26/02/2009

A estreia tricolor azul: assim não dá!

Impressionante o que aconteceu ontem no Estádio Olímpico. Cadê os atacantes???

23/02/2009

Meus votos do Oscar

A cerimônia de entrega do Oscar ainda não chegou nem à metade. Publico abaixo meus palpites à promoção do Cinemark: quem acertar mais ganha entrada gratuita nas salas da rede até o fim do ano. Acertei alguns, já, mas acho que, como no ano passado, ficarei longe do "prêmio"... Filme - Quem Quer Ser um Milionário? Ator - Mickey Rourke Ator Coadjuvante - Heath Ledger Atriz - Kate Winslet Atriz Coadjuvante - Penelope Cruz Diretor - Danny Boyle Roteiro Original - Milk Roteiro Adaptado - Frost/Nixon Música Original - Alexandre Desplat Filme Estrangeiro - Waltz With Bashir(Israel) Filme de Animação - Wall-E Fotografia - O Curioso Caso de Benjamin Button Figurino - O Curioso Caso de Benjamin Button Montagem - Batman Maquiagem - O Curioso Caso de Benjamin Button Efeitos Visuais - Batman

22/02/2009

Sobre os candidatos a Oscar...

Hoje à noite ocorre a cerimônia de entrega do Oscar. Sexta, rolou a pré-estréia de Slumdog millionaire. Não fomos ver. Dos cinco concorrentes a melhor filme, só assistimos a O leitor (The reader) e O curioso caso de Benjamin Button (The curious case of Benjamin Button) – os mais fracos, ou menos bons, segundo li na imprensa brasileira e norte-americana. Os outros dois indicados, Frost/Nixon e Milk, foram muito elogiados e são concorrentes à altura do favorito Slumdog. Tomara que nas próximas semanas os filmes estréiem por aqui. Vimos ainda a O lutador (The Wrestler) e Foi apenas um sonho (Revolutionary Road). Abaixo, comento os filmes por, digamos, ordem crescente – do mais ou menos ao melhor. Benjamin Button – Amigos e crítica me encheram de expectativas para o filme de David Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett. Entramos na sala de cinema com uns cinco minutos de atraso, e a Jade me fez sair para verificar se estávamos na sala certa. Quando a história de Button enfim começou, as dúvidas aumentaram. Fiquei um pouco constrangido com aquele velhinho, as situações em que se metia etc. e o ar cômico de cada cena. Uma hora olhei para a Jade e sussurrei: “Freak”, e ela concordou. Conforme o personagem rejuvenesce, o filme torna-se sério, melhora muito. O tour de Button pelo mundo, a bordo de um navio (algo assim meio Jack London, meio Herman Melville), achei o ponto alto do filme. No geral, não me emocionou, nem me fez pensar ou repensar alguma coisa. No estacionamento, já conversávamos sobre outro assunto. O leitor – Saí da sessão gostando muito do filme. Principalmente de Katie Winslet e do garoto David Kross. A editora Record publicou o romance do escritor alemão Bernhardt Schilink, mas não me atrevo a comprá-lo, apesar de ter achado a história engenhosa, muito bem bolada. Saí da sessão também com a certeza de que o filme não faz concessões ao nazismo. Pelo contrário: as cenas de tribunal me convenceram de que ali todos tinham consciência de que o caso era sério, uma ferida pustulenta que teima reabrir de vez em quando e à qual não há remédio senão escarafunchá-la, por mais nojenta, até que um dia cicatrize de vez. Mas me incomodou ver (mais uma vez) aventada a hipótese de que os alemães, em geral, não sabiam de nada nem tomavam conhecimento das atrocidades nos campos de concentração etc. Esta idéia maluca que paira no filme é o que fez Ron Rosenbaum, na revista eletrônica Slate, escrever o seguinte: “If I hadn't used the locution so recently, I would be certain to call The Reader ‘The Worst Holocaust Film Ever Made’". Leia, é demolidor, e dá o que pensar. Foi apenas um sonho – Gostei demais. O enredo, as atuações, a falta de redenção no fim. Como escrevi no dia seguinte aqui no blog, ainda hoje não sei o tema do filme. Já ouvi e li muitas opiniões – demasiadas expectativas com o outro, comodismo, medo, somente um caso de amor. Nenhuma me convenceu. Fui à livraria e comprei o livro de Richard Yates, editado pela Alfaguara. Estou quase no fim, e é excelente. Muito bem-escrito. Na Wikipédia, encontrei o treho de uma entrevista de Yates em que ele explica o título do livroRua da Revolução – e dá uma pista sobre seu tema. Assim que terminar o livro, comento aqui. O lutador – O melhor deles. Mickey Rourke faz o filme como o lutador de luta-livre Randy "The Ram" Robinson. Se tudo der certo, ele vencerá o prêmio de melhor ator. O filme de Darren Aronofsky – diretor de Réquiem para um sonho (2000) – é verdadeiro, simples e pesado. Para Randy, não há nada a fazer senão subir no ringue e humilhar-se por 200 dólares. É a única coisa que ama e sabe fazer. Há uma cena em que ele convida um garoto seu vizinho para jogar Pro Wrestling, o clássico joguinho do console Nintendo 8 bits. O rapaz até joga, mas sem prazer nenhum: o bom, agora, é jogar Call of Duty, que no último upgrade transferiu o campo de batalha da Europa da Segunda Guerra para os desertos do Iraque. Mickey Rourke faz uma cara... Pudera: a última luta de sua carreira será contra o Haiatolá (iraquiano), grande amigo seu dos anos 80... Como diz Randy a certa altura: “Os anos 80 foram o máximo. Aí veio o Kurt Cobain e estragou tudo”, ou algo do tipo. A cena do “acidente” no supermercado também é irretocável. Filmaço. Veja o trailer abaixo. ps. e viva Wall-e, claro!

19/02/2009

Tímida atualização!

O título acima é uma paródia da histórica manchete que um dos jornais cariocas dos Diários Associados estampou para praticamente comemorar o assassinato de Roberto, irmão de Nelson Rodrigues, dentro da redação de A Crítica, fulminado por um tiro disparado pela doidivanas Sílvia Tibau: "JUSTO ATENTADO!" Porque sei que as atualizações aqui estão escassas, mas vai melhorar. Até sábado eu comento alguns livros que li por agora e os filmes candidatos a Oscar que assistimos por esses dias. Ah, criei um novo marcador e atualizei o bloco Na cabeceira aí à direita. Inté. Abaixo, Silvia, Roberto e a resposta de Mário Filho. Fotos do site do programa Linha Direta Justiça, da TV Globo.

16/02/2009

A melhor leitura do fim de semana

No post abaixo, linkei o que li de interessante nos dois jornais que eu e a Jade assinamos: o Estadão e o Diário Catarinense. Agora, linko o melhor texto publicado no fim de semana. Trata-se da transcrição de parte de uma palestra do jornalista Walter Isaacson, que foi editor da revista Time e atualmente é presidente do Instituto Aspen. Isaacson defende que os jornais e as revistas precisam estabelecer uma forma de "micropagamentos" nos seus sites, em lugar de disponibilizar de graça um conteúdo que custa caro produzir. Por exemplo: a edição do New York Times por 10 ou 50 centavos, a Time da semana por 1 dólar. Este sistema teria de ser implantado já e aperfeiçoado com o tempo, até o dia em que teríamos um sistema como o iTunes para comprar notícias, informações e análises. Bem interessante. Como salvar os jornais (e o jornalismo) Walter Isaacson Durante os últimos meses, a crise no jornalismo atingiu proporções de derretimento. Agora é possível contemplar num futuro próximo uma época em que algumas grandes cidades não terão mais seu próprio jornal e as revistas e redes de notícias empregarão apenas um punhado de repórteres. Há, no entanto, um fato chocante e algo curioso a respeito desta crise. Os jornais têm hoje mais leitores do que nunca. O seu conteúdo, assim como o das revistas de notícias e de outros produtores do jornalismo tradicional, é mais popular do que jamais foi - até mesmo (na verdade, especialmente) entre o público jovem. O problema é que um número cada vez menor de leitores está pagando pelo que lê. As organizações jornalísticas estão distribuindo gratuita e alegremente as suas notícias. De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Pew, no ano passado houve uma virada marcante: nos Estados Unidos, as notícias gratuitas disponíveis na internet foram mais procuradas do que os jornais e revistas pagos que publicavam o mesmo conteúdo. Quem pode se espantar com isso? Até mesmo eu, um antigo viciado em publicações impressas, deixei de assinar o New York Times, porque se o jornal não acha justo cobrar pelo acesso ao seu conteúdo, eu me sentiria um tolo pagando por ele. Esse modelo comercial não faz sentido. Continua aqui.

O que saiu de bom nos jornais do fim de semana

No Estadão de ontem: Crise afunda Dubai na decadência Cidade-símbolo do capitalismo árabe está à beira de tornar-se uma cidade fantasma "Obama representa continuidade" Robert Kagan: cientista político; Para um dos principais neoconservadores dos EUA, novo presidente já demonstrou que não dará guinada na política externa Vontade de ferro A insuperável história de vida do lutador de um braço só no sertão baiano No Diário Catarinense de ontem: Memória de Florianópolis Um desafio colossal como tema de casa Uma combinação de métodos ineficientes, infraestrutura precária e falta de projetos mantém o ensino brasileiro como uma vergonha nacional. Algo em comum - crônica de Mário Pereira RSVP - crônica de Luis Fernando Verissimo No Diário Catarinense de sábado: Berbigão e ponto final Fundação volta a ser autônoma Prefeito afirma em audiência que tirará a Franklin Cascaes da Setur Ajuda para livro virar realidade Antes de embolsar os R$ 50 mil do Prêmio Cruz e Sousa, um escritor precisa de tempo livre para se dedicar ao exaustivo trabalho de dar vida aos personagens. No Estadão de sábado: Quando o barulho das escolas de samba atormenta os vizinhos Reclamações subiram 160% desde o meio de 2008; protestos têm a ver com a localização O pecado sempre morou ao lado de Marilyn Monroe e John Kennedy Para François Forestier, a atriz era uma suicida em potencial e a morte do presidente é segredo da CIA Darwin, pensador da cultura Por que ele foi, mais do que cientista, um ponto de virada na história da mentalidade

A crônica de hoje, no DC: A semana

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. A semana A semana começou com uma resolução: caminhar. O Parque de Coqueiros não fica aqui ao lado? Não é bonito, agradável, longe dos temíveis aparelhos de ginástica? Não o frequenta um batalhão de gente sadia? Eu seria mais um. Mas nada de correr. Bastava caminhar, dar umas voltas na pista, olhar a paisagem e ir embora suado. Foi o que fiz na segunda-feira. Mas relutei, é verdade. A velha resistência se manifestou quando olhei o céu cinza, percebi o vento forte às 19h. Mesmo assim, venci as justificativas. Cheguei em casa, vesti uma bermuda, calcei uns tênis velhos de futebol de salão e fui caminhar. Só com a chave de casa no bolso. Enfiei por ruas que nunca percorrera a pé, descobri casas invejáveis. No parque, muita gente. O lugar é incrível. Caminhar olhando o movimento nas pontes, as luzes acenderem-se aos poucos, o céu ficar rosado e depois escuro, os pescadores, as gaivotas, as mulheres que passam por você esbaforidas mas perfumadas, os senhores que trotam circunspetos, os ciclistas... Resultado de três dias de caminhadas contemplativas: uma tremenda dor na panturrilha da perna esquerda e uma grande bolha na sola do pé direito. Na quinta-feira, cheguei a maldizer aquilo tudo. Fui dormir mais cedo. Porque sexta-feira... Sexta-feira fechava a semana com o desfile do Berbigão do Boca. No fim da tarde, ao contrário de segunda-feira, o céu estava límpido, com sol. Um calor danado. O Mercado Público era uma convulsão. Centenas e centenas de pessoas espremiam-se no entorno e nos corredores do mercado. Não havia um banco, uma cadeira, uma beirada de balcão livres nos botecos. Não se registrou também a presença de um único triste, um único melancólico entre foliões e curiosos. Todos exalavam alegria e contentamento. Ouvia-se um burburinho alto, ao som de batuques. Nos banheiros, as pessoas conversavam animadas na fila. Ninguém reclamava do garçom, ninguém recebia o troco errado. Mulheres bonitas, lindas, nunca antes vistas pelas redondezas apareceram para desconcertar os solteiros e fazer suar de preocupação os casados. Como escreveu a Ângela Bastos no DC de sábado, lá estavam “os ricos da rica Ilha, os pobres dos morros empobrecidos, os brancos bronzeados nas praias, os negros descendentes de escravos, as crianças, as moças e as prostitutas, os meninos, os rapazes e os gays”. E até os curiós estavam bêbedos, trôpegos, sôfregos de animação...

12/02/2009

"His name was Jason. And today is his birthday."

Putz, só hoje, a um dia da estreia, descobri que filmaram uma espécie de remake (alguns chamam de epílogo) do Sexta-feira 13! Eu adorava essa franquia. Ia à videolocadora da Elase, alugava duas ou três fitas e passava o fim de semana vendo o Jason espalhar sangue por Cristal Lake. À noite, tinha pesadelos, não conseguia dormir - tudo dentro das "normas" dos filmes de terror. Ano passado aluguei o primeiro filme da série (Friday 13, 1980, de Sean S. Cunningham) e convenci a Jade a assistir comigo. Hoje o filme é cult, tem milhares de sites e muitos (centenas?) livros a respeito. As continuações, pelo que me lembro, são ruins. Fica "bom" (certo, vou usar aspas para elogios) até a parte 3, acho. O resto é bobagem. Amanhã, então, tem a estreia do remake dirigido por Marcus Nispel, o mesmo da refilmagem de O massacre da Serra Elétrica. Pelo trailer (abaixo), a coisa é séria. Eu vou, claro. Porque os jovens irresponsáveis continuam incomodando o sono do velho Jason... "Did you know a young boy drowned here?"

09/02/2009

"O animal agonizante" virou filme!

No campo de comentários da nanopinião 48, de O animal agonizante, de Philip Roth, o internauta D. deixou o link "youtubeano" do trailer de Elegy (2008), nome que deram à adaptação cinematográfica de The Dying Animal. A direção é de Isabel Coixel, de A vida secreta das palavras (2005), que conheço de ouvir falar. Ben Kingsley vive David Kepesh. Parece legal. E tem Penélope Cruz como Consuela Castillo...

A crônica de hoje, no DC: Perdas

Página 7 do caderno Variedades de hoje, no Diário Catarinense. Perdas Você pula, e dança, e sorri, e paquera, e abraça, e chora de felicidade, e bebe champanhe pelo gargalo, e pula sete ondas, e pede a Alguém pelo bem de todos – que o ano novo traga mais dinheiro, mais alegria, mais venturas e aventuras, preserve a saúde, duplique as amizades e, quem sabe, cubra todos de glórias, ainda que fugidias e ilusórias –, recebe mensagens via celular e tentar dar alguns telefonemas apesar de a linha estar ocupada, a rede congestionada e o sinal não pegar direito, e festa e festa e festa e festa até cansar, até ter o corpo banhado de sal e suor e as pernas sujas de areia, tomado por aquele tipo de cansaço que conforta e alivia, e quando se dá conta já estão surgindo, no último risco de mar do horizonte, as primeiras luzes da primeira manhã do ano, que se desenha radiante com o brilho pálido do sol. No dia seguinte acorda-se tarde, de ressaca, mas confiante, e tudo há de dar certo. Melhorar. Progredir. Consagrar. E dessa forma janeiro responde, com chuva ou sol, e vamos lá de novo, para reiniciar o que terminamos no ano passado, dar continuidade ao que deixamos inconcluso, indefinido ou programado. Aí a vida é retomada, você embarca mais uma vez no vagão da rotina, se acomoda mais uma vez na poltrona de sempre, cuja mola solta às vezes lhe cutuca as costas, cujo tecido exala ora o perfume da excitação, ora a morrinha do tédio. Então, quando menos se espera, quando os projetos interrompidos começam a engrenar nos dormentes que os dias úteis enfileiram, uma série de más notícias começa a espocar à sua frente, e à sua volta, e em toda a parte, como os fogos de artifício coloridos da noite de 31 de dezembro – tão alegre, tão radiosa, ainda tão acesa na memória... A verdade do ano vai-se revelando abruptamente, a mostrar que a vida é uma vida só e a mesma do ano anterior, com a diferença de que no momento do assalto você só está mais sensível e esperançoso de que o sentido de tudo é melhorar, é prosperar, e sorrir mais conforme a ferrovia vai ficando mais curta, chegando mais perto do túnel. Um amigo de quem você gostava como a um irmão desaparece do nada, um parente tomba no chão da sala enquanto tenta trocar uma lâmpada, um vizinho senta na escada do jardim e chora a morte de sua mãe. E não há remédio senão reconhecer que este é só mais um ano, e que, quem sabe, o seguinte será diferente. Sempre se dá um jeito.

Mickey Rourke é o cara

Sábado, vimos, no Shopping Itaguaçu, O lutador (The Wrestler, 2008), filme do diretor Darren Aronofsky, do ótimo Réquiem para um sonho (Requiem for a Dream, 2000). Baita filme. Dos candidatos ao Oscar que passaram aqui na cidade, achei o melhor. Mickey Rourke está demais, e tem de ganhar o prêmio de melhor ator. Sean Penn, dizem, fez um trabalho extraordinário em Milk, de Gus Van Sant. Mas ele é jovem, e ainda tem muit Oscar pela frente... A boa notícia é que ontem Rourke ganhou o Bafta. Merecido. Que personagem! Abaixo, o trailer do filme que você precisa ver também:

08/02/2009

Nanopinião 49: Memórias alcoólicas

Memórias alcoólicas, de Jack London – Paulicéia O Dauro Veras acabou de ler O filho eterno, do Cristovão Tezza, e já o elegeu o melhor de 2009. Parece estranho, mas faço aqui o mesmo com Memórias alcoólicas, de Jack London (1876/1916). Eis um livro que, certamente, estará na minha lista de cinco melhores no fim do ano. Publicado em 1913, o livro é uma “autobiografia do alcoolismo” do escritor – doença que, garantia, conseguia dominar. É o melhor livro sobre o assunto que eu conheço, mas no fim London defende a proibição total da bebida como forma de resolver a questão. A Lei Seca, aliás, é o mote do livro. London inicia o relato dizendo que acabou de votar num plebiscito a favor do sufrágio universal apenas para que as mulheres, cansadas de perderem seus esposos, filhos e familiares à ação nociva do álcool, votem a favor da Lei Seca. A partir daí, acompanhamos os primeiros porres do jovem London, filho de agricultores: cerveja aos 5 anos e vinho aos 7, duas das melhores e mais belas passagens do livro. Interessante que o título original do livro é John Barleycorn, que seria o pseudônimo da bebida pescado de uma canção britânica da idade média. O livro abarca dos 5 anos de idade até o estágio atual da vida do escritor (três anos antes de sua morte). Há alguns pulos na cronologia da narrativa, justamente as épocas que estão narradas em O chamado da floresta (a corrida do ouro), De vagões e vagabundos (o período de errância clandestinamente a bordo de trens de carga) e em A travessia do Snark (uma das longas travessias de barco que London fez). Um clássico.

Nanopinião 48: O animal agonizante

O animal agonizante, de Philip Roth – Cia das Letras Este foi o primeiro livro de Philip Roth que peguei para ler. É uma novela narrada pelo professor e crítico cultural David Kepesh, sessentão. Culto, erudito, divorciado, pai de um filho que não o tolera, Kepesh sempre dá um jeito de transar com uma de suas alunas do curso de Crítica Prática. Depois que sai a lista dos aprovados, ele promove uma festa no seu apartamento dúplex e, em meio a bebidinhas, comidinhas, conversinhas, musiquinhas, convence uma das muitas garotas que procuram suas aulas a ficar mais um pouco. Tudo isso nos é contado de maneira muito sedutora, numa prosa elegante. Com um início desses, seguimos adiante. Um dia, surge Consuela Castillo, a filha de imigrantes cubanos que ostenta seios perfeitos. Interessada por assuntos culturais, dedicada às aulas, Consuela vai à tal festinha de fim de curso e fica com Kepesh. E lá se vão oito anos de relacionamento tempestuoso. Quem é o animal do título? Bom, o livro não vai mudar sua vida, e talvez os leitores de mais idade o aproveitem melhor.

05/02/2009

Cinema e literatura

Ontem, comprei Foi apenas um sonho, com subtítulo A Rua da Revolução, de Richard Yates, no qual é baseado o filme de Sam Mendes com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Comecei a ler no ônibus, e é muito bem-escrito. E hoje descobri que a José Olympio reeditou Seis contos da Era do Jazz e outra histórias, de Scott Fitzgerald, cujo conto O curioso caso de Benjamin Button deu origem ao filme homônimo de David Fincher, que ainda não vi. Leia o primeiro capítulo de Foi apenas um sonho aqui, e veja se não é mesmo muito bem-escrito.

A despedida de Mino Carta

Mino Carta completa 60 anos de jornalismo em 2009. Mas largou mão de tudo. Vai dedicar-se à literatura. Lula? Lula "deu para me decepcionar progressivamente". Sarney, Temer e Tarso Genro acabaram por lhe fazer desistir. Ao menos por ora. Leia o texto abaixo, publicado ontem no agora abandonado Blog do Mino - Direto da Olivetti. A despedida Quando escolhi o Brasil como lugar definitivo da minha vida, optei também pelo jornalismo. Existe uma indissolúvel conexão entre as duas atitudes. E explico. Até o golpe de 1964, fui jornalista com séria dedicação profissional. De alguma forma mercenário, no entanto. Diga-se que, depois da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, quando a pressão militar só permitiu a posse de João Goulart, sucessor constitucional, ao forçar a adoção do parlamentarismo, eu ficara de sobreaviso. Mas o golpe se deu também sobre a minha alma e motivou minhas escolhas definitivas. Entendi que fosse meu dever praticar o jornalismo em um país submetido à ditadura imposta pela classe dominante com a inestimável ajuda dos seus gendarmes, e que se uma única, escassa linha da minha escrita sobrasse para o futuro, teria conseguido conferir um mínimo de importância à minha profissão. Faço questão de sublinhar que não agia desta maneira pelo Brasil, e sim por mim mesmo. Quarenta e cinco anos depois, vivo uma quadra de extremo desalento, em contraposição às grandes esperanças alimentadas durante a ditadura. Logo frustradas pela rejeição da emenda das eleições diretas após uma campanha a favor que honra o povo brasileiro. Fez-se, pelo contrário, a conciliação das elites, nos exatos moldes previamente desenhados pelo general Golbery do Couto e Silva. A aposta do Merlin do Planalto estava certa e vale até hoje. Fez-se a conciliação para eleger Fernando Collor e para derrubá-lo. E novamente para eleger Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. A Carta aos Brasileiros assinada por Lula foi uma tentativa de aparar arestas antes do pleito de 2002, aparentemente mal-sucedida, por ter convencido um número bastante diminuto de privilegiados. A conciliação veio depois da posse, a despeito do ódio de classe que até o momento cega a mídia. Continua aqui.

04/02/2009

O tema de Foi apenas um sonho

Alguém aí pode me ajudar? Qual é o tema central, o cerne do bom Foi apenas um sonho (Revolutionary Road), com Leonardo DiCaprio and Kate Winslet? Assisti ao filme ontem, na sessão das 20h do Iguatemi, e ainda não encontrei a palavra certa... Responsabilidade, frustração, medo?

ps. na foto, momento em que o casal está mais feliz do que nunca, após tomar uma decisão que parece ser certo e o melhor para os dois.

Aliás, Kate Winslet, no filme, se chama April. É dela a idéia de vender tudo, largar tudo, para viver em Paris, a cidade em que, segundo DiCaprio, as pessoas "sentem a vida". Isso tem nome: uma canção muito popular nos EUA a partir da década de 30 (o filme se passa nos anos 50). Abaixo, a letra de April in Paris, que a Ella Fitzgerald tão bem "imortalizou". Acho que é uma bela pista para desvendar o tema do filme. Afinal, "April in Paris, this is a feeling that no one can ever reprise". I never knew the charm of spring I never met it face to face I never new my heart could sing I never missed a warm embrace Till April in Paris, chestnuts in blossom Holiday tables under the trees April in Paris, this is a feeling That no one can ever reprise I never knew the charm of spring I never met it face to face I never new my heart could sing I never missed a warm embrace Till April in Paris Whom can I run to What have you done to my heart UPDATE (8h55, quarta-feira): Veja o que encontrei na Wikipedia: Theme In the October 1999 issue of the Boston Review, Yates was quoted on his central theme: "If my work has a theme, I suspect it is a simple one: that most human beings are inescapably alone, and therein lies their tragedy." The Wheeler's frustrations and yearnings for something better represent the tattered remnants of the American Dream. Sobre o livro: "I think I meant it more as an indictment of American life in the 1950s. Because during the Fifties there was a general lust for conformity all over this country, by no means only in the suburbs — a kind of blind, desperate clinging to safety and security at any price, as exemplified politically in the Eisenhower administration and the Joe McCarthy witchhunts. Anyway, a great many Americans were deeply disturbed by all that — felt it to be an outright betrayal of our best and bravest revolutionary spirit — and that was the spirit I tried to embody in the character of April Wheeler. I meant the title to suggest that the revolutionary road of 1776 had come to something very much like a dead end in the Fifties."

03/02/2009

Benicio del Toro, o Che, sob fogo cerrado

O ator (portorriquenho ou porto-riquenho?) Benicio del Toro deu uma entrevista à jornalista Marlen Gonzalez, do telejornal Noticias 41, de uma rede de Miami, onde o filme estreou mundialmente. A mulher, suponho que cubana, estava uma fera. Achou um desrespeito lançarem o filme na cidade, notória por sua numerosa comunidade de exilados cubanos. Del Toro estava "doidão"? Não sabia o que responder mesmo? Sei não, mas fez feio. E a moça é fogo na roupa!

02/02/2009

Ê, Brasil!

Sarney vence por 49 a 32 votos e preside Senado pela 3ª vez (Globo.com). Abaixo, foto da fotobiografia de Sarney publicado pelo UOL. A legenda diz tudo.

Artigo no DC: Gente perigosa na Câmara

Página de opinião da edição de hoje do Diário Catarinense. Gente perigosa na Câmara Flávio José Cardozo Escritor Outro dia, conheci a Câmara de Vereadores. Olhando aquela rampa de acesso, as cascatinhas murmurantes, os painéis, as flores, os balcões, as catracas, as obras de arte, o mobiliário, os parangolés eletrônicos, os gabinetes individuais de nossas excelências, não é possível conter o entusiasmo. Viva! Ainda bem que é assim, enfatizarão os entendidos em alma do povo, imaginando que por trás do meu viva exista alguma ironia. Pois é, ainda bem, não é mesmo? Beleza é fundamental, de feio basta o corre-corre pela sobrevivência e pelo pagamento dos impostos. Somos chegados a brilhos e lantejoulas, um sábio já disse que a pobreza quer ver é luxo, viva então nosso alegre pendor para as aparências! Mas como perdoar um certo item nada risonho que há na Câmara? Refiro-me à sua segurança. Tivéssemos no bairro a metade dela e dormiríamos mais tranquilos. Já na entrada, garbosos sentinelas; dentro, outros mais. O visitante chega a pensar: haverá cavalaria? Oh, my God, veremos a Rainha? Era a sessão que logo depois a Justiça veio a anular por irregularidades. Como o pequeno auditório junto ao plenário já estava lotado (dizem que por serviçais do Poder para evitar a presença de contestadores aos projetos em pauta), subimos a um outro, numa galeria. Maravilha, havia lugares. Mas logo vimos a antipatia das antipatias. Um vidro grosso nos isolava de alto a baixo: víamos de lá a mesa diretora, os excelentíssimos assentos, o surdo crucifixo na parede, as armas reluzentes do município, microfones, computadores, luminárias, mas estávamos numa bolha. Perguntei (em pensamento, pois não adiantaria berrar lá de cima): que medo é esse de um povo sempre tão bonzinho, senhores? Vi a nossa Câmara Municipal. Concluo meu breve registro dizendo que saí dela com uma frustração e um propósito. A frustração é a de não ter visto a Rainha. O propósito é o de tão cedo não botar lá mais os pés. Consideram-me perigoso no ambiente arrumadinho da Câmara. É, minha gente, somos os perigosos... Nós com nossas caras de tolos, desgraçadamente contribuintes.

O +D1 está de volta... ao blog.

Pessoal, apenas hoje, quando fui buscar o banner do +D1 - Coletivo de Blogs Catarinenses na minha barra lateral, é que percebi que o troço havia sumido. Isso deve ter acontecido quando mudei o layout do blog para a nova plataforma do Blogger. Ou seja, há bastante tempo. Agora, para me redimir, o link está aí ao lado, acima de tudo, hehe.

A crônica de hoje no DC: E agora, Salim?

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. E agora, Salim? E agora me digam: o que diabos teremos de fazer para transformar a próxima noite de autógrafos do Salim Miguel em um evento turístico de grande porte, com uma multidão formada por argentinos, paraguaios, gaúchos, paulistas, cariocas e até catarinenses de outras cidades acotovelando-se por uma conversa rápida, uma dedicatória, uma fotografia, uma mecha dos cabelos cada vez mais escassos do octogenário autor de A voz submersa e Nur na escuridão? Porque agora que o prefeito decidiu, e a maioria dos vereadores de Florianópolis aprovou, fazer da Fundação Franklin Cascaes apenas mais um departamento da Secretaria de Turismo, cada artista morador da cidade deveria inscrever-se em um cursinho de guia turístico, reforçar o aprendizado de línguas, antenar-se nas novidades do trade e unir forças à municipalidade na batalha pelo desenvolvimento deste setor que já revelou intelectuais de brilho como Rafael Greca e Walfrido dos Mares Guia. Não é urgente atrair a população mundial para a Ilha da Magia? Ora, sob essa nova orientação das políticas públicas para a cultura, nada melhor do que uma badalada noite de autógrafos do simpático e famoso Salim Miguel para servir de projeto-piloto. Eu escrevi "badalada noite de autógrafos"! Ora, qualquer inauguração de loja de grife, sem a presença de um único turista, é assim classificada pelos colunistas sociais. O objetivo a partir de hoje, portanto, é trabalhar com afinco em campanhas promocionais cada vez mais inovadoras e surpreendentes para os saraus do Salim, até que as suas noites de autógrafos passem a ser chamadas de "feéricas" e "inesquecíveis". Eis a melhor idéia que tive para alcançarmos este novo patamar: realizar o próximo lançamento numa sunset party em Jurerê Internacional, com DJs, open bar, dançarinas contratadas, show pictórico, efetivo da PM. Na semana anterior à grande data, servidores distribuiriam livretinhos com o primeiro capítulo do novo romance aos turistas que desembarcassem no aeroporto Hercílio Luz em vôos charters ou chegassem à cabeceira das pontes em ônibus de excursão. Um anúncio em Veja propagandearia o evento com uma foto do Salim fazendo um gesto de "vem" em frente a um dos nossos afamados beach clubs. Se 70 pessoas comprovadamente turistas participarem, o sucesso será total. Se todas comprarem um livro, a nova Fundação Franklin Cascaes terá superado as expectativas.
 
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