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23/02/2008

Crônica de Verão 10 - Diário Catarinense!

Texto da Revista de Verão do DC da semana passada, postado hoje, com atraso. Leia a crônica 9. Leia a crônica 8. Leia a crônica 7. Leia a crônica 6. Leia a crônica 5. Leia a crônica 4. Leia a crônica 3. Leia a crônica 2. Leia a crônica 1!

15/02/2008

Crônica de Verão 9 - Diário Catarinense!

Texto da Revista de Verão do DC de hoje! Leia a crônica 8. Leia a crônica 7. Leia a crônica 6. Leia a crônica 5. Leia a crônica 4. Leia a crônica 3. Leia a crônica 2. Leia a crônica 1!

Crônica de Verão 8 - Diário Catarinense!

Texto da Revista de Verão do DC da semana passada, postado hoje, com atraso. Acima, a crônica da edição de hoje. Leia a crônica 7. Leia a crônica 6. Leia a crônica 5. Leia a crônica 4. Leia a crônica 3. Leia a crônica 2. Leia a crônica 1!

01/02/2008

Crônica de Verão 7 - Diário Catarinense!

Texto da Revista de Verão de hoje do DC. Que bom que o sol voltou, e o povão ao Mercado Público... Sunset bom é o do mercado Hão de me desculpar os promoters, os donos de boates e bares de praia, os contrabandistas de celebridades, os fotógrafos biscateiros, os músicos que animam a noite, os DJs que por aqui aportam (todo dia há um melhor do mundo novo), os "baladeiros" que não se incomodam com o barulho e o empurra-empurra, os garçons que ganham boas gorjetas de gente que tem bastante dinheiro para distribuir, as empresas que prestam serviços de som e imagem, os empresários que se dedicam a pensar e promover festas, os seguranças privados que eventualmente são contratados para segurar a boiada, os designers que desenham flyers e folhetos maneiros, lindíssimos, anunciando todo o trabalho dessa turma nas festanças de arromba que ocorrem quase todos os dias em praias e balneários de Santa Catarina. Há de me desculpar toda essa gente, mas não há sunset party que bata, supere, sequer se equipare ao bate-papo durante o pôr-do-sol no Mercado Público de Florianópolis. Se na sua casa de praia falta água ou energia. Se a Casan por acaso o multou por lavar o carro, "desperdiçando" na praia a água que você pagou o ano inteiro sem utilizar. Se a mosquitada não lhe dá descanso à noite, se no supermercado não há flit em quantidade suficiente. Se você tomou um baita caldo de onda traiçoeira na Joaquina, se as águas tristonhas de Daniela já lhe enfararam. Se você teve de ouvir três vezes seguidas o CD de 96 músicas mp3 numa fila na SC-401. Se o seu time não contratou um único e escasso reforço digno de adjetivos positivos para o início da temporada. Se você tentou jantar fora e não conseguiu. Se alguém na praia já lhe chutou areia na cara. Se o sujeito que vende queijo coalho insiste em lhe oferecer a borracha chamuscada. Se a sua namorada, Deus do céu, deu-lhe um pé na bunda e foi atrás de um surfista. Se as suas férias passaram num ai e você já voltou a trabalhar... Bom, então você precisa ver o sol cair sentado numa das mesinhas da área externa do Mercado Público. Quem está trabalhando diariamente aproveita melhor, até. Porque depois de ralar o dia inteiro, ter a camisa empapada com o suor dos justos, a cabeça carregada com as preocupações do serviço e da família, pouco dinheiro no bolso e nenhum relógio no pulso, o pôr-do-sol no Mercado Público é a panacéia. Lá está a cidade, pulsa a cidade, bebe e come quem é e está na cidade. O pastel de berbigão preparado na hora, o filé de sardinha frito em óleo renovado. O chope com dois dedos de colarinho, a caipirinha com açúcar na medida exata (mais embriagante do que engordativo). E, em volta, uma gente sem pose ou firula, conversando, bebendo e comendo enquanto o sol cai lá pros lados do Continente. Periga ainda de você olhar para o lado e descobrir a figura afável do seu Chico Amante, um nativo da melhor cepa, autor da série Somos todos manezinhos e do quase filosófico Ser manezinho. O papo com ele é variado e de primeira: do cenário político da cidade a causos ilhéus de tirar o fôlego. O mesmo ocorrerá se você topar com Luiz Armando Wolff. Representante da tchurma do Lira Tênis Clube, ele próprio um personagem do livro de Amante, poderá lhe contar, com a sua voz de crooner aposentado, mas ainda elegante, a incrível história de quando João Gilberto esteve por aqui para um show e, vaiado, varou a noite pelos bares do Centro carregando o seu violão cheio de bossa. Entre a gente, feito um qualquer. Como é no Mercado, como tem de ser sempre.

27/01/2008

Crônica de Verão 6 - Diário Catarinense!

Texto da Revista de Verão do DC da semana passada, postada hoje, com atraso. Sexta-feira tem outra! Leia a crônica 5. Leia a crônica 4. Leia a crônica 3. Leia a crônica 2. Leia a crônica 1!

19/01/2008

Crônica de Verão 5 - Diário Catarinense!

Texto de ontem na Revista de Verão do DC! Visite ainda o Tostadinho, blog produzido pelos jornalistas e editores da revista. Leia a crônica 4. Leia a crônica 3. Leia a crônica 2. Leia a crônica 1!

12/01/2008

Crônica de Verão 4 - Diário Catarinense!

Texto de ontem na Revista de Verão do DC! Visite também o Tostadinho, blog da equipe hospedado no site do jornal. Leia a crônica 3. Leia a crônica 2. Leia a crônica 1!

04/01/2008

Crônica de Verão 3 - Diário Catarinense

Texto desta sexta-feira na Revista de Verão do DC! Visite também o Tostadinho, blog da galera que faz a revista... Leia a crônica 1. Leia a crônica 2!

29/12/2007

Crônica de Verão 2 - Diário Catarinense

Na Revista de Verão do DC, hoje: Sei bem como é Lá por setembro, o filho pede a chave da casa de praia para comemorar, com um churrasco, o seu aniversário entre amigos. Os pais emprestam, claro, que há de mais nisso? Em outubro, é o outro filho quem faz o mesmo pedido, mas apenas por um fim de semana, para descansar com a namorada das "atribulações do trabalho", do "estresse da vida atual" e mais umas desculpas quaisquer para poder dormir a sós com a garota. Como o ano ainda está longe de acabar, os pais compreendem o primogênito, emprestam a casa e fica tudo bem. Chega novembro, e aí é o marido quem olha a mulher um dia, durante um almoço, e diz: - Nossa vez, querida. Os pais então pegam o carro num sábado pela manhã, sem muito ânimo, é verdade, e partem para a casa de praia. Não há trânsito na rodovia, chegam em menos de meia hora. À primeira vista, o desânimo é inevitável. O homem abre o portão e percebe que a grama bate quase na metade do muro, o mato tomou conta de boa parte do quintal, a pitangueira morre a olhos vistos, a brita está suja de barro e lama, tijolos quebrados espalham-se pelo chão da garagem, alguém usou o tanque do deque para limpar peixes há muito tempo e há dias o mosquedo se diverte com as sobras e escamas. De relance, o pai olha para o telhado: a antena continua de pé, mas umas telhas acabaram deslocadas, certamente pelo bravo vento Sul. A cada passo, outras descobertas. A mulher abre a porta da sala e se dirige à cozinha, porque é lá que mora o seu problema maior. Os filhos deixaram uma baita quantidade de louça suja na pia: pratos e travessas, copos de cerveja, uma infinidade de latinhas. Os sacos de lixo estão cheio e fedorentos. Na sala, ela se certifica de que uma grossa camada de pó cobre os móveis, os vidros estão embaçados de maresia. Enquanto isso, o pai caminha em volta da casa para conferir se o poço da bomba dágua continua tampado. Tudo ok. O problema é que a veneziana do quarto de casal está quebrada, talvez por arte de algum ladrão amador. Quando pai e mãe se encontram de novo, o olhar é o mesmo do ano anterior: há tanto a fazer... Um ou dois sábados depois, quando os filhos ainda estão dormindo, eles saem cedinho de volta para a casa de praia. Desta vez, levam no carro pá, tesoura e máquina de cortar grama, pincéis e tintas e latas de selante, muitos baldes, panos de prato, toalhas de banho e de rosto, detergente e umas três pedras de sabão, lixas, uma fornida caixa de ferramentas, solvente, água sanitária e mais uma dezena de produtos químicos de limpeza. E os pijamas e uma muda de roupa para o domingo, pois vão prontos para pernoitar. Afinal, é preciso retomar o controle da casa. Ao chegarem, com método e experiência abrem a casa toda à luz do sol e à força do vento. A mulher varre cada cômodo e expulsa a areia que, meses a fio, passou por entre frestas e gretas, infiltrou-se com a maresia e ocupou o lar. Lava-se o chão e a louça, conserta-se a janela estragada, arranca-se o mato da grama aparada, testa-se a água (e se faltar, meu Deus!) e, no fim do dia, um banho de mar premia o casal. No dia seguinte, a trabalheira segue. Trocar os cadeados carcomidos pela ferrugem. Podar a pitangueira. Subir ao sótão, revirá-lo atrás das malditas telhas de reserva, trepar no telhado e trocar as quebradas. Arrumar um ou outro bode de fiação. Depois disso tudo, ainda visitará a casa a heróica faxineira da família... O pior é fazer isso tudo e chegar à conclusão de que é preciso alugar a casa aos turistas argentinos ou gaúchos ou paulistas e faturar um dinheiro que tornará o ano seguinte menos pesado financeiramente! Assim é o fim de ano de quem tem casa de praia numa cidade em que meio mundo quer passar as férias.

22/12/2007

Crônica de Verão 1 - Diário Catarinense

O blog entra em recesso até pouco antes da virada do ano, quando publicarei a lista de leituras de 2007, indicando os cinco melhores livros do ano. Abaixo, a coluna de ontem da Revista de Verão do Diário Catarinense, que sai às sextas no papel, encartada no jornal, e sábado no 1 crônica por dia. Visite também o Tostadinho, blog da equipe da revista. Boas festas a todos que põem os olhos aqui de vez em quando. Tudo de bom para a gente!

09/03/2007

Última Crônica de Verão / Diário Catarinense

Uma história da despedida A despedida nasceu há muitos Verões. Dizem que o primeiro a olhar para os outros e dizer "bye, bye" foi o bravo Jesus, dependurado na cruz de madeira. Mas há certos estudiosos que garantem que o "adeus" inaugural da humanidade foi dito por um filósofo grego hoje desconhecido, mas então muito famoso, chamado Sefui – amigo fiel de Heródoto. Defendem esses helenistas que Sefui, num dia quente de Verão, depois de beber muita água, reuniu alguns conhecidos na beira da praia (inclusive o efebo Laskeime, muito tristonho com a partida do mestre), despediu-se e se jogou ao mar, vindo a morrer sabe-se lá quando, como ermitão numa ilha grega. Mas a História é uma Caixa de Pandora: sai tanta coisa dela que os historiadores não conseguem se decidir, chegar a conclusões definitivas, às vezes nem coerentes. Tudo nesse campo é movediço, incerto e inconstante. Veja se não: há uma certa escola historiográfica que simplesmente despreza a despedida como tema de estudo, considera o ato de dar tchau ao outro uma bobagem sem tamanho, que não merece a mínima atenção. Um representante dessa facção chegou a declarar: "O homem foi à Lua, e ainda não nos livramos do 'adeus'", no que foi ignorado pela mídia e pelo mundo acadêmico. Outra turma, porém – e é dessa que eu gosto, aliás –, defende com firmeza a leitura de pergaminhos, correspondências, hieróglifos, documentos e bilhetinhos da antiguidade para entender a fundo o ato de dizer "falou, cambada" e mais: identificar a época exata em que esse costume se tornou universal entre os homens de todas as partes. Há, por exemplo, uma teoria elaborada por essa panelinha que dá conta de uma conjunção extraordinária de fatores para explicar o surgimento do "inté". É tão complicada – envolve quase todas as ciências – que até hoje ninguém conseguiu explicá-la com clareza. Existe ainda um texto que trata de um suposto conciliábulo ocorrido à luz de archotes em alguma caverna da Europa, já durante a Idade Média, em que um grupo de filólogos e etimológicos decidiu formar uma confraria com o intuito de dar fim à palavra "adeus" dos dicionários de todos os idiomas. Diz-se à boca pequena nos corredores das principais universidades, naqueles intervalos em que não se debate O Código Da Vinci, que essa seita estendeu tentáculos em todas as áreas e hoje manda e desmanda em Wall Street e na OPEP. Mas, para mim, a patacoada mais divertida que os historiadores inventaram até hoje é outra. Segundo a lenda, o primeiro "até logo" da saga humana foi ouvido ainda nos tempos da Idade das Pedras. No início de um Verão inclemente, o macaco cabeludo olhou de lado para a esposa, olhou para a floresta que se estendia aos seus pés (a caverna ficava num morro alto), coçou as suas grandes partes baixas e anunciou: – Está muito quente, mulher. Vou para o litoral. Só volto no Inverno. Adeus. ps. O meu amigo Douglas Vianna anda melancólico. Ele, que de dezembro até a semana passada vivia alegre, agora resmunga: "Começou esse triste intervalo entre o Carnaval e o Reveillon". Pois é, acabou. Que dizer? Adeus.

02/03/2007

Crônica de Verão 11 / Diário Catarinense

Está chegando a hora... Com o fim do Verão, até as conversas tornam-se mais francas e realistas. Afinal, foi-se o Carnaval, vem aí 2007. Acompanhe a conversa desses dois amigos, um de 45 e outro de 32 anos. Eu estava presente, e foi num bar de praia: – Rapaz, você é jovem, acho que não vai compreender o meu drama. – Jovem? Com quase quarenta? Tá bom... – Rá, quem me dera rejuvenescer até os quarenta... – Mas o que é que está incomodando? – Um negócio cruel, não encontro outra palavra. Imagine que dentro de uma semana um homem vestido todo de branco vai mexer nas minhas partes mais íntimas... – ??? – É isso mesmo. Farei exame de próstata na semana que vem, meu rapaz. Estou na idade. Agora você percebe o quanto dez anos a menos faz bem... – Caraca, nem me fale. Não gosto nem de pensar que um dia farei isso. Acho que você fez bem em deixar o Verão terminar... – Pois saiba que eu não sei se fiz certo. Vou explicar: marquei o exame em dezembro do ano passado e, de tão nervoso, quase não aproveitei a praia. Eu dava um mergulho e sentia uma fisgada... – No peito? – Quem dera... – Ih... Eu não gosto nem de pensar... E quando chegar a minha vez? – Viu só? Prepare-se, porque eu pesquisei em todo canto: não há uma única mulher na cidade que faça esse exame! Só homens! – Não acredito. Mais essa... – E você aí despreocupado... – Que coisa humilhante. Continuo achando que você fez certo de não fazer o exame no Verão. Eu até deixava para o inverno... – Humilhante, essa é a palavra. E na semana que vem, lá vou eu... Então a dupla virou-se para mim e o mais velho perguntou: – E você, cronista, o que acha desse nosso papo? És ainda mais jovem do que o colega aqui, então não deves estar dando bola para isso, hein? – Você tem razão. O que posso dizer? A minha sorte é que eu sou cronista e não urologista. Pior do que ser submetido a este exame é ter de ganhar a vida aplicando-o nos outros. Não me espanta que não haja mulheres dispostas a isso... Os dois chamaram o garçom e pediram a conta.

23/02/2007

Crônica de Verão 10 / Diário Catarinense

Chuva na praia A chuva começou no fim da manhã. A areia da praia primeiro desprendeu aroma, depois mudou de cor, por fim enrijeceu. Era uma chuva forte, que ensaiava cair desde muito antes de quando precipitou de fato – o que fez a maioria dos banhistas recolher seus pertences, chamar familiares, reunir todo mundo e dar no pé antes do toró. Eu fiquei; de dentro da água queria assistir a todo mundo ir embora e a praia ficar livre, ser só minha. Por isso, quando o vento virou de repente, eu vibrei; quando o tempo fechou de vez, eu sorri. Acompanhar uma tempestade chegar, de dentro da água, não é recomendável a ninguém, posto que arriscado, perigoso. Mas que é bonito, é. E faz pensar. "O Verão vai terminando, o Carnaval já passou, quem sabe não são as águas de março que, antes do tempo, caem pesadas sobre a minha cabeça? Tom Jobim, lá se vão dez anos sem ti... De qualquer forma, isso tudo deve ter alguma coisa a ver com o aquecimento global, esse fenômeno mau que nós, seres humanos de agora, engendramos para a geração de nossos netos. Já estaremos noutra quando Florianópolis submergir e só restar as torres de uma Ponte Hercílio Luz (quiçá restaurada) para fora do oceano Atlântico. Os florianopolitanos, quem diria, viverão todos em Biguaçu, ó grande Salim Miguel!" É claro que eu não cogitava esse tipo de pensamento meio funesto enquanto observava, entre um mergulho e outro, aquela multidão de banhistas fugir da chuva. O que eu pensava, creio, não interessa ao leitor. Mas como é mister do cronista matutar em voz alta, não posso deixar de reconhecer que eu dizia comigo mesmo algumas dessas verdades em que às vezes só a gente acredita, por só existirem na nossa cabeça, alheias em tudo à realidade concreta que nos rodeia. O que não é ruim, como pode parecer aos mais racionais: por algum mistério, o cronista é o único idealista sensato.
Está mesmo na hora de ir embora, cambada. Grande parte de vocês passou aqui dezembro, muitos enfiaram pela estrada de janeiro após vencer a curva do Ano Novo. Fevereiro chegou, o calor persistiu, os transatlânticos por aqui aportaram, os turistas aproveitaram, você conheceu uma pessoa bacana, fez amigos, teve um romance de verão – sempre furtivo, descompromissado –, pulou e dançou, queimou-se mais do que devia, tomou banho de mar à vontade, esqueceu o trabalho, o patrão, compromissos, viu que Florianópolis é um lugar lindo apesar do nome, conseguiu a muito custo comprar uma camiseta da Feijoada do Cacau, bailou fantasiado no Ilha em Gala, curtiu os desfiles dos blocos de sujo, das escolas de samba, riu à beca no Pop Gay... O diabo é que depois disso tudo, cambada, o ano começa mesmo. Então é chegada a hora de voltar. Uns para a cidade onde moram, outros para a rotina diária local.
Para os primeiros, boa viagem; para os segundos, boa sorte.

16/02/2007

Crônica de Verão 9 / Diário Catarinense

O segredo do Tio Jorge Tio Jorge era uma mina de bons predicados. Um bom pai, sem dúvida. Trabalhador responsável. Não tinha o vício do jogo, nem o gosto pela bebida. Poupava dinheiro, amava a mulher, cuidava dos filhos. Jamais flertara fora do casamento, nunca lhe passara pela cabeça dar um desfalque na empresa. Tinha zelo pelas suas coisas, lavava ele mesmo o carro, vivia sem luxos e lia pelo menos 30 livros por ano. Além de virtuoso, pregador: fazia discursos emocionados aos parentes, na tentativa de que eles o tomassem por rumo e Norte e seguissem seus passos pela vida afora. Era, enfim, sério e probo, consciencioso e correto sempre. Uma antologia de virtudes. – Tio Jorge é um chato de galochas, isso sim - dizia o Julinho, afilhado do Tio Jorge, reclamando que o padrinho não o acompanhava numa partida de videogame. Mas não era apenas o sobrinho mais chegado que via defeitos no Tio Jorge. Havia um comportamento, uma idiossincrasia do Tio Jorge que aborrecia não só o pequeno vidrado em jogos eletrônicos, mas todos os familiares. Eis o motivo: Tio Jorge não entrava no mar, simplesmente porque não confiava nele. Nascido em Florianópolis, um manezinho assim com o sotaque à Guga Kuerten, Tio Jorge recusou-se por toda a vida a colocar um pé dentro da água salgada do Atlântico. E era dono de uma bela casa de praia em Jurerê (o Internacional do nome veio depois) desde o fim dos anos 1980. – Quando a turma foi, eu já tava, não tem? - dizia ele, garboso. Até tentara, ainda pequeno, tomar banho como qualquer outra pessoa. Eram os anos (vejam vocês, turistas, como o tempo passa e as coisas mudam) em que as praias mais badaladas eram as de Coqueiros e Estreito, bairros populosos de Florianópolis localizados no continente! Foi uma vez, duas, tornou a ir, repetiu a dose. Falhou em todas. Não era medo, não era desespero, nojo, nada. Simplesmente, como já escrevi, não confiava. A correnteza, as águas vivas, as areias negras e as areias finas, os barcos, os guarda-sóis, os protetores solares, as algas verdes e escuras, o vento Sul ("Velho vento vagabundo!" – gostava de declamar Cruz e Sousa), tudo lhe despertava desconfiança. – Esse menino tá é muito afeminado – dizia, à época, o pai do Tio Jorge, Seu Pedro, conhecido na região central da cidade como Pedrão, gaúcho barbaridade que encontrara aqui na Ilha de Santa Catarina o amor e o sustento. Passou o tempo. Seu Pedro, a mãe, os cinco irmãos, os colegas, os professores, a vizinhança, enfim, o mundo inteiro desistiu de fazer Jorge ir à praia. Jorge estudou, cresceu, trabalhou com afinco e virou, claro, Tio Jorge, uma coletânea de qualidades. Formou família, comprou o terreno em Jurerê, ergueu uma bela casa e, desde então, não passava um janeiro longe da casa de praia. Ele e os familiares já viravam o ano lá. E, até março, Tio Jorge não colocava o pé na água, nem jogava videogame com o Julinho. Mas todo santo dia, quando o pessoal retornava da praia lá pela uma hora da tarde, a carne assada em brasas já estava pronta, no ponto, servida à mesa. Coraçõezinhos, lingüiças, franguinho e tudo o mais tinia na churrasqueira. Isso porque o Tio Jorge aprendera com o pai os segredos do melhor churrasco. Os elogios que essa virtude suprema rendia lhe enchiam de ternura, compensavam qualquer trauma. – Acha que eu não sei que quem vai pra praia volta com fome? Sou tolo, eu?

09/02/2007

Crônica de Verão 8 / Diário Catarinense

Um diálogo da estação – Menina, há quanto tempo! – É verdade... Mas vem cá, tá falando que nem atriz agora, é? "Menina..." – Hehehehe, sempre brincalhona, hein? – Tem de ser, né? Se não, a gente fica doida... – E o calor? Que janeiro horrível, não? Era um calor que ninguém agüentava... – Pois eu adorei. Quanto mais quente, melhor. Ih, esse não é o nome de um filme com a Marilyn, não? – Deve ser, deve ser... Tu sempre soubeste mais destes assuntos do que eu, querida... – E a vida, como está? – Ah, o de sempre: viagens, jantares, hotéis, convidados, grandes festas... – Ah, entendo. Mas não pode ser tão ruim assim, vai. – Não, claro que não, mas às vezes incomoda. Não sei explicar... – Mas tu me dizias que quanto pior, melhor, não é isso? – Claro, estou de férias! Depois de um longo ano de trabalho, pude parar, ficar mais perto dos filhos, do marido, ir para a casa de praia, acordar tarde, passar o dia na praia, vendo as crianças, fazendo exercícios (Na minha praia apareceu um grupo de atletas que incentiva todo mundo a praticar esporte, menina, é uma beleza, com microfone e tudo. Fica tão bonito o fim do dia, com o sol caindo no horizonte, pular e correr com um monte de gente desconhecida, fazer amizades novas...) Ai, e à noite, então? A gente assa um peixinho, fica sentado no deck da casa, deitado nas redes até tarde, conversando, bebendo uma cervejinha, ou então vendo o Big Brother, e aí vai para a cama, liga o ventilador e dorme na santa paz, ouvindo o barulho das ondas quebrando na praia... Adoro! – Ouvindo tu falares, até parece bom. Dá até vontade de trabalhar, só para tirar férias... – É, trabalhar nunca é demais. – Mas aí perco viagens, jantares, hotéis, convidados, grandes festas, não é verdade? – É verdade. Perde o Verão, também. Mas fazer o quê, né? Cada um, cada um. – Tá bom, querida. Tchau então, hein? Boas férias... – Tchau, tchau... Um fim de semana histórico Na tarde do dia 13 de janeiro, na Cachoeira do Bom Jesus, Norte da Ilha de Santa Catarina, aconteceu o que antigos veranistas daquele balneário garantem que não acontecia havia 30 anos, talvez mais, talvez nunca. A praia estava cheia, muito sol e pouco vento. Existiam dezenas de barcos na água, da Ponta das Canas até Canasvieiras. Alguns estavam ancorados perigosamente próximos da faixa de areia e dos banhistas. Então, aconteceu. Apareceu no horizonte um bote com a inscrição "Marinha" e três tripulantes a bordo. A embarcação oficial "estacionou" ao lado de um desses barcos e, com uma sirene estridente, denunciou a irregularidade. O proprietário, desembestado, entrou correndo na água para levar para mais longe a sua propriedade. Foi o bastante para que uma pequena multidão, da areia da praia, desse uma salva de palmas para o poder público, que naquele sábado apareceu de repente para fazer valer o respeito aos veranistas. Um cidadão até assoviou de agradecimento aos fiscais, como guri pequeno – como não fazia havia 30 anos, como talvez nunca fizera antes.

02/02/2007

Crônica de Verão 7 / Diário Catarinense

Olhar não tira pedaço? O casal tinha bodas de prata, e ambicionava ouro e diamante. Preparado estava: ambos, homem e mulher, tinham afinidades, sonhos comuns e muita cumplicidade, mas também alguns antídotos – de descoberta penosa, mas providencial – ao óxido que a convivência amorosa ora produz. Além disso, eram os pais responsáveis de um filho que já lhes presenteara com um neto. Para eles, o divórcio não passava de um termo jurídico mais útil aos advogados e rábulas do que a um par de amantes e avós orgulhosos. Como todo casal ajustado, tinham seus acordos tácitos. Vou revelar um deles.
Parte deste acerto é que os dois combinavam tirar férias durante o Verão. Porque adoravam o mar, a casa de praia, o cheiro da maresia nas noites quentes e de brisa, o barulho das ondas na hora de dormir, os ventiladores de teto, os churrascos com os amigos nas tardes ensolaradas de domingo, as pranchas de body-board, a preguiça de acordar, a relutância em ir dormir, a animação das pessoas nas ruas, o clima festivo e alto astral da estação, a meninada na praia. Nem das filas nos supermercados se queixavam...
E a outra parte do acordo? Consistia numa permissão que ela dava ao marido. Acontecia assim: com sol a pino ou céu nublado em dia de mormaço, os dois iam à praia de manhã e ficavam até o fim da tarde. Tomavam banho juntos, pegavam umas ondinhas, torravam ao sol lado a lado, almoçavam em algum restaurante próximo... Mas, em determinado momento, separavam-se. Era quando ele, ajeitando o boné, dizia alto e bom som:
– Vou por aí.
Era a senha, e a mulher nem chiava. Conhecia o homem que tinha. Sabia que o marido, ao anunciar o seu passeio, iria vistoriar o restante da praia. Não pelo prazer de caminhar, exercitar-se, entrar em forma. Ele ia era olhar as bundas da mulherada, um de seus vícios de Verão. E nem punha óculos escuros: ia de cara limpa, a sombra do boné melhorando a visão, sem que precisasse manter os olhos semicerrados em busca daquele fio dental...
E assim todo o Verão, ano a ano. A certa altura, geralmente quando a mulher já estava estendida de bruços na cadeira de praia havia horas, ele erguia-se de sob o guarda-sol, com aquela cara de despreocupado, ajustava o bonezinho, a bermuda na cintura, e dizia:
– Vou por aí.
Um dia, porém, após voltar de uma das melhores caminhadas de sua vida (era bunda boa, morena e luzidia de protetor solar para todo o lado!), não agüentou e comentou com a esposa, que lia sentada, de óculos escuros:
– Nunca vi tanta bunda bonita!
No que a mulher respondeu:
– Seu bobo. Pensa que olhar é bom, é? Bom é mostrar...
E ela largou o livro e virou de costas, bunda para o ar...

29/01/2007

Obras completas

Por causa da não atualização da Revista de Verão do Diário Catarinense no site do DC Online, publiquei os três textos que já saíram na coluna "Crônica de Verão" nas últimas três semanas (a última atualização foi a da edição do dia 5). A dessa semana será publicada no dia 2. Um está no post abaixo, os outros dois, nestes links: Crônica de Verão 5 (19/01/2007) Crônica de Verão 4 (12/01/2007) E as três primeiras, aqui: Crônica de Verão 3 (05/01/2007)

26/01/2007

Crônica de Verão 6 / Diário Catarinense

Os dramas do Verão Eu conheço um grupo que, no Verão, se reúne às sextas-feiras para fazer happy hour. Participei de um desses encontros. Pedro trabalha 12 horas por dia, ganha mal e não tem descanso nunca. João labuta como qualquer outro pobre-diabo, mas recebe um salário digno e está de férias. Lucas nunca trabalhou, nem pretende – vive do dinheiro da família. Os três são solteiros e mulherengos. Mas vamos logo à conversa deles, que parecia até combinada, um de cada vez (eu sou o que só bebe e escuta): – Rapaz, hoje foi feio.. O sol lá fora e o ar-condicionado da empresa quebrado... – Quem manda trabalhar. Tu tens de arranjar um jeito de parar com isso, cara. – Deu, vocês dois. Vamos ao que importa, porque o nosso colega cronista não veio aqui para ouvir reclamação. Nem eu! Tô de férias... Então, qual é a boa do fim de semana? – Cacete, não sabe que eu trabalho amanhã? Só saio domingo. – Já eu vou pegar a lancha do coroa, encher de champanhe, botar a Joelminha dentro e desembestar por aí. Só volto no domingo à noite, quando o João estiver saindo... – Ok, agora deixa eu contar o meu drama. Tô num dilema. – Ih, é dinheiro? – Mulher? – Mulher, acertou. É a Carol. – Sempre tem uma Carol. – É verdade. Mas e o que há com essa Carol? – É loira, linda, de parar o trânsito da SC-401, turma! Mas tem um problema. – Sempre tem um problema. – É verdade. Mulher é igual a problema, problema é cria de mulher. Por isso que eu não caso. Só curto a grana dos meus pais... Mas qual é o grilo dessa Carol especificamente? – Ela é loira, linda e tal, mas só pinta as unhas do pé de vermelho. Vocês conhecem alguma loira linda com as unhas pintadas de vermelho?! Ela usa Havaianas, fica mexendo os dedinhos pintados de vermelho na praia... Sei lá, eu fico envergonhado... Silêncio constrangedor na mesa. Enquanto João esperava uma resposta dos amigos, eu, boquiaberto com o "drama" dele, resolvi quebrar o silêncio e pedir ao garçom mais próximo: – Outra uma rodada de chope, chefe. E o Pedro, que já consultava o relógio, mais preocupado com a hora de levantar na manhã seguinte para o trabalho (até sábado! até sábado!), completou: – Na conta do Lucas, por favor.

19/01/2007

Crônica de Verão 5 / Diário Catarinense

Um pouco de paz? Apenas na segunda semana de janeiro a família decidiu sair para jantar. "Família" é quase um eufemismo, o certo seria dizer "tropa". A casa estava cheia. O dono, que a princípio recebeu todos com boa vontade, já andava arrependido. Logo depois do Reveillon, desembarcou na sua casa gente de que nem se lembrava – parentes longínquos, de cidades distantes, e numerosos. Tinha criança dormindo na sala... Enfim. Os dias correram e os visitantes não se pouparam. Ajudaram na troca das telhas que quebraram com o vento Sul, na limpeza dos quartos e dos banheiros, no corte da grama, carregando as cadeiras de praia e guarda-sóis, no preparo do churrasco. Mesmo assim, o dono da casa cansara-se. E achou que saindo para jantar teria uma noite tranqüila. O povaréu chegou assustando os garçons. A "tropa" só foi recepcionada depois de cinco minutos de espera. O restaurante estava cheio. Após juntarem três mesas num canto, acomodaram-se. Dois garçons tiveram de tirar os pedidos. A gritaria das crianças se juntou à barafunda da "música ao vivo" (um sujeito com um violão amplificado e outro com um teclado "multiuso") e ao barulho das outras mesas, inúmeras e populosas. Minutos depois, um dos garçons voltou, intrigado. Dirigiu-se ao dono da casa: – O senhor tem certeza de que Mojito existe no nosso cardápio? O dono da casa fez só um gesto: abriu o menu e mostrou, com o dedo, na seção "drinks", a palavra Mojito. O garçom, constrangido, desculpou-se e voltou ao trabalho. Outra longa e demorada espera depois, os pratos começaram a baixar na mesa. As surpresas foram muitas: em vez de grelhado o peixe veio frito, no lugar de uma porção de arroz serviram uma de salada de batata, o camarão ao bafo virou ao alho e óleo, e as casquinhas de siri simplesmente não trouxeram. Com uma rápida troca de olhares, os adultos decidiram que ninguém iria reclamar. O jantar seguiu desse jeito... Com todos satisfeitos (ninguém pediria sobremesa, para não arriscar), o dono da casa aproveitou que um garçom distraído passava perto da mesa e pediu a conta, por favor. – Fecha a 53 aí para mim! – gritou o garçom ao caixa, que respondeu, também aos gritos: – Cinqüenta e três não existe, meu amigo. Confere lá. O dono da casa de praia, que ouviu isso tudo, gelou na sua cadeira de palhinha. Quando o garçom voltou a ele para conferir o número da mesa, a coisa piorou. Não havia número. Na confusão de juntar mesas, os garçons não decidiram que número seria a da mesa nova, e os pedidos foram feitos em nome de várias mesas. O caixa levou duas horas para encontrar os pedidos correspondentes, checar o que foi ou não servido etc. A família voltou para a casa de praia cansada e decidida a não sair mais para comer fora. Para completar a noite, o dono da casa passou mal de madrugada, vomitou as tripas. "Que inferno", pensava ele, às quatro da manhã, com a cabeça abaixada em cima da patente.

12/01/2007

Crônica de Verão 4 / Diário Catarinense

Verão corrido A mulher acordou disposta na manhã daquele sábado. Olhou o rádio-relógio. Eram 8h30. Levantou sem fazer barulho, vestiu-se com uma roupa de corrida. Até tênis calçou. Saiu do quarto sem incomodar o marido, que na noite passada chegara tarde de uma pescaria com os filhos. Ela já dormia, aliás, quando os homens da casa entraram pela porta da sala, fedidos e cansados, carregando três baldes de peixes frescos. Agora, a manhã era sua. Foi à cozinha e espiou o tempo pela janela. Fazia um sol brando, sem nuvens no céu. Havia só uma semana que a aula das crianças terminara (todos passaram por média, graças a Deus) e o maridão entrara em férias. A casa de veraneio, depois de alguns ajustes, já estava nos eixos. Aos poucos todos se adaptavam à rotina da alta temporada. Mas como era difícil! A mulher bebeu um suco de laranja desses de caixinha (promoção no mini-mercado da esquina) e saiu, em direção à praia. Queria correr e espairecer! Por conta de uns desacertos do marido no trabalho, no ano anterior o dinheiro não entrou como nos anteriores. Resumo: o corte de gastos atingiu a empregada doméstica e a faxineira. Ela é que teve de assumir as atividades. 2006 fora cansativo... Mas agora era Verão, época de descanso e das boas coisas da vida. A praia estava lotada. Nas outras duas vezes em que tentara correr pela orla, fracassara. Primeiro porque não estava de tênis, e pouco mais de meia hora com os pés na areia destruíram os seus joelhos, que doeram pelo resto do dia. Depois, porque havia uma infinidade de gente jogando frescobol, batendo bola e futevôlei, enfim, trânsito congestionado como o das rodovias de Florianópolis no fim da tarde... Na manhã desse sábado, porém, a praia estava cheia, mas sem aglomerações à vista. Então e mulher, que não estava para aborrecimentos (é Verão, época de descanso e das boas...), começou o seu cooper. E a manhã transcorreu na mais santa harmonia. No meio do caminho, a mulher até deu umas espiadas nas pernas dos homens sarados que encontrava, sem saber que eles... Bem, era só olhar mesmo, não tentaria convencê-los a "mudar de lado". O tempo passou ligeiro enquanto a mulher correu, praticou, exercitou-se com vontade. Quando deu por si, já tinha ido e voltado várias vezes de um costão a outro. Retornou apressada, parando apenas para comprar uma água de coco estupidamente gelada. Mas ao chegar em casa, a surpresa. O marido e os filhos a esperavam com a cara mais feia do mundo. O pai especialmente, porque estava ao tanque, tratando de estancar o sangue de um corte arranjado na lida de descamar os peixes... – Pombas, mulher! A gente passa a noite pegando peixes pro nosso almoço de sábado e você nem dá bola! Acorda e vai correr na praia! Ora, ora... Vem cá e termina com isso, que eu já até me cortei todo... E a mulher riu de feliz da falta de jeito do seu marido. É Verão...
 
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