12/01/2009

A crônica de hoje, no DC: Boo e Floripa

Página 7 do caderno Variedades de hoje, no Diário Catarinense. Boo e Floripa E não é que estão caçando Boo nas ruas de Florianópolis? Não o Boo Radley, o injustiçado da provinciana Maycomb, de O sol é para todos, clássico da literatura americana estrelado no cinema por Gregory Peck e Robert Duvall. No nosso caso é o James “Boo” Murphy, o afetado e ácido crítico de gastronomia da Vogue britânica. Desde dezembro, ele está metido numa casa em Jurerê Internacional: comeu, perambulou e conheceu o famoso balneário. No dia 2, resolveu trabalhar, e publicou em seu blog – de acesso livre – uma opinião sobre a comida e o serviço do El Divino. Boo escreveu que Floripa é uma “ilha idílica”, “um refúgio grã-fino dos endinheirados de SP e RJ” e “um lugar misericordiosamente livre de estrangeiros”. Jurerê ele considerou uma “praia espetacular”, um “lugar rodeado por morros contemplativos e florestas suntuosas, indescritivelmente bonito”. O Taikô, que ele visitou, é “um bar de praia elegante com sofisticação sutil que serve coquetéis deliciosos” e “lembra Pampelonne, em Saint Tropez”, só que melhorado. Para contextualizar a crítica do El Divino, confessou que viagens anteriores ao país lhe deixaram más impressões sobre a gastronomia brasileira. Nessas visitas, testemunhou “crimes contra a comida”, como “croissants de frango e salsichas recheadas com queijo”, e foi embora achando que beber do vinho riesling é provar do cálice da morte e que os demais vinhos só serviriam como mertiolate. Acontece que ele ainda não experimentara os pastéis, camarões e coquetéis de Floripa. Boo os provou no El Divino, onde “os garçons flertam com a mulher do cliente” – o que, segundo o Cacau Menezes disse na CBN/Diário, é verdade mesmo. Se deliciou com pastéis (“saborosos” e “fresquinhos”) e camarões (“carnudos”, o oposto dos ingleses, muito ruins). Desdenhou os vinhos da casa, mas apreciou os drinks. No fim, deu 13 pontos de 20 possíveis ao restaurante. E terminou pensando em adiar o retorno à Inglaterra, correndo o risco de contrair dengue no Brasil, só para ficar uns dias a mais em Jurerê. Só sei avaliar a comida dos botequins de Coqueiros, mas se tenho de expressar uma opinião a respeito do trabalho do crítico inglês, é a de que ele me pareceu deslumbrado demais com Jurerê e os “beach clubs”. Ou então desconfiar que ele escreveu o que escreveu a mando Secretaria de Turismo, com o objetivo de divulgar Florianópolis na terra do “fish and chips”. *** ps do blog. o texto de Boo Murphy está aqui.

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