Pedro Páramo e Chão em chamas, de Juan Rulfo - Record
A primeira nanopinião do ano vai para um dos mais cultuados e respeitados escritores latino-americanos, Juan Rulfo, cujo romance Pedro Páramo achei chato e o livro de contos, Chão em chamas, mais ou menos. Puxei o livro da estante no dia primeiro com a maior reverência, quase que solenidade, sufocado de expectativa pela qualidade do texto do escritor mexicano que só escreveu estes dois livros. O romance começa muito bem ("Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo."), mas logo entendia. Lá pela metade, já meio arrependido de não ter largado o livro, fui procurar uma bom motivo para continuar a lê-lo na introdução escrita pelo tradutor Eric Nepomuceno. E não é que o que mais chamou a atenção na época, e que fez a fama de Rulfo no mundo inteiro, foi a estrutura do livro - justamente o que eu estava achando horrível? Pois é. Em resumo: a história é tão entrecortada por diferentes pontos de vista que acabei não entendendo nada. OK. Terminei o romance, e não gostei mesmo. Passei à coletânea de contos com um receio tremendo. Primeiro conto: "E nos deram a terra". Nossa, na sétima página, quando a narrativa termina, tive a certeza de que este é um dos melhores contos já escritos em todos os tempos. É inacreditável de bom. Incrível. Ruan Rulfo era um grande contista. Vale a citação ainda "Diga que não me matem!". Mas leia já "E nos deram a terra". Coisa de mestre.
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