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03/08/2009

As boas leituras do fim de semana

Estadão: No vale-tudo póstumo, caiu na rede, é peixe Herdeiros viraram uma praga cultural, cujo poder decisório põe em risco reputações consolidadas - por Sérgio Augusto Seguindo Rubinho Barrichello no Twitter Pelo microblog, dono da mola deu a cara a tapa, mas também bateu um bocado - por Christian Carvalho Cruz NYT: Fotógrafa Annie Leibovitz está na pior: empresa cobra dela 24 milhões em dívidas: http://migre.me/4yEA Serendipity na internet: por que é tão difícil? http://migre.me/4yEi Editor abre e explica erros de informações na reportagem sobre a morte de Walter Cronkite, o paladino da precisão: http://migre.me/4yDF Neto de Hemingway mexe em Paris é uma festa e reedita! AE Hotchner, biógrafo, lamenta: http://tiny.cc/NwlEb Financial Times: Lunch with the FT: Lars von Trier
Der Spiegel: Napoleão na Rússia não foi batido pelo inverno, mas pelos piolhos: http://tinyurl.com/lttow6

27/07/2009

A teoria de Einstein comprovada em Sobral (CE)!

Do Estadão de ontem:
Os lunáticos de Sobral

Há exatos 90 anos, durante um eclipse no interior do Ceará, foi provada a teoria da relatividade de Einstein

Ivan Marsiglia

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TIME DE ASTROS Os cientistas, em frente da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, em 1919. De branco, no centro da foto, estão Charles Davidson e Andrew Crommelin. À esquerda do primeiro, Henrique Morize

Diz que o povo abarrotou a igreja, em frente do acampamento onde tinham sido instaladas as lunetas e equipamentos de medição dos gringos. As senhoras, terços enrolados nas mãos em prece, achavam que o mundo ia se acabar. Diz que algumas corriam pelas ruas batendo panelas, na esperança de espantar os maus espíritos. Já as grávidas foram trancafiadas em seus quartos desde o dia anterior para que não gerassem filhos escuros como as trevas. E diz que às 8 horas, 58 minutos e 28 segundos da manhã do dia 29 de maio de 1919, a sombra da Lua cobriu por completo a circunferência do Sol. Os galos, confusos, puseram-se a cantar como se fosse noite. E, por não mais que cinco minutos, as estrelas saltaram aos olhos dos cientistas maravilhados.

O eclipse, acompanhado por uma equipe de astrônomos ingleses, americanos e brasileiros, mudaria não apenas a rotina dos então cerca de 6 mil habitantes da pequena Sobral, a 235 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, mas os próprios rumos da ciência naquele início do século 20. À época, a cidade, que tem hoje 155 mil habitantes e é conhecida por ser a terra natal dos irmãos políticos Cid e Ciro Gomes, era iluminada por lampiões e puxada por charretes e carroças. Foi essa espantosa expedição científica que levou o primeiro automóvel visto por lá, um Ford Modelo T, o famoso Ford Bigode. E as mães sobralenses, sobressaltadas, recomendavam às crianças que não se metessem com o carro "para ele não ‘pisar’ nelas", diverte-se o físico cearense Emerson Ferreira de Almeida, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Aos 38 anos, Emerson é o responsável pelo Museu do Eclipse, erguido há dez anos pelo então prefeito e atual governador Cid Gomes na praça central, da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, local exato onde os astrônomos primeiro fincaram suas lunetas. Continua aqui.

Nova biografia de Gabriel García Márquez

No Estadão de ontem. Tomara que o livro saia logo no Brasil. Li Viagem à semente, de Dasso Saldívar, ainda na faculdade, e também o primeiro volume de Viver para contar, do próprio Gabo. Um terceiro olhar sobre o autor de O outono do patriarca será bem-vindo. Caminhos de García Márquez Entusiasta, mas escrupuloso, Gerald Martin narra a trajetória do colombiano Michael Greenberg Quando Gabriel García Márquez terminou de escrever Cem Anos de Solidão, em 1966, estava com quase 40 anos, era pai de dois meninos e não tinha dinheiro suficiente para mandar os manuscritos da Cidade do México para seu possível editor em Buenos Aires. O episódio é famoso, aliás, um dos muitos que contribuíram para a imagem pública cuidadosamente elaborada de populista e estereótipo do gênio. No prazo de um ano, o sucesso do romance deslumbraria o autor, que foi tomado, como diria mais tarde, pelo "frenesi da fama". Antes de Cem Anos de Solidão, ele havia publicado apenas três contos em pequenas edições quase clandestinas. Não parecia razoável esperar mais. Continua aqui.

13/07/2009

Leituras...

A primeira dica é a carta de Mário de Andrade a um então jovem Otto Lara Resende, que, com 22 anos, recebeu o poeta paulistano em Belo Horizonte no dia 10 de setembro de 1944 nos preparativos do 1º Congresso Brasileiro de Escritores. No Cassino da Pampulha, de madrugada, Otto escreveu um poema a Mário num guardanapo, e Mário, depois, de volta a SP, escreveu-lhe uma carta de agradecimento e enviou ainda uma cópia datilografadado poema. Está na edição de estreia de serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles. A segunda dica é a entrevista com o jornalista e escritor francês Gilles Lapouge, que tem 85 anos e há seis décadas escreve para o Estadão. 2009 é o ano do homem.

22/06/2009

A "fotovista" é um barato!

Esqueci também. Ontem o Estadão estreou uma seção nova no caderno Metrópole. É a Fotovista. Ideia do jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Trata-se de uma entrevista feita com perguntas por escrito e resposta por imagens. Muito bom. A primeira foi feita com os atores Gero Camilo e Caco Ciocler, que estão em cartaz com a peça Aldeotas no Teatro da PUC - eu assisti durante o Congresso de Jornalismo Cultural. No Blog do Metrópoles, algumas perguntas-e-respostas que ficaram de fora da linda página impressa. Aqui.

O Radiohead dos jornais brasileiros?

Esqueci de comentar. Ontem, o Estadão trouxe um anúncio de página inteira com uma proposta surpreendente: o assinante decide o quanto vai pagar pelo primeiro mês da assinatura. A campanha se chama "Se hoje a informação é de graça, qual é o valor do conhecimento?". Muito interessante. Regulamento e explicações necessárias, aqui.

27/04/2009

Algumas leituras do fim de semana

No Estadão de ontem: "Origem de Deus é questão absurda" - Entrevista com John Lennox, matemático da Universidade de Oxford. Interessante, pauta e discussão raras nos jornais. http://tinyurl.com/cqlz8m Euclides da Cunha no Estadão. Texto do autor de Os Sertões, na sessão especial do Cultura que homenageia os 100 anos da sua morte. http://tinyurl.com/com4dx "Quando o homem para de pulsar" - Ao falar de neuroses em O Caráter Impulsivo, Wilhelm Reich investigou as causas de uma aparente predisposição à infelicidade http://tinyurl.com/dm2wcq "Una brasa, compañero" - Frei Betto: ele foi à Bolívia cobrir o casamento do Rei, mas queria mesmo era investigar a morte do Che http://tinyurl.com/dhrgs6 No New York Times: "Comment Is King" - Reader comments are a key part of online journalism. So why do they mostly disappoint? http://tinyurl.com/dy33cj "Slouching Towards Oblivion" - Old-school newspapers seem like aging silent film stars, stricken to find themselves outmoded by technology http://tinyurl.com/cakvnb Este post foi publicado primeiro no http://twitter.com/flenhart. UPDATE 17h40! No Diário Catarinense de sábado: "Um desafio permanente" - Catarinense Walmor Santos aponta os equívocos da Guerra do Contestado em livro lançado pela Record http://tinyurl.com/dgbgmt "A grife Benjamin" - Sobre usos e abusos da teoria benjaminiana na cultura contemporânea ou uma alfinetada dourada na crítica http://tinyurl.com/d5j7t2

23/03/2009

Uma narrativa sobre Josef Fritzl, o inominável

Acho que já escrevi aqui no blog que não vejo muito os telejornais, nem fico acompanhando, na internet, a cobertura jornalística do factual, daquilo sobre o que está todo mundo falando. Gosto do jornal, do papel, do texto, e uma hora ou outra sei que o "assunto do momento" vai ganhar uma ou duas páginas de boa reportagem nos jornais. A história de Elisabeth Fritzl, por exemplo. Eu cansei de ler e ouvir notícias a respeito da descoberta do caso, do julgamento de Josef etc., mas, até ontem, não sabia de fato tudo o que acontecera a ela na cidade austríaca de Amstetten. O Estadão traduziu uma reportagem de Kate Connolly, do jornal inglês The Guardian. Ocupa uma longa página inteira do jornal, e é irretocável. O grande texto do fim de semana, daqueles que nos fazem agradecer a existência dos bons jornais. Da obsessão doentia de Fritzl ao pesadelo sombrio de Elisabeth Pano embebido em éter foi ponto de partida de tragédia incestuosa; condenação à prisão perpétua, o capítulo final Kate Connolly Parecia um pedido inocente: "Você poderia me ajudar a instalar uma porta no batente?" Elisabeth Fritzl seguiu o pai, Josef, nas profundezas do porão que ele levara meses para construir no jardim, debaixo da casa da família, na cidade austríaca de Amstetten. Era um dia quente de agosto de 1984, o mês em que o cantor Prince lançou seu sucesso Purple Rain, o ônibus espacial Discovery subiu pela primeira vez ao espaço, e o país africano Alto Volta mudou o nome para Burkina-Faso. Elisabeth desceu as escadas do porão e ajudou a colocar a porta que selaria as poeirentas paredes de sua criação subterrânea. Quando se virou para subir, um pano embebido em éter tampou sua boca e o mundo escureceu. Talvez para sempre. Foi o início tremendamente cruel de uma história inacreditavelmente cruel. Elisabeth não tinha como saber que estava ajudando o próprio pai a concluir a última fase do plano que ele montara para emparedá-la ali como sua escrava sexual. Fritzl projetou durante anos o que na realidade era um calabouço e recebeu a autorização da prefeitura para construir seu complicado porão ainda na década de 70. Naquela época, não era difícil obter a aprovação para construções subterrâneas. Era o ápice da Guerra Fria e, afinal, o norte da Áustria encontrava-se na fronteira com a Cortina de Ferro. Os bunkers contra as bombas atômicas eram considerados um complemento mais normal e necessário numa casa austríaca do que uma estufa ou uma ampliação da cozinha seriam em qualquer país do Ocidente - a Câmara Municipal da cidade concedeu-lhe até uma verba para cobrir parte do custo da construção. Os vizinhos ficaram observando intrigados quando o engenheiro eletricista contratou uma pessoa para cavar durante meses no terreno da casa localizada na Ybbsstrasse, número 40, da agradável cidadezinha. Eles observaram quando foram retiradas quantidades enormes de terra da parte de baixo da casa para dar espaço aos cômodos que Fritzl pretendia construir. Planejador cuidadoso, pensou em cada detalhe: encomendou nas empresas de construção para as quais havia trabalhado a compra do material para o concreto e o aço necessários. De início, construiu dois acessos - uma porta pesada munida de dobradiças e outra de metal reforçada com concreto, acionada por controle remoto. Era preciso abrir ao todo oito portas para chegar ao porão. A última porta antes da escuridão de túmulo do porão foi a que Elisabeth, sem saber, ajudou o pai a instalar. Continua aqui.

O Congresso brasileiro: inclassificável

O Jornal Nacional mostrou agora há pouco que o Senado brasileiro conta até com funcionários "virtuais", que não têm gabinete mas trabalham para os senadores que compõem a mesa diretora. Hoje também, Fernando Henrique Cardoso, veja só, disse, em São Paulo, que o Congresso Nacional "não representa mais nada". Agora, o que me chamou mesmo a atenção para o "problema" foi a reportagem da manchete do Estadão de ontem: ''Clube de amigos'' do Senado faz folha de pagamento crescer 42% Gasto com pessoal saltou de R$ 2,1 bilhões em 2007 para R$ 3 bilhões neste ano; diretor recebia até R$ 20 mil Na capa, lê-se que "o ex-diretor-geral Agaciel maia operou uma máquina de multiplicação de cargos. Em 1995, quando ele assumiu, havia 7 secretarias (diretorias) e 16 subsecretarias. Em 14 anos, passaram para 67 secretarias e 104 subsecretarias com status de diretoria - e ninguém sabe quantas elas eram". Havia até uma Diretoria de Apoio Aeroportuário, comandada por Francisco Carlos Melo Farias, cuja tarefa principal, junto com mais seis funcionários, era "facilitar a vida dos senadores, providenciando os embarques, encontrando vagas em voos, conseguindo transferências de última hora. Na prática, ocupavam-se mais dos parentes e amigos dos senadores do que dos próprios parlamentares, que já costumam chegar com tudo pronto para o embarque". Abaixo, a arte que mostra as últimas do Congresso Nacional, essa instituição inclassificável.

09/03/2009

Estadão dá banho de jornalismo

2009 é o ano em que se celebra a memória do jornalista e escritor Euclides da Cunha, morto há 100 anos, e o Estadão deu início ontem à retomada e à revisão (no bom sentido) da obra euclidiana. A última página do primeiro caderno da edição dominical trouxe matéria apresentando o projeto multimídia O Ano de Euclides. Trata-se de uma ambiciosa grande reportagem que vai mobilizar o jornal, o portal do Grupo Estado e a Rádio Eldorado até o fim do ano. Daniel Piza e o fotógrafo Tiago Queiroz já estão dentro de um barco, numa viagem que durará entre 10 e 12 dias entre Sena Madureira (AC) até a região do Alto Purus, em território peruano. Eles vão refazer, assim, a expedição que Euclides empreendeu entre abril e outubro de 1905. Reportagens diárias no jornal, no portal e na rádio mostrarão no que a região está diferente de quando Euclides a desbravou há mais de um século. Detalhe: os jornalistas estão embarcados com participantes do Projeto Cidadão, que durante o percurso expedirão documentos - RG, certidão de batismo e casamento etc. - a ribeirinhos e moradores de aldeias e seringais. E vou repetir aqui a pergunta que a jornalista, professora e minha amiga carioca Rosane Porto fazia aos seus alunos de história do jornalismo: "E aí, caceta, alguém sabe me dizer quem foi Dilermando de Assis?". E ante o silêncio geral, tascava: "Vocês não sabem nada mesmo, hein?". Hahahaha. Descubra aqui.

16/02/2009

A melhor leitura do fim de semana

No post abaixo, linkei o que li de interessante nos dois jornais que eu e a Jade assinamos: o Estadão e o Diário Catarinense. Agora, linko o melhor texto publicado no fim de semana. Trata-se da transcrição de parte de uma palestra do jornalista Walter Isaacson, que foi editor da revista Time e atualmente é presidente do Instituto Aspen. Isaacson defende que os jornais e as revistas precisam estabelecer uma forma de "micropagamentos" nos seus sites, em lugar de disponibilizar de graça um conteúdo que custa caro produzir. Por exemplo: a edição do New York Times por 10 ou 50 centavos, a Time da semana por 1 dólar. Este sistema teria de ser implantado já e aperfeiçoado com o tempo, até o dia em que teríamos um sistema como o iTunes para comprar notícias, informações e análises. Bem interessante. Como salvar os jornais (e o jornalismo) Walter Isaacson Durante os últimos meses, a crise no jornalismo atingiu proporções de derretimento. Agora é possível contemplar num futuro próximo uma época em que algumas grandes cidades não terão mais seu próprio jornal e as revistas e redes de notícias empregarão apenas um punhado de repórteres. Há, no entanto, um fato chocante e algo curioso a respeito desta crise. Os jornais têm hoje mais leitores do que nunca. O seu conteúdo, assim como o das revistas de notícias e de outros produtores do jornalismo tradicional, é mais popular do que jamais foi - até mesmo (na verdade, especialmente) entre o público jovem. O problema é que um número cada vez menor de leitores está pagando pelo que lê. As organizações jornalísticas estão distribuindo gratuita e alegremente as suas notícias. De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew, no ano passado houve uma virada marcante: nos Estados Unidos, as notícias gratuitas disponíveis na internet foram mais procuradas do que os jornais e revistas pagos que publicavam o mesmo conteúdo. Quem pode se espantar com isso? Até mesmo eu, um antigo viciado em publicações impressas, deixei de assinar o New York Times, porque se o jornal não acha justo cobrar pelo acesso ao seu conteúdo, eu me sentiria um tolo pagando por ele. Esse modelo comercial não faz sentido. Continua aqui.

06/10/2008

O Nobel de Literatura e os EUA

O assunto referido quatro postagens abaixo, que descobri na quarta-feira no PaperCuts, blog de livros do New York Times, foi polemizado na edição deste domingo do Estadão pelo jornalista Sérgio Augusto. Pena que o texto não foi disponibilizado na internet. Mas, em resumo, Sérgio desceu a porrada no que o presidente do júri do Prêmio Nobel de Literatura andou dizendo sobre a literatura norte-americana...

Dostoiévski: a boa notícia do dia das eleições!

Num dia de eleições que não acabou muito bem, pelo menos em Florianópolis, a notícia mais importante do dia, para a cultura brasileira, foi a da capa do Caderno 2, do Estadão: em novembro a Editora 34 lançará Os Irmãos Karamazov com tradução direta do russo feita por Paulo Bezerra. É um privilégio do Brasil poder contar com um tradutor da qualidade e do empenho de Bezerra, que para a 34 já havia traduzido, de Dostoiévski, os romances Crime e Castigo, O Idiota e Os Demônios. Faltava a trama da família Karamazov... Faltava.
Leia parte da reportagem aqui.

29/09/2008

Machado de Assis: porque hoje é o dia!

O Estadão disponibilizou o caderno especial de sábado (comentado ontem) em um hotsite de primeira linha nesta segunda-feira. O print abaixo é da tela em que se pode baixar, em formato pdf, as obras fundamentais de Machado de Assis. Há ainda um áudio de Daniel Piza sobre a vida e a obra do gênio que morreu há 100 anos e a coletânea dos depoimentos da seção Meu Machado.

Um especial para Machado de Assis

A edição de ontem do Estadão trouxe um caderno especial sobre o centenário de morte do escritor Machado de Assis. O projeto gráfico ficou à altura do conteúdo, como você pode ver abaixo (capa e contracapa, coladas no Photoshop). Aqui, por exemplo, você lê uma entrevista com o crítico inglês John Gledson, renomado estudioso da obra machadiana, cuja edição crítica de Bons Dias! (crônicas) está sendo relançada pela Editora da Unicamp. Pela mesma editora, sai até o fim do ano outra coleção de crônicas de Machado, com todos os textos da coluna Notas Semanais, de 1878, organizado por Gledson e pela professora Lúcia Granja. Há textos ainda de Daniel Piza, Beatriz Resende, Elias Thomé Saliba, Walnice Nogueira Galvão, Ubiratan Brasil, Ivan Teixeira, Francisco Quinteiro Pires, uma entrevista com o historiador João Roberto Faria e, na contracapa, os desenhos de Baptistão para célebres personagens machadianos: Aires, Capitu, Bentinho, Quincas Borba, Brás Cubas e Helena. Nota 100.

26/09/2008

Machado de Assis por Daniel Piza e Baptistão

Bons Dias!
Não há eleição, não há crise nas bolsas, não há nada nestes dias que possa chamar mais atenção do que o centenário de morte de Machado de Assis. Quando eu era adolescente, ouvia das pessoas que os clássicos são chatos; logo, Machado de Assis, sendo clássico, era um chato. Mas agora ouço de muitas delas que redescobriram o mestre, que relendo suas obras sem os antolhos escolares o que saltou foi seu estilo, seu humor, sua filosofia. O Bruxo do Cosme Velho em pessoa não se furtaria a notar a ironia da cena: comemoram-se cem anos de sua morte, não de sua vida. Para um homem que no final da existência esperava a morte como um livramento, nada mais apropriado. Hoje são seus leitores que estão livres para ler seus livros, nos quais a morte é tão presente.
Continua aqui.

23/09/2008

Marcelo Rubens Paiva: "Vende-se eu"

Abaixo, começo da bela e forte crônica do Marcelo Rubens Paiva, publicada sábado no Estadão – leitura que mexeu com a Regina Carvalho a ponto de quase fazê-la fechar o seu blog, Coisas de Regininha. Com a "repercussão" da história, ela se explicou melhor: felizmente vai continuar publicando no blog as suas crônicas de quinta-feira do jornal A Notícia, e o que mais lhe der na telha, mas sem compromisso com o dia-a-dia... 
Vende-se eu
Marcelo Rubens Paiva
Na semana passada, Zezé Polessa participava do programa Happy Hour (GNT), que debatia os traumas de uma separação. Em sua camisa, lia-se um paradoxo: "Não sou feliz, mas tenho marido".
Me intrigou o significado e o capricho do figurino. Então, pensei, que excelente recurso! Da próxima vez que eu participar de um debate, terei no peito pinceladas do pensamento dialético, para polemizar e enriquecê-lo.
Foi uma decepção quando, no fim do programa, revelou-se que ela divulgava, na verdade, um espetáculo teatral que protagoniza chamado Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido.
Zezé tem o direito de divulgar o que quiser, como quiser. Mas inaugura um procedimento que causará um ruído visual na tevê brasileira. Então, atores, cineastas, músicos e escritores trarão no peito o logotipo da obra que pretendem divulgar, transformando o seu corpo num outdoor ambulante, que anuncia a si próprio, vende uma obra.
Lembrei-me dos anos 80, em que condenávamos o culto à imagem pessoal. Éramos de corpo e alma concentrados politicamente numa causa, baseada no dito de Brecht: pobre do povo que precisa de heróis.
Herdeira de uma luta armada fracassada, de um projeto de utopia que deu no stalinismo e no maoísmo, órfã de ideais, a geração 80 não confiava em timoneiros ou comandantes, mas na revolução pelas arte e, principalmente, pela intervenção cultural. Por isso, foi tachada pela velha esquerda de Geração AI-5 ou Geração Coca-Cola. "A gente somos inútil", foi a resposta.
Continua aqui.

29/08/2008

O diário de Woody Allen em Barcelona

Woody Allen acaba de lançar seu novo filme, Vicky Cristina Barcelona, muito elogiado pelo New York Times em crítica no dia 15. Hoje, o jornal publicou um hilário texto do diretor, com trechos dos diários do set de filmagem, em Barcelona. Excelente. AUG. 20 Made love with Scarlett and Penélope simultaneously in an effort to keep them happy. Ménage gave me great idea for the climax of the movie. Rebecca kept pounding on the door, and I finally let her in, but those Spanish beds are too small to handle four, and when she joined, I kept getting bounced to the floor. Confira o restante aqui.
 
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