As penas do ofício, de Sérgio Augusto - Agir
Com o subtítulo de "Ensaios de jornalismo cultural", o livro reúne crônicas (artigos?) publicadas nas revistas Bravo! e no encarte Bravo! Livros entre 2001 e 2005. É uma "continuação" de Lado B, editado pela Record em 2001. Os dois contêm textos excelentes, sobre livros, música, cinema, televisão... Sérgio Augusto escreve bem demais, e é um feroz crítico cultural. Às vezes as críticas se repetem, e, lidas em sequência, pode parecer que o conjunto seja borrecido - a indústria cultural e do entretenimento é em geral ruim, desprezível e quem gosta do que é produzido por ela só pode ser débil mental. Mas as tiradas bem humoradas, o vocabulário rico e o incrível, inesgotável e frutífero cabedal de informações do autor (obrigo-me ao uso do clichê: sua cultura é oceânica) desentortam qualquer ranhetice encontrada aqui e ali. Além disso, como afirma Francisco José Viegas em trecho elogioso ao livro e ao autor estampado na contracapa, é impossível ler os artigos do jornalista sem recolher "uma referência bibliográfica" que não conhecíamos. Por exemplo: Em liberdade (Paz e terra, 1981), livro de Silviano Santiago fazendo-se passar por Graciliano Ramos, que teria escrito um diário detalhando o que fizera nos 73 dias após ter saído da prisão. Nem no Estante Virtual encontrei o dito cujo. Outra bagagem que passamos a carregar após ler um farto conjunto de crônicas de Sérgio Augusto são as citações a que ele recorre sempre. Catei duas, geniais:
"Errar é humano, mas morar em São Paulo só pode ser coisa de brasileiro", de Ivan Lessa, e "Olha só quanta gente feia existe no mundo. É por isso que nós, artistas de cinema, ganhamos tão bem", de Marlene Dietrich à sua filha numa lotada sala de espera de aeroporto.
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