09/08/2009

Até!

03/08/2009

As boas leituras do fim de semana

Estadão: No vale-tudo póstumo, caiu na rede, é peixe Herdeiros viraram uma praga cultural, cujo poder decisório põe em risco reputações consolidadas - por Sérgio Augusto Seguindo Rubinho Barrichello no Twitter Pelo microblog, dono da mola deu a cara a tapa, mas também bateu um bocado - por Christian Carvalho Cruz NYT: Fotógrafa Annie Leibovitz está na pior: empresa cobra dela 24 milhões em dívidas: http://migre.me/4yEA Serendipity na internet: por que é tão difícil? http://migre.me/4yEi Editor abre e explica erros de informações na reportagem sobre a morte de Walter Cronkite, o paladino da precisão: http://migre.me/4yDF Neto de Hemingway mexe em Paris é uma festa e reedita! AE Hotchner, biógrafo, lamenta: http://tiny.cc/NwlEb Financial Times: Lunch with the FT: Lars von Trier
Der Spiegel: Napoleão na Rússia não foi batido pelo inverno, mas pelos piolhos: http://tinyurl.com/lttow6

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. Vinho pra ressaca, e nela fico Achou suspeito quando o telefone tocou. Não esperava ninguém, nem marcara encontro. Já estava deitado, entregue à leitura: embrulhado em cobertores e edredons, o aquecedor ligado. Mas o telefone tocou e tinha de atender, pois se esquecera de desligar o aparelho da parede para que não importunasse seu sono. Era sexta-feira, e o leitor já percebe que os hábitos de nossa personagem estão menos para as festas do que para o silêncio monástico do fim-de-semana recluso. Atendeu. Segundos depois do “alô”, viu-se diante de uma prova de fogo. Alguns colegas colocavam sua abnegação em xeque e o chamavam para uma festinha daquelas. Começou por responder que não, não podia, estava cansado, sonolento, o trabalho da semana tinha sido exaustivo, o corpo pedia doze horas de sono mais um sábado inteiro de repouso. Da resposta negativa à mentira descarada bastou um pigarro: tinha saído noite passada e bebido além da conta, estava com ressaca, vomitara. Os colegas insistiram para que deixasse de besteiras, de mentir na maior. Ele que se vestisse e descesse em 10 minutos, tempo que levariam para buscá-lo. Acrescentaram que Silvia estaria presente na festa, com um fogo danado. Completaram: – Anda doida para sair contigo. Não foi o bastante. Nossa personagem agradeceu, mas tornou a recusar, agora com uma veemência nada habitual. Passou a desfiar um novo rosário de motivos furados. Tampouco deu certo. Os amigos riram ao ouvir que, devido à ressaca, tivera de tomar remédios e estava prostrado. Não colou. Em resumo: ficaram cerca de meia hora discutindo a ineficiência dos argumentos e o desconforto de uma ressaca imaginária. Até que a nossa personagem cedeu. Desligou o telefone deixando aos arautos do prazer a promessa de que em menos de quinze minutos estaria “pronto para mais essa, seus sacanas”. Tomou um banho rápido, Silvia na cabeça, vestiu-se, armou-se com três camisinhas e, de uma talagada, derrubou uma dose de uísque sem gelo. Para esquentar. Silvia era uma mentira dos amigos, a festa não passara de uma ida ao bordel, a bebida lhe causara um real enjoo e, no sábado à tarde, ao despertar, disse a si mesmo que nunca mais cairia no conto da luxúria fácil. À noite, pediu uma pizza de legumes e uma garrafa de vinho branco seco. – É pra curar a ressaca – disse à atendente da pizzaria.
 
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