom para a gente!

20/12/2007

Revista de Verão DC

Amanhã começa a circular a Revista de Verão do Diário Catarinense. Serão 12 edições, até março de 2008, sempre às sextas-feiras. Os editores desta temporada são os jornalistas Néri Pedroso e Thiago Momm. Camille Reis, apresentadora da RBS TV, assina a coluna Maresia e eu, o espaço dedicado à crônica, como nos últimos dois verões. Confira abaixo a notícia de hoje no DC e não deixe de visitar o Tostadinho, blog da equipe que está trabalhando arduamente para visitar praias, fazer roteiros de férias e experimentar as delícias da estação em Santa Catarina... Ê, vidão! Imprensa Revista de Verão estréia amanhã Leitores vão receber 12 edições, sempre encartadas no Diário Catarinense, às sexta-feiras A Revista de Verão 2007/2008 chega às bancas um dia antes do início da estação associada ao sol, às férias, ao descanso, aos encontros familiares, ao ócio. O verão começa às 4h8min deste sábado. Continua aqui.

19/12/2007

Hitchcock por Scorcese

Gosta de Hitchcock? Então assista já a esta propaganda para um espumante espanhol que Martin Scorcese filmou à moda do mestre. Obra-prima. O link é: http://www.scorsesefilmfreixenet.com/video_eng.htm

16/12/2007

Uma crônica

Ontem, o sogro no DC Cultura. Hoje, minha saideira no Donna DC enquanto interino de Maicon Tenfen. Agora, só depois... Feliz é a gaivota Leitoras, a verdade é uma só. Como não almejo ser o autor de qualquer versão oficial, é preciso que eu confesse, antes de tudo: foi uma bruxa, destas que de vez em quando saem dos livros de Franklin Cascaes para dar uma volta nas noites de lua cheia, quem me segredou o que vai relatado abaixo. À sabedoria da feia e boa velha, pois, é que devemos creditar a beleza da revelação. O lúdico a quem é fantástico, como deve ou deveria ser tudo o mais nesta Ilha misteriosa. Contou-me a bruxa que há uma relação estreita entre os que moram em Florianópolis, em especial os que aqui nasceram ou se criaram desde pequeno, e as gaivotas que habitam a cidade. Ora, quem não as conhece de vista? Encontramos gaivotas por toda parte, diariamente, e não apenas nas praias. No trajeto para o trabalho, ao atravessar as pontes de carro, numa caminhada pela Avenida Beira-Mar Norte, nas pinturas das fachadas de prédios... A gaivota é nossa íntima. Dito isto, aprendam enquanto há tempo e ainda existem bruxas para nos ensinar os segredos da Ilha: da mesma forma que nós olhamos para o céu à noite e vemos a beleza, a intensidade e a presença de estrelas que não existem mais, as gaivotas manezinhas sobrevoam uma cidade que ainda tem a beleza, a intensidade e a presença de uma Florianópolis que também não existe mais. Ou que só é visível a olhos humanos nas fotos da nossa carente Biblioteca Pública, nos arquivos de jornais ou nos blogs dos saudosistas. As gaivotas que habitam as nossas praias ainda olham para o mar e só vêem canoas e baleeiras de pescadores, no lugar dos jet-skis poluidores e lanchas potentes poluidoras e banana-boats ridículos e escunas cujo passeio é embalado por trilhas sonoras de filmes do Indiana Jones; miram os costões e áreas de preservação e não encontram prédios, casas e outros empreendimentos irregulares construídos sob a rígida vigilância de políticos desatentos; voam pela faixa de areia e enxergam só areia, que na cidade entrevista por elas ainda não foi engolida pelas casas criminosamente construídas à beira-mar nem é utilizada para festas "VIP" de réveillon, privando o público do seu espaço; dão rasantes sobre o espelho dágua e ainda encontram fartura de peixes para deglutir, no lugar de uma sujeira cada vez mais irremovível que bóia e nos fere o olho, o nariz e a saúde. Elas até hoje não conseguiram compreender o sentido da canção de Luiz Henrique Rosa, que diz "Ai, que saudades que eu tenho da minha lagoa", já que a Lagoa da Conceição, do seu ponto de vista, ainda é um paraíso pujante de vida, cor e cheiro de mar como desde sempre. Nessa cidade fantástica das gaivotas nativas, o Avaí é o time mais vezes campeão do Estado e também o de maior torcida. E a bruxa contou ainda que dentre todas essas gaivotas, as que mais enxergam a beleza, a intensidade e a presença de uma Ilha que não existe mais são as que vivem entre Coqueiros e Itaguaçu, bairros onde Florianópolis é mais Rio de Janeiro. Eis, portanto, toda a verdade. De minha parte, desconfio que as belas gaivotas que habitam Florianópolis são todas umas hippies da primeira geração dos hippies. Mas não considero que essa característica as faça um exemplo acabado de alienação. Afinal, elas não escrevem as leis, não se elegem vereadoras nem são envolvidas até as asas em operações da Polícia Federal como a Moeda Verde. Diria mesmo que as invejo. Todo dia, quando abro a janela aqui de casa, não por acaso em Coqueiros, sinto prazer em observá-las planando, corajosas, contra o vento Sul, velho e vagabundo, como o definiu outro dia o poeta Cruz e Sousa.

Milan 4x2 Boca? Hahaha

Não vi, mas sequei em sonho os argentinos...

15/12/2007

Niemeyer, 100 anos

Uma dica de leitura sobre Oscar Niemeyer e seu centenário, comemorado hoje: texto de Arnaldo Neto de Oliveira Martins, pai da Jade, meu sogro, no DC Cultura. Redondo como os da filha. :)
ps. procurei um print no novo diario.com.br e não achei... :( Gente Máquina criativa No dia em que completa cem anos, Oscar Niemeyer é reverenciado por seu padrão estético insuperável ARNALDO NETO O. MARTINS* Oscar é um cidadão incomum. Nasceu no Rio de Janeiro e, com a humildade de seus cem anos, completados hoje, comanda, do último andar do Edifício Ypiranga, na Avenida Atlântica, em Copacabana, o mais respeitado escritório de arquitetura do planeta. São mais de 400 projetos, entre palácios, catedrais, mesquitas, monumentos, fábricas, escolas, prédios, museus, bibliotecas, residências, teatros, clubes, móveis, etc. Iniciou seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes, aos 23 anos, custou a se formar e teve um longo e desinteressado estágio no escritório do arquiteto Lúcio Costa. Sua grande chance veio com o projeto arquitetônico da sede do Ministério da Educação e Saúde, atual Palácio Capanema, encomendado, em 1936, pelo então ministro Gustavo Capanema ao renomado arquiteto franco-suíço Le Corbusier. Face à impossibilidade de Le Corbusier acompanhar o detalhamento do projeto, já que morava em Paris, foi constituída uma equipe com os melhores arquitetos brasileiros. Tudo no projeto original foi modificado pelo grupo, inclusive a localização do edifício. E para muito melhor. As grandes novidades estéticas partiram diretamente da prancheta de Niemeyer, que, naquele momento, iniciou uma metamorfose que, em poucos anos, transformou-o num dos maiores criadores de formas arquitetônicas inesquecíveis. Com a inauguração do prédio, em 1943, veio a maturidade profissional de Niemeyer, reconhecida por seus colegas de equipe e por ele próprio. Lúcio Costa acreditava, inclusive, que o encontro com Le Corbusier promoveu grande efeito sobre o projetar do brasileiro. Estava então acionado o gatilho da máquina criativa que habita Niemeyer. A reconhecida genialidade de sua obra está associada à estética da liberdade plástica da curva livre e sensual de sua arquitetura, moldada em concreto, e à sua capacidade profissional de renovação constante. É uma arquitetura que impõe e sustenta um padrão estético de modernidade internacional jamais superado por outros profissionais, cuja inspiração parte principalmente das formas sinuosas desenhadas pela generosa paisagem da orla carioca, incluindo as curvas femininas. Só Niemeyer supera Niemeyer e é sempre um agradável espanto quando isto acontece. A unidade e coerência de sua vida e obra são incomuns a cidadãos comuns. No princípio de sua carreira, ainda no escritório de arquitetura de Lúcio Costa, sem dinheiro, morando na casa do pai, foi-lhe encomendado o projeto de um prédio de apartamentos. A notícia bateu à porta antes dele próprio: "Ih! O Oscar pegou um projeto, vai fazer um edifício". Quando chegou, comunicou a recusa do projeto: "O sujeito quer botar telha. Eu não vou fazer um telhado que acho horrível." O pai respondeu: "Quando chegar a conta do açougueiro, você diz que não pode pagar por causa das telhas". Sem temer os paradoxos, compensou o pavor de avião desenhando aeroportos em Diamantina e nas Filipinas, além daquele de Brasília, que permaneceu no papel por motivos políticos. É ateu, mas projetou quatro igrejas católicas e uma ortodoxa, um templo do Reino de Deus, uma mesquita em Argel, um convento na França, a catedral de Brasília e capelas em casa de amigos. As colunas do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, foram elogiadas por Malraux, então ministro da Cultura na França, como as mais belas colunas depois das gregas. Estas mesmas colunas fazem parte do imaginário coletivo das gerações que vivenciaram o nascimento de Brasília e foram popularmente reproduzidas em escala mundial durante muitos anos em subúrbios de várias cidades. A grandeza do caráter humanista de Niemeyer é também rara. No decorrer de sua vida, tem dado demonstrações de desapego às coisas materiais e um grande apego às coisas do cidadão comum e à justiça social. É dele a seguinte frase: "Duas coisas guardo com satisfação. Uma é esse desinteresse pelo dinheiro, que mantive por toda a vida; a outra, minha vontade de ajudar as pessoas, ser-lhes útil". Quando da legalização do Partido Comunista Brasileiro, após o fim do Estado Novo, seu escritório estava instalado num sobrado herança de família, no Bairro da Lapa, Rio de Janeiro. Ele gostava muito da casa, principalmente porque lhe lembrava tempos em que, "ainda estudante do colégio Barnabita, por ali andava com os colegas". Já um comunista de carteirinha, entregou a Luiz Carlos Prestes, dirigente do Partido Comunista Brasileiro, as chaves do espaço que lhe trazia tantas lembranças. Ainda disse: "Fica com a casa. Sua tarefa é muito mais importante do que a minha". Niemeyer também lhe deu, bem mais tarde, um apartamento: "Com que satisfação comprei o apartamento de Luiz Carlos Prestes! Lembro que naquela época minha conta no banco estava curta e apressei o Acácio, seu secretário". Ele próprio morava em seu projeto favorito, a Casa das Canoas, construída em 1953, em São Conrado, nas encostas da Floresta da Tijuca. Após um devastador desabamento de terras, causado por uma enchente, deixou de habitá-la, freqüentando-a esporadicamente. Esta mesma casa, atualmente sede da Fundação Niemeyer, foi objeto de um desejo curioso. Em 1996, durante as enchentes de Verão, o arquiteto encarregou seu neto Kadu de pregar uma tabuleta na estrada de Canoas comunicando que a casa de Niemeyer aceitava desabrigados. Imediatamente, a sua única filha, Anna Maria, interveio: "Meu pai e meu filho só desistiram dessa maluquice porque eu ameacei chamar a polícia na hora em que aparecesse na porta o cartaz". Mais tarde, a dupla ainda quis usar a mesma casa como acampamento dos sem-teto. Quando era funcionário contratado da Novacap, órgão do governo federal responsável pela construção de Brasília, dedicou-se exclusivamente à criação de sua obra-prima, recebendo salário de funcionário público. Nesse período, precisou vender sua casa da Lagoa Rodrigo de Freitas, três apartamentos e seus dois adorados Cadillac. Kubitscheck, presidente da República à época, vendo as suas dificuldades financeiras, tratou de repassar-lhe "por fora" os projetos de duas sedes de bancos estatais para que fosse cobrada comissão. Niemeyer entregou os projetos a outros arquitetos, declarando-se moralmente impedido de aceitar o trabalho. JK ofereceu, então, um cartório à filha de Niemeyer, Anna Maria, mas ele fez com que ela recusasse. Anna Maria ainda ganhou um anel de brilhante, prontamente devolvido. Quando Joaquim Cardozo, engenheiro responsável pelos cálculos estruturais de grande parte de seus audaciosos projetos, ficou doente, precisando de tratamento psiquiátrico, foi Niemeyer quem arcou com todas as despesas, inclusive o avião fretado para levá-lo de volta a Recife, onde morreu, em 1978. Em 1990, aos 83 anos, novamente precisando de dinheiro, vendeu várias peças de sua coleção de artes: uma pintura e um móbile de Calder, um guache de Léger e quadros de Volpi e Di Cavalcanti. O velho motorista de Niemeyer, Amaro Paes Filho, que durante 40 anos dirigiu e acompanhou o patrão, é um dos poucos felizardos que mora em casa projetada pelo arquiteto. Onde? No Morro do Vidigal, na favela acima da Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro. Niemeyer ainda cedeu o dinheiro para a construção e subiu o morro algumas vezes para acompanhar o andamento das obras. Deu-lhe também um Opala, vendido para custear o casamento da filha, e um fusca para substituir o primeiro. Amaro emprestou as plantas feitas pelo arquiteto a outro morador da favela que tinha intenção de também construir a sua Niemeyer. E assim se perpetua a tradição socialista deste grande arquiteto e humanista que divide conosco muitos planos para o futuro. *Arquiteto

12/12/2007

Uma bela análise

De que forma o revolucionário EstanteVirtual pode estar prejudicando o mercado dos sebos de verdade? Pois confira, abaixo, um interessante artigo publicado hoje Portal Literal: Guerra dos sebos Como as centenas de sebos no Rio de Janeiro se preparam para o "metacanibalismo do e-commerce"? Partindo da trajetória de um personagem crucial na renovação desse mercado na cidade, o escritor e livreiro Raphael Vidal analisa as mudanças no negócio dos livros usados.

Nova edição de "Cenas de um casamento"

É isso aí. Marcos Espíndola deu na coluna dele ontem: a Editora Letras Brasileiras, em que trabalho como redator, vai reeditar Cenas de um casamento, de Ingmar Bergman, que saiu nos anos setenta pela Nórdica, do Rio de Janeiro. A nova edição tem tudo para ser uma tetéia... Aguardem.
Vibe A editora catarinense Letras Brasileiras planeja começar 2008 com um grande lançamento: Cenas de Um Casamento Sueco, obra literária máxima do cineasta Ingmar Bergman, que completaria 90 anos no próximo ano. Justa homenagem. A tradução do livro é de Jaime Bernardes. Que 2008 chegue logo.

10/12/2007

O melhor dos jornais no fim de semana

Longa, excelente e muito bem-vinda reportagem de Felipe Pereira na edição deste domingo do Diário Catarinense. Tomara que o jornal aposte cada vez mais em textos como o que o xará escreveu. Leia já!
Drogas Tribunal do tráfico A história de um crime hediondo revela como a Lei do Morro é usada para julgar e executar sem piedade em Florianópolis FELIPE PEREIRA Um silêncio sepulcral envolve o barraco no Morro do Mocotó, onde dois olheiros descansam. O maior, de 19 anos, está capotado no sofá, chapado de crack. Fabiano, 15 anos, ligado de cocaína, não consegue dormir. São os últimos momentos de tranqüilidade deles. Devem ser assassinados esta noite. Os dois foram condenados pelo tribunal do tráfico, um sistema paralelo e implacável de Justiça que regula a criminalidade da Capital ao menos desde 2000, ano em que um consórcio de traficantes passou a controlar os morros da cidade. Por volta da meia-noite, os carrascos entram no casebre para cumprir a sentença. Fabiano vê quatro homens começarem o ritual de tortura no olheiro que dorme no sofá. Ele é empurrado para o quarto ao lado a socos e pontapés. O som das pancadas, misturado aos gritos e súplicas, atravessa as paredes de madeira. O jovem é arrastado para fora do barraco inconsciente. Tem as mãos e braços imobilizados por uma fita adesiva. Nunca mais será visto, mas muito vai se falar a respeito dele. Continua aqui.

O melhor dos jornais no fim de semana 1

Crônica de Mario Pereira no caderno Donna/DC: Pipocas e emoções O amigo que volta de uma rápida visita à nossa velha terrinha me dá a terrível notícia assim de repente: "Já te contaram que o Cinema Carlos Gomes fechou?" Foi como se uma mão gelada penetrasse no meu peito e me torcesse o coração. Empalideço ao ser tão rudemente informado de que mais um pedaço dos meus melhores anos se foi, e que, de hoje em diante, também aquele vetusto e acolhedor cinema viverá apenas na minha e na lembrança de quantos outros o conheceram e amaram. Estou desolado. Quero saber mais. Consola-me um pouco - mas tão-só um pouco - ser informado que o belo prédio em estilo art déco, inaugurado no início dos anos 1930 bem em frente à veneranda Igreja do Rosário, não será demolido para dar espaço a um desses abomináveis espigões de escritórios. A fachada será mantida, mas o interior, transformado em uma loja de roupas. Continua aqui.

O melhor dos jornais no fim de semana 2

No Estadão de domingo, entrevista com Eugenio Bucci sobre a TV Brasil: Um dos principais focos do debate em torno da nova emissora pública é o temor do controle e da manipulação do conteúdo. Quando alguém fala no risco de manipulação ou de uso político da comunicação pública no Brasil, eu digo que isso não é um risco, mas a regra. Sempre aconteceu. Tradicionalmente, as instituições públicas de radiodifusão são uma espécie de reserva ecológica do patrimonialismo. Um patrimonialismo simbólico, porque os governantes não se apropriam das coisas que estão lá, mas fazem com que elas trabalhem pela sua promoção pessoal. Quando comecei a tomar contato com esses lugares, percebi a existência de uma enorme quantidade de gente contratada sem concurso, por causa de afinidades políticas, não por competência.
A íntegra, aqui.

O melhor dos jornais no fim de semana 3

Da coluna Direto da fonte, de Sonia Racy, no Estadão de sábado:

06/12/2007

Uma noite agradável e uma biblioteca maior

O ex-chefe e um colega da época do jornal, o pessoal da pós, um grupo de jornalistas amigos, um velho camarada do jardim-de-infância cuja amizade foi "retomada" há alguns meses. Uma boa turma boa aceitou o convite meu e da Jade para tomar uns chopes e comer comida de botequim ontem à noite, em comemoração ao meu aniversário. A mesa, reservada para dez, comportou 14 sem problemas, e todos beberam, comeram, conversaram e riram como se deve. Conforme crescia a pilha de bolachas de chope, crescia também a pilha de livros, juntando-se aos recebidos em outras comemorações ao longo da tarde. E ganhei ainda vinho tinto fino e chocolate de Gramado! Bom demais. Abaixo, o extrato literário do dia...

04/12/2007

Dois textos: o Prozac e o Bahia

Caderno Aliás, do Estadão de domingo, está uma coisa... Seguem abaixo dois textos da edição, o da capa, sobre o Prozac e o terror publicitário da indústria farmacêutica, e o da contracapa, com relatos de três heróis do Bahia que estavam na Fonte Nova quando parte da arquibancada ruiu. Excelentes, imperdíveis e instrutivos. Leia já! Ilusões e desacertos da era Prozac Vinte anos depois de lançado o remédio, livros discutem como as farmacêuticas transformaram qualquer pequena tristeza em depressão Frederick C. Crews/The New York Times No verão de 2002, Oprah Winfrey recebeu em seu programa a visita de Ricky Williams, estrela máxima do time de futebol americano Miami Dolphins. Williams estava lá para confessar que sofria de uma timidez dolorosa e crônica. Oprah e seu público reagiram com simpatia. Se ele, que em campo foi tudo menos tímido, na vida particular era um bicho do mato. Quantos outros cidadãos anônimos não diriam o mesmo se conseguissem vencer suas inibições o suficiente para confessá-las? Expor a própria timidez àquele público imenso, é razoável supor, era prova de uma certa segurança a respeito de si mesmo. Mas quem acompanha o futebol americano sabia que Williams não era um sujeito volúvel. E lá estava ele perante as câmeras, obviamente arriscando-se a um ataque de ansiedade, e tudo em nome do bem comum: encorajar aqueles que sofrem do mesmo mal a saírem do armário, buscar apoio e expressar a esperança de que a cura está para ser descoberta. Pouco do que vemos na televisão é o que parece. Williams tinha um incentivo - aquele habitual nos EUA, o dinheiro - para vencer sua timidez extrema naquele momento. A companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, através de sua empresa de relações públicas, Cohn & Wolfe, o pagou uma soma ainda não revelada não para incentivar o uso do anti-depressivo Paxil (no Brasil, Aropax, do mesmo laboratório) mas para declarar, a Oprah e à imprensa, ‘que sempre fui muito tímido’. Para compreender por que a idéia pareceu boa, é preciso antes saber que a maior parte do lucro da indústria farmacêutica depende de uns poucos remédios para os quais sempre se busca novos usos. Se tais novos usos não surgem por meio de experimentos, recorre-se à publicidade de certos males - ou seja, a convencer as massas de que alguns de seus estados de ânimo são, na verdade, doenças que requerem tratamento. O objetivo é criar demanda espontânea pela cura milagrosa que a empresa pode oferecer. Continua aqui. Fonte de amores e dores Trinca de ouro do Bahia viveu seu auge na Fonte Nova. Eles estavam lá quando a arquibancada caiu Mônica Manir “EU QUERO VER BEIJOCA BOLA JOGAR” Da tribuna, Beijoca não viu nada da tragédia. Tinha a organizada da Bamor pulando na arquibancada do lado de lá. Quando isso acontecia, o chão trepidava, mas era de costume. Como era de costume o Bahia levar 60 mil fanáticos à Fonte Nova, 80 mil, 100 mil, fosse na série A, fosse na série C. O jogo em questão valia classificação para a B, e o missionário Beijoca orava pela ascensão do time. Zero a zero contra o Vila Nova de Goiás era um resultado dos diabos, mas bastava para o esquadrão se firmar com uma rodada de antecedência. Apito final, Beijoca sai carregado pela torcida à volta. Chorou, louvou a Deus e correu para o vestiário encontrar a equipe, da qual é uma espécie de consultor. Meia hora depois soube que torcedores haviam despencado de uma altura de 15 metros por uma enorme fenda na arquibancada, perto de onde ele deixara a mulher e os dois filhos vendo o jogo. Suou frio. O celular não pegava. Irmãos em Cristo saíram à procura da família dele, até que Dnair, Victor Lázaro e Maria Marta apareceram no vestiário. Continua aqui.

03/12/2007

Nanopinião 25

Olympia, de Fausto Wolff - Editora Leitura Finalmente a nanopinião 25... Desde setembro não saía uma! Então faça o teste: a bomba se anuncia a cada página deste Olympia, novo romance de Fausto Wolff. Comigo, começou muito mal, piorou aos poucos e só a custo não larguei pela metade. Como são quase quinhentas páginas, já me sentia um bobo pela duzentos. São duas histórias, um capítulo para cada uma, que vão se entrelaçando aos poucos. A primeira se passa em Olympia, numa dimensão paralela, em que vive o casal Barroso e Marileusa. A mulher um dia cria um planeta com as fezes de Deus, e esse planeta se chama Terra. A outra história é a de sempre: Joel é um jornalista de ascendência européia que vive no Rio de Janeiro, a cantar a Internacional e resmungar nostálgico sobre a sociedade brasileira que um dia teve cultura, jornalismo de verdade e políticos decentes. Enfim, a segunda história os leitores fiéis de Fausto conhecem bem, e gostam, mesmo que repetida, às vezes com as mesmas palavras, como se parágrafos de sua obra apenas mudassem de livro. Acontece que a primeira história é muito chata. Em certo momento, passei apenas a tolerá-la, sempre ávido para chegar ao capítulo seguinte... Para piorar tudo, a Editora Leitura, que lançou este Olympia e relançou todos os romances do Fausto, não editou direito o texto. Chega a incomodar a quantidade de erros de pontuação, digitação etc. Por outro lado, foi utilizada uma técnica interessante na diagramação, porque o texto não é hifenizado, e desconfio que isso ajuda bastante a leitura. Bom, acontece que todo livro tem seu fim, e Olympia é, penso, um caso extraordinário em que o fim conserta o meio e a abertura. Pois terminei de lê-lo com satisfação. E gostei. Essa é a verdade. Mas se você não leu nada do homem ainda, comece por À mão esquerda, esse sim um livraço.

02/12/2007

Obrigado, Mano!

Abaixo, Mano Menezes, ex-técnico do Grêmio, na partida contra o Corinthians, na tarde de hoje, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. Com cara de gremista mau, até na despedida. Campanha de Mano: 169 jogos, 89 vitórias, 35 empates e 45 derrotas Campeão Série B 2005 Bicampeão Gaúcho 2006/2007 Vice-campeão da América 2007 3° lugar no Campeonato Brasileiro 2006 6º lugar no Campeonato Brasileiro 2007

01/12/2007

A verdade sobre o casamento

Bebel e Felipe Wolff casam-se hoje à noite. Mas a verdade é que ninguém nunca engoliu ter sido ela, Bebel, a pegar o buquê que a Jade jogou no nosso casamento, em abril de 2006. Afinal, as duas são amigas desde os 2 anos de idade e têm uma amizade que vai fazer bodas de prata em março. Eu, bom jornalista, passei um ano investigando as circunstâncias da possível armação. Entrevistei os envolvidos, apurei detalhes, chequei informações etc. Nesta e nas duas postagens abaixo, segue uma versão bem-humorada de toda a verdade. De qualquer forma, felicidades ao novo casal.

A verdade sobre o casamento 2

A verdade sobre o casamento (final)

29/11/2007

Fiasco

Trechos da matéria do Globo Online sobre o lançamento, ontem à noite, do livro de Mônica Veloso. Texto completo, aqui. (Nem sempre toda a mídia do mundo ajuda...) 'O poder que seduz' Mônica Veloso lança livro em SP e diz que posar para Playboy lhe deu voz na sociedade Publicada em 29/11/2007 às 01h11m Márcia Abos, O Globo online (...) Mônica chegou ao local em uma Eco Sport preta e desceu do carro como uma celebridade, sorrindo para os fotógrafos. Vestia um longo verde bandeira, emprestado pelo estilista Arthur Calimam. O visual era complementado por brincos de ouro branco e brilhantes de R$ 60 mil e um anel dos mesmos materiais, avaliado em R$ 70 mil. Quem emprestou as jóias a Mônica foi a designer Rosana Chinche, que criou uma linha de dez peças inspiradas na jornalista. (...) O dono do restaurante, inaugurado há cinco meses na Rua Amauri, explicou que só aceitou sediar a noite de autógrafos de Mônica nos dias de menor movimento (segunda, terça ou quarta-feira). Disse também que exigiu que o restaurante mantivesse as portas abertas, recebendo fregueses normalmente durante a noite de autógrafos. (...) Não se formou um fila para autógrafos. De tempos em tempos, alguém interrompia o cerco de jornalistas e fotógrafos com um exemplar do livro em busca de uma dedicatória. Familiares e amigos de Mônica não estiveram presentes. Na lista de convidados, nenhum político ou celebridades de primeira linha.

27/11/2007

Mônica Veloso, inculta e bela

Mônica Bergamo divulgou trechos do livro de Mônica Veloso, O poder que seduz, que sai amanhã. A jornalista, virtuosa da noite para o dia, é ruim de texto. Muito ruim. Luis Nassif, em seu blog, identificou: 25/11/07 21:40 A frase do ano "Carregava no ventre o resultado do meu amor". Da escritora Mônica Veloso.
É mesmo uma baita frase, não? Leia esta, então:
"No mundo pode haver milhões de rosas, mas para o Renan eu era uma rosa única, que ele tratava com devoção comovente".
Ou esta:
"Amei com a alma, com tudo que há de mais puro no meu ser".
Conheço muito testemunho de orkut melhor que isso.

O protesto do patrono

Ler editoriais, experdientes, cartas e seções de "erramos" é um vício meu. A edição de hoje do Diário Catarinense traz um protesto do patrono da crônica catarinense, Sérgio da Costa Ramos, à matéria sobre o lançamento de seu livro* publicada ontem na capa do Variedades. Houve, certamente, um curto-circuito entre a boa intenção e o resultado. Lição para todos. Leia abaixo:
Não tenho medo de ouvir minha consciência, nem de expor meu pensamento. Mas nunca me auto-entrevistei. A matéria assim apresentada em Variedades, no DC de ontem, reproduz entrevista que dei à turma de um Colégio da Capital, como tantas que os escritores concedem. Respondi-a por e-mail. E enviei-a ao jornal para que temas como "leituras", "crônicas", "fontes de inspiração", "livros lidos e publicados" servissem de subsídio para matéria sobre meu novo livro. Jamais pedi que a reproduzissem como entrevista de perguntas e respostas. Sérgio da Costa Ramos Escritor - Florianópolis
*o lançamento foi ótimo. SCR ficou pelo menos duas horas e meia sentado, autografando, com o hipnótico quadro de Vera Sabino que ilustra a capa de Costela de Adão pendurado na parede às suas costas. quando eu e Jade chegamos, às 20h e pouco, umas vinte pessoas formavam a fila, que cresceria para 30 em pouco tempo e se manteria com essa extensão pelo resto da noite.

26/11/2007

Uma revista que muda tudo

Algo muito, muito, muito importante ocorreu no segmento de jornais diários do jornalismo brasileiro com o lançamento, ontem, da revista Grandes Reportagens de O Estado de S. Paulo. A revista é de primeira, com textos, fotos, quadros e infográficos que abordam todos os assuntos imagináveis relacionados à Amazônia, tema do especial - da economia aos livros. Foram três meses de expedição. Há até um poema de Milton Hatoum, inspirado em Carlos Drummond de Andrade... Criaram o caderno? Agora terão de repetir com algum freqüência, se não os assinantes irão reclamar, hehe. Confira o site da revista, com fotos, vídeos, mapas, textos, fórum de discussão etc., aqui.

Hoje!

DVDteca

24/11/2007

"Mais bem" é melhor...

Milton Michida/Diulgação Texto da Folha de S. Paulo:
"O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou ontem o Congresso Nacional do PSDB, em Brasília, afirmando que quer ´brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria`. O ex-presidente cometeu um erro de português. Especialistas consideram que, de acordo com a norma culta da língua, o correto seria ter dito ´brasileiros mais bem educados`."
 
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