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26/10/2009
Abertura de Stardust Memories, de Woody Allen
Desde que voltei a atualizar o blog, tenho utilizado o espaço de vídeo aí à direita com cenas de filmes de Woody Allen, meu diretor preferido. Hoje, ao lado mas também abaixo, a cena de abertura de Stardust Memories (1980), que saiu em DVD no Brasil há pouco tempo. Magistral, porque o mundo pode mesmo ser muito freak, mas o lixão final nos aguarda... Detalhe: quem aparece no trem ao lado é Sharon Stone, o que torna a situação ainda mais claustrofóbica.
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30/09/2009
"I'm Thru with Love" às margens do Sena
Ontem, na novela global das 21h, Taís Araújo e José Meyer, que estão em lua-de-mel em Paris, fizeram referência à cena abaixo, do filme Everyone says i love you (1996), de Woody Allen. Goldie Hawn canta e eles dançam I'm Thru with Love, e ela flutua! É ótimo.
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20/06/2009
Novo Woody Allen leva pau no NYT
27/05/2009
Extra! O Palhares do Woody Allen!
Como está escrito aí ao lado, prefiro sempre Woody Allen e livros clássicos. Por isso, ontem à noite, sozinho em casa, quando começou a chover, apaguei todas as luzes e revi Hannah e suas irmãs (Hannah And Her Sisters, 1986). Ano passado revi, em abril, e achei muito bonito de novo. Agora, não foi diferente. Como quando relemos ou revemos os clássicos, desta vez percebi outra nuance do filme: há um Palhares, de Nelson Rodrigues, no longa de Woody Allen.
O filme começa com a narração em primeira pessoa de Michael Caine (Elliot), descrevendo o que sente por uma mulher que ele vê passeando para lá e para cá na festa onde ambos estão no momento. A mulher em questão é sua cunhada! Caine é casado com Mia Farrow (Hannah), mas está apaixonado mesmo é pela cunhada: Barbara Hershey (Lee), uma ex-alcoólatra que frequenta reuniões do AA. Nelson Rodrigues dizia que só acreditava "nas pessoas que ainda se ruborizam". Pois Cane, em certo momento, encontra Barbara num quarto e fica roxo de vergonha por estar flertando com ela.
Mia não sabe de nada, claro. Mas o marido de Barbara sabe. Quando Barbara volta da festa achando tudo muito estranho, principalmente porque ficara "tocada" pelo flerte do cunhado, e comenta com Max von Sydow, um pintor casmurro mais velho que ela, que Caine quer trazer alguns colegas para comprar telas suas, o marido responde com algo do tipo "Caine sempre foi apaixonado por você". Ela se ofende, claro.
O tempo passa. Se o Palhares de Nelson é aquele que rouba o beijo da cunhada de camisola no corredor da casa da família, Caine é mais polido. Um dia, ele força um encontro com Barbara na rua. Inventa uma desculpa, diz que está à procura de um sebo da região e a convence a acompanhá-lo. Compra para ela um livro de e.e. Cummings, com o verso
"The voice of your eyes
Is deeper than all roses
Nobody, not even the rain
Has such small hands".
Convida-a para um café a sós. Ela se recusa.
O próximo passo de Caine é fazer o que Palhares cometeu sem pestenejar quando viu a cunhada indefesa no corredor sombrio: tascar-lhe um beijo de tremer paredes. Repito a cena, descrita no post do ano passado: "Michael Cane beija pela primeira vez a cunhada, Barbara Hershey, ao som do melancólico Concerto em Fá Menor de Bach, bela como poucas. O beijo é tão repentino, tão impulsivo, que os dois esbarram na vitrola, a agulha desliza sobre o prato e a música, de romântica, recomeça tensa, nervosa, ao mesmo tempo em que o namorado pintor de Barbara, Max von Sydow, adentra bufando a sala onde eles acabam de se beijar, furioso, despachando um 'rock star' interessado em decorar sua casa em Southampton: 'I'm not interested in what your decorator thinks. You don't buy paintings to blend in with the sofa'". Ela sente repulsa. O "rock star' sai do ateliê indignado com a grosseia do pintor, Caine vai para a rua, nervosíssimo, e para na esquina para telefonar para Barbara. Ela aparece. Ele se declara. Ela acha terrível ouvir aquilo. Ele acha horrível dizer, mas jura que é verdade. Ela admite que possa sentir alguma coisa por ele. Os dois combinam de conversar outro dia. Têm em encontro num hotel, escondidos.
Caine chega em casa e não consegue dormir. Mia está ali, ao seu lado, absorta com a casa, as crianças, os problemas das irmãs e dos pais. Caine não consegue suportar a si mesmo. Como pode fazer aquilo com Mia? Como pode trair sua mulher? Mas não adianta. Quando ele vai ligar para Barbara e dizer que aquela tarde fora um erro, Palhares compungido, Barbara responde que gostou muito e espera a próxima. Caine muda, passa a falar da sua vida com Mia e a família para a cunhada, refestela-se na initimidade cúmplice dela, e Mia não entende por que o marido anda tão nervoso e falando em estar sentindo-se "sufocado", "pressionado" etc.
No final, Caine resiste a tudo e mantém o casamento, acha-se até meio bobo: "Fui um imbecil. Não sei o que deu em mim, com aquela convicção de que não poderia viver sem você". Barbara se casa com um professor de Columbia. Um fim meio redentor para os dois. Mas não terá sido também para Mia, que nunca soube de nada?
Claro que o filme é muito mais rico do que isso. Só o personagem de Woody Allen, o hipocondríaco que escreve e dirige programas humorísticos para a televisão e está certo de que possui um tumor no cérebo, já dá um post. Divertidíssimo. Mas o que saltou da tela, dessa vez, foi a versão nova-iorquina do Palhares rodriguiano.
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27/04/2009
Os filmes do fim de semana...
Jogo Subterrâneo (2005) - Filme de Roberto Gervitz baseado em conto de Julio Cortázar. Com Felipe Camargo e Maria Luísa Mendonça nos papéis principais, Júlia Lemmertz e Daniela Escobar no entorno. Um pianista resolve descobrir a mulher da sua vida no Metrô de São Paulo: ele determina um itinerário, entra no vagão, escolhe uma mulher e torce para que eles desçam na mesma estação. Se der certo, é a mulher certa, caso contrário... Um dia, ele permite, sem querer, que as regras sejam quebradas, o jogo o aprisiona e ele se apaixona. Cortaziano à beça, hein? O filme começa chato, com os diálogos muito ensaiados - "Vai, vai, caminha três passos, vira pra câmera e diz 'Puta que o pariu, porra!'" -, mas depois que se explica qual é o jogo e as câmeras saem do metrô, melhora muito e acaba bem. As pernas - e a atuação, ok - de Maria Luísa merecem destaque no conjunto da obra.
O Caminho das Nuvens (2003) - De Vicente Amorim, de quem nunca ouvira falar, com Claudia Abreu e Wagner Moura. É baseado numa história real, um caminhoneiro desempregado que viajou com a mulher e cinco filhos da Paraíba até o Rio de Janeiro... De bicicleta! Como história, tudo certo. Como filme, sei não. Tem aquele brilho da Globo Filmes que faz de todo sertão uma belezura, ainda que sujo. O filme é sobre a viagem, mas há uma trama familiar, entre pai e filho, bem interessante, que faz valer o filme. Ah, e mudei minha opinião sobre as músicas do Roberto Carlos, o Rei, onipresente no filme inteiro. Esse entende o Brasil. (Wagner Moura sempre está bem, né?)
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23/04/2009
O filme do feriado de Tiradentes...
Estômago (2007) - Comentário bem atrasado, mas é que só agora deu tempo. Descobri João Miguel em Cinema, aspirinas e urubus (2005), num papel coadjuvante muito bem feito. Em Estômago, de Marcos Jorge, ele está brilhante. Duas histórias são contadas paralelamente, e no fim se "encontram", claro. Já vimos isso algumas vezes, foi bom rever: o roteiro escrito a quatro mãos (Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito) é redondo e curioso. O filme dá uma fome danada, mesmo com o fim sinistro, que, acho, pretende embrulhar o estômago. Muito bom. Brasileiro, cheio de prêmios. Yeaah!, hehe.
ps. a Jade escreveu lá no jadices um texto muito "ixperto" sobre o filmão O signo da cidade, da (isso é bem importante) Bruna Lombardi. Aqui.
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20/04/2009
O filme do fim de semana...
Scarface (1983) - Revi, depois de nem sei quantos muitos anos, o filme de Brian De Palma, a atuação memorável, impecável de Al Pacino. "You know what capitalism is? Getting fucked!", brada esse Tony Montana da Cuba comunista que, depois de prosperar em Miami e virar milionário, não aceita que os bancos queiram lhe cobrar 10% de taxas para manter uma fachada de negócio limpo. Com exceção da música, datada mesmo, over, o resto é muito bom. Muito foda. Lá pela metade do filme me dei conta que Robert De Niro e Casino (1995), de Martin Scorsese, devem, e copiam, muito a Al Pacino e Scarface. Só impressão, será?


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13/04/2009
Os filmes do feriado...
O escafandro e a borboleta (Le Scaphandre et le Papillon, 2007) - Intimista e claustrofóbico, o filme de Julian Schnabel - o mesmo diretor do ótimo Antes que anoiteça (2000), com Javier Bardem. Neste, o editor-chefe da revista Elle sofre um AVC, fica três semanas em coma e, quando acorda, só consegue mexer os olhos. Internado num hospital de inválidos no Sul da França, com a ajuda de uma fisioterapeuta e de uma fonoaudióloga, consegue escrever um livro. A ex-mulher do personagem principal é a Emmanuelle Seigner, que eu não via desde Lua de fel... Muito bom, e como é cruel a medicina.
Fim dos tempos (The Happening, 2008) - Filme mais recente do chato M. Night Shyamalan. É bem legal. Um dia, começa uma ventania no Central Park, o tempo congela e as pessoas começam a sucidar-se. Em questão de horas, uma série de suicídios é registrada em toda a costa Leste americana. As cidades grandes começam a ser evacuadas, porque desconfia-se de um ataque terrorista com toxinas que alteram o comportamento. Paranoia total. Me pareceu um filme sobre o pós-11 de setembro, sei lá. Simplesmente não há explicação para as mortes. Como em Os pássaros (dica da Jade), uma hora pára de ventar e ninguém mais se mata. Bem melhor que A dama na água (2006).
O signo da cidade (2008) - O melhor do feriado. Foi escrito por Bruna Lombardi e dirigido pelo marido dela, o Carlos Alberto Riccelli (ela teve a sensibilidade de não colocá-lo na frente da tela!). Achei muito bom. O filme ganhou alguns prêmios em festivais em Brasília, Goiânia e Manaus. É sobre a solidão, e sobre São Paulo, e sobre o amor, e sobre a perda. Muito bom mesmo. Se você não quer se ajudar, ajude alguém, pelo menos. E como Bruna é bonita...
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24/03/2009
Os filmes do feriado...
Dia dos Namorados Macabro (My Bloody Valentine Day 3D, 2009) - Primeira vez que fomos à sala 3D do Cinemark, no Floripa Shopping. É muito, muito legal. O filme, não. Violento ao extremo, gratuitamente violento. É picareta na cabeça de incautos a todo momento. Nada do que eu lembrava do sombrio filme de 1981, que vi quando era pequeno e fiquei, claro, assustadíssimo com o sujeito vestido de mineiro tocando o terror na mina abandonada. Mas valeu pelo 3D. Segundo a Jade, levei todos os sustos previstos no roteiro. De fato, pulei da poltrona muitas vezes. Valeu cada centavo.
Bee Movie - A História de uma Abelha (Bee Movie, 2007) - Animação da Dreamworks feita a partir de uma idéia de Jerry Seinfeld. Engraçadissímo. Conta a história de Barry B. Benson, uma abelha que não quer iniciar sua vida profissional na colmeia antes de conhecer o mundo lá fora, no caso Nova York, e mais de perto o Central Park. Quando enfim consegue sair da colmeia, Barry conhece Vanessa, uma florista, por quem se apaixona. então, a abelha descobre que a humanidade comercializa mel e mantém fazendas de criação de abelhas etc. e resolve processar a humanidade por apropriação indébita e trabalho escravo. Muito bom.
Sexta-feira 13, partes 2, 3 e 4 (Friday the 13th) - Ruins, ruins. Nenhum deles comparável ao original de 1980, no qual há uma boa carga de suspense à moda antiga. Um detalhe: a parte 3 foi lançada em uma versão 3D, em 1982. Foi essa a que assisti, entusiasmado com a sessão no Floripa Shopping. Mas em casa não é a mesma coisa, os óculos (uma "lente" verde e outra vermelha) são fraquinhos. Interessante que os recursos 3D deste filme são os mesmos do Dia dos Namorados Macabro de 2009! Ou seja, no quesito terror, a técnica do 3D ainda é incipiente, resume-se a objetos voando na sua direção.
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16/03/2009
O filme do fim de semana
Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) - Estava lendo o muito bom A tarde da sua ausência, de Carlos Heitor Cony, quando lembrei que o meu amigo Paulo Evangelista me emprestara o DVD do famoso e festejado filme de David Linch. Chamei a Jade, que já o assistira duas vezes há muitos anos, e lá fomos, eu cheio de expectativas. Tsc tsc tsc. Pobre de mim que não enxergo bem. Isabella Rossellini está feia - a filha de Ingrid Bergman está feia! É demais. Nem da música eu gostei. Numa palavra, freak. Vou rever Mulholland Dr. (2001) para recuperar a fé no homem.
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12/03/2009
Um vídeo de Woody Allen: Bananas (1971)
De Bananas, filme antigo, recentemente lançado em DVD no Brasil. É paulada à direita e à esquerda, muito divertido. A cena abaixo mostra um dos líderes revolucionários de San Marcos, ilhota no Caribe, chegando em visita diplomática aos EUA.
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08/03/2009
Os filmes do domingo
O operário (The Machinist, 2004) - Com Christian Bale e Jennifer Jason Leigh, o filme é um suspense psicológico parecido com um estudo do diretor Brad Anderson sobre Hitchcock: as perseguições de carro e alucinações de Vertigo, a banheira de Psicose, a música e os efeitos sonoros à Bernard Herrmann. Foi minha opinião quando acabou o filme, e uma busca "The Machinist" + Hitchcock no Google não deixou dúvidas. Agora, será que a magreza de Bale é real, resultado de uma dieta quase suicida, ou efeito especial?
Não estou lá (I'm Not There, 2007) - Com Cate Blanchett, Christian Bale (coincidência!), Richard Gere e o finado Heath Ledger, é a cinebiografia de Bob Dylan. Gostei bastante do filme dirigido por Todd Haynes, apesar de não conhecer mais que duas ou três músicas de Dylan, e ignorar completamente a sua biografia. (Aliás 1: deu vontade de ler Dylan, de Howard Sounes, editado pela Conrad, que está na estante aqui de casa. Aliás 2: esta biografia está num lista do jornal inglês The Independent como uma das 10 melhores "rock biographies" de todos os tempos.) A atuação de Blanchett é fora do comum. Que atriz.
Não estou lá (I'm Not There, 2007) - Com Cate Blanchett, Christian Bale (coincidência!), Richard Gere e o finado Heath Ledger, é a cinebiografia de Bob Dylan. Gostei bastante do filme dirigido por Todd Haynes, apesar de não conhecer mais que duas ou três músicas de Dylan, e ignorar completamente a sua biografia. (Aliás 1: deu vontade de ler Dylan, de Howard Sounes, editado pela Conrad, que está na estante aqui de casa. Aliás 2: esta biografia está num lista do jornal inglês The Independent como uma das 10 melhores "rock biographies" de todos os tempos.) A atuação de Blanchett é fora do comum. Que atriz.
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02/03/2009
Os filmes do fim de semana
- Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário?) - os 2/3 iniciais do filme são excelentes, de primeira; a parte final, não. Começa poderoso, termina mamão com açúcar (ainda que de maneira coerente: os 3 mosqueteiros, um por todos e todos por um etc.).
- Freddy vs. Jason - uma idéia muito boa atirada no lixo (considere o contexto da série, ok? Por falar nisso, espie a série 12 Days of Friday, do Rotten Tomatoes. Para quem curte, é demais!).
- Rumble Fish (O selvagem da motocicleta) - Mickey Rourke rules!
- Rachel Getting Married (Raquel vai casar) - Anne Hathaway está bem mesmo. O filme se parece a Festen (Festa em família) - acho que li isso em algum lugar - e tem um trilha duca.
Abaixo, trailers de Rachel e Slumdog:
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22/02/2009
Sobre os candidatos a Oscar...
Hoje à noite ocorre a cerimônia de entrega do Oscar. Sexta, rolou a pré-estréia de Slumdog millionaire. Não fomos ver. Dos cinco concorrentes a melhor filme, só assistimos a O leitor (The reader) e O curioso caso de Benjamin Button (The curious case of Benjamin Button) – os mais fracos, ou menos bons, segundo li na imprensa brasileira e norte-americana. Os outros dois indicados, Frost/Nixon e Milk, foram muito elogiados e são concorrentes à altura do favorito Slumdog. Tomara que nas próximas semanas os filmes estréiem por aqui. Vimos ainda a O lutador (The Wrestler) e Foi apenas um sonho (Revolutionary Road). Abaixo, comento os filmes por, digamos, ordem crescente – do mais ou menos ao melhor.
Benjamin Button – Amigos e crítica me encheram de expectativas para o filme de David Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett. Entramos na sala de cinema com uns cinco minutos de atraso, e a Jade me fez sair para verificar se estávamos na sala certa. Quando a história de Button enfim começou, as dúvidas aumentaram. Fiquei um pouco constrangido com aquele velhinho, as situações em que se metia etc. e o ar cômico de cada cena. Uma hora olhei para a Jade e sussurrei: “Freak”, e ela concordou. Conforme o personagem rejuvenesce, o filme torna-se sério, melhora muito. O tour de Button pelo mundo, a bordo de um navio (algo assim meio Jack London, meio Herman Melville), achei o ponto alto do filme. No geral, não me emocionou, nem me fez pensar ou repensar alguma coisa. No estacionamento, já conversávamos sobre outro assunto.
O leitor – Saí da sessão gostando muito do filme. Principalmente de Katie Winslet e do garoto David Kross. A editora Record publicou o romance do escritor alemão Bernhardt Schilink, mas não me atrevo a comprá-lo, apesar de ter achado a história engenhosa, muito bem bolada. Saí da sessão também com a certeza de que o filme não faz concessões ao nazismo. Pelo contrário: as cenas de tribunal me convenceram de que ali todos tinham consciência de que o caso era sério, uma ferida pustulenta que teima reabrir de vez em quando e à qual não há remédio senão escarafunchá-la, por mais nojenta, até que um dia cicatrize de vez. Mas me incomodou ver (mais uma vez) aventada a hipótese de que os alemães, em geral, não sabiam de nada nem tomavam conhecimento das atrocidades nos campos de concentração etc. Esta idéia maluca que paira no filme é o que fez Ron Rosenbaum, na revista eletrônica Slate, escrever o seguinte: “If I hadn't used the locution so recently, I would be certain to call The Reader ‘The Worst Holocaust Film Ever Made’". Leia, é demolidor, e dá o que pensar.
Foi apenas um sonho – Gostei demais. O enredo, as atuações, a falta de redenção no fim. Como escrevi no dia seguinte aqui no blog, ainda hoje não sei o tema do filme. Já ouvi e li muitas opiniões – demasiadas expectativas com o outro, comodismo, medo, somente um caso de amor. Nenhuma me convenceu. Fui à livraria e comprei o livro de Richard Yates, editado pela Alfaguara. Estou quase no fim, e é excelente. Muito bem-escrito. Na Wikipédia, encontrei o treho de uma entrevista de Yates em que ele explica o título do livro – Rua da Revolução – e dá uma pista sobre seu tema. Assim que terminar o livro, comento aqui.
O lutador – O melhor deles. Mickey Rourke faz o filme como o lutador de luta-livre Randy "The Ram" Robinson. Se tudo der certo, ele vencerá o prêmio de melhor ator. O filme de Darren Aronofsky – diretor de Réquiem para um sonho (2000) – é verdadeiro, simples e pesado. Para Randy, não há nada a fazer senão subir no ringue e humilhar-se por 200 dólares. É a única coisa que ama e sabe fazer. Há uma cena em que ele convida um garoto seu vizinho para jogar Pro Wrestling, o clássico joguinho do console Nintendo 8 bits. O rapaz até joga, mas sem prazer nenhum: o bom, agora, é jogar Call of Duty, que no último upgrade transferiu o campo de batalha da Europa da Segunda Guerra para os desertos do Iraque. Mickey Rourke faz uma cara... Pudera: a última luta de sua carreira será contra o Haiatolá (iraquiano), grande amigo seu dos anos 80... Como diz Randy a certa altura: “Os anos 80 foram o máximo. Aí veio o Kurt Cobain e estragou tudo”, ou algo do tipo. A cena do “acidente” no supermercado também é irretocável. Filmaço. Veja o trailer abaixo.
ps. e viva Wall-e, claro!
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12/02/2009
"His name was Jason. And today is his birthday."
Putz, só hoje, a um dia da estreia, descobri que filmaram uma espécie de remake (alguns chamam de epílogo) do Sexta-feira 13! Eu adorava essa franquia. Ia à videolocadora da Elase, alugava duas ou três fitas e passava o fim de semana vendo o Jason espalhar sangue por Cristal Lake. À noite, tinha pesadelos, não conseguia dormir - tudo dentro das "normas" dos filmes de terror. Ano passado aluguei o primeiro filme da série (Friday 13, 1980, de Sean S. Cunningham) e convenci a Jade a assistir comigo. Hoje o filme é cult, tem milhares de sites e muitos (centenas?) livros a respeito. As continuações, pelo que me lembro, são ruins. Fica "bom" (certo, vou usar aspas para elogios) até a parte 3, acho. O resto é bobagem. Amanhã, então, tem a estreia do remake dirigido por Marcus Nispel, o mesmo da refilmagem de O massacre da Serra Elétrica. Pelo trailer (abaixo), a coisa é séria. Eu vou, claro. Porque os jovens irresponsáveis continuam incomodando o sono do velho Jason...
"Did you know a young boy drowned here?"
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09/02/2009
"O animal agonizante" virou filme!
No campo de comentários da nanopinião 48, de O animal agonizante, de Philip Roth, o internauta D. deixou o link "youtubeano" do trailer de Elegy (2008), nome que deram à adaptação cinematográfica de The Dying Animal. A direção é de Isabel Coixel, de A vida secreta das palavras (2005), que conheço de ouvir falar. Ben Kingsley vive David Kepesh. Parece legal. E tem Penélope Cruz como Consuela Castillo...
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Mickey Rourke é o cara
Sábado, vimos, no Shopping Itaguaçu, O lutador (The Wrestler, 2008), filme do diretor Darren Aronofsky, do ótimo Réquiem para um sonho (Requiem for a Dream, 2000). Baita filme. Dos candidatos ao Oscar que passaram aqui na cidade, achei o melhor. Mickey Rourke está demais, e tem de ganhar o prêmio de melhor ator. Sean Penn, dizem, fez um trabalho extraordinário em Milk, de Gus Van Sant. Mas ele é jovem, e ainda tem muit Oscar pela frente... A boa notícia é que ontem Rourke ganhou o Bafta. Merecido. Que personagem!
Abaixo, o trailer do filme que você precisa ver também:
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09/10/2008
Woody Allen, quase completo em DVD no Brasil
Abro o e-mail pela manhã e recebo o banner abaixo, encaminhado pela Daise Ribeiro, do Ipsis Litteris, com uma mensagem carinhosa do tipo "aposto que você vai gostar". E como não??? A 2001 Vídeo lança caixa exclusiva com três filmes de Woody Allen inéditos em DVD no Brasil.
Entre 2006 e 2007, virei do avesso videolocadoras e sebos de Florianópolis e de onde mais estive, a trabalho ou em férias. Radio Days e Broadway Danny Rose encontrei em VHS, escondidos em estantes do alto, com as caixinhas originais e tal. Mas Stardust Memories, nem sinal, em lugar nenhum. Sequer o Carlão, da finada RaroEfeito, conseguiu localizar Memórias. Mais tarde, baixei, mas não encontrei legendas.
Agora só falta sair em DVD Bullets Over Broadway, Manhattan Murder Mystery, Husbands and Wives, Shadows and Fog, Alice, September, Play it Again, Sam, Bananas e Take the Money and Run - que tenho em VHS. Mas...
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25/08/2008
Um fim de semana de muitos filmes
Entre as noites de sexta-feira e de ontem, assisti, em DVD ou no cabo, a seis filmes, alguns com a Jade. Um recorde que, creio, não vou (vamos) conseguir superar este ano. É que a cabeça estava cheia de trabalho, trabalho, trabalho, havia quase dois meses. Nesse tempo, nada de livros ou filmes, produtos culturais. Esse vazio é pernicioso, você vai embrutecendo, alienando-se e, quando se dá conta, tem cabelo saindo pelo nariz. Então, nesse fim de semana, desforra: fiz a barba, me recompus e me sentei no sofá. Até o próximo domingo, espero recuperar as leituras (minha última nanopinião é do dia 1º de julho!). Abaixo, um roteirinho do que vi, com nanopiniões:
Sexta-feira/Sábado
Jogos Mortais 2 (2005, Saw 2) – Ruim. Peguei porque vi o primeiro da série (já está no quinto!), e gostei do roteiro. A última cena de JM me impressionou. Mas a continuação é ruim. Para a Jade, consegue ser mais moralista que o assassino canceroso. É do Darren Lynn Bousman. Não arriscarei o 3.
O buraco (2001, The hole) – Bacaninha. É do Nick Hamm, com Thora Birch e Keira Knightley. A primeira faz uma maluca convincente. Legal cotejar as duas versões do que aconteceu no abrigo antibombas...
Corpo fechado (2000, Unbreakable) – É do M. Night Shyamalan, com o Bruce Willis e o Samuel L. Jackson. Revi, e continuo não gostando. É óbvio que se Jackson acredita que existe um antípoda dele, "unbreakable", e que este antípoda é um herói, logo... Mas confesso que não saquei, nem antes, nem agora.
Sábado
Chaplin (1992) – Bonito. Bom para não esquecer o gênio, e gênio caçado à paulada... Viu a Grande Depressão arrasando empregos e fábricas, mas nas ruas o povão faminto vinha lhe pedir autógrafos e não dinheiro - sufocado, fez Tempos modernos. Em 1938, filmou O grande ditador, desafiando 1) o desinteresse do norte-americano à possibilidade de uma Segunda Guerra Mundial e 2) a tolerância da elite norte-americana a Hitler. Ainda sobre O grande ditador, incomodava a Chaplin pôr Carlitos falando, cruzando a fronteira do cinema mudo. "Se é para falar, que fale algo em que acredito de verdade" - e escreveu, ele mesmo, o discurso memorável. É do Richard Attenborough, com Robert Downey Jr. e Anthony Hopkins. Fotografia do Sven Nykvist.
Uma história simples (1999, The straight story) – O melhor filme do fim de semana. Que susto levei quando o filme começou com um "a Walt Disney production". Porque é do David Linch! Conta a história de Alvin Straight, que no dia 5 de julho de 1994 iniciou uma viagem de Laurens, no Iowa, até Monte Zion, no Wiscosin, dirigindo um cortador de grama. Richard Farnsworth, que ator. Lindo.
Domingo
Um beijo roubado (2007, My blueberry nights) – Muito fraco. Ruim mesmo. Quase não pára em pé. É do Wong Kar-Wai, com Jude Law e Norah Jones. A trilha escapa, acho, e por causa do Ottis Redding. Só.
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22/07/2008
Porque a arte salva
Só hoje assistimos ao excepcional A vida dos outros (Das Leben der Anderen, 2006) – do diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck –, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano passado. Li no blog do Luiz Carlos Merten que esse foi o último trabalho do ator que interpretou o agente da Stasi (polícia secreta da Alemanha Oriental), Ulrich Mühe, morto exatamente há um ano: 22 de julho. Ele está imbatível. O filme conta a história da devassa que Ulrich (na foto acima) faz na vida de um escritor – suspeito de ser pró-Ocidente, subversivo – e de sua namorada problemática na sufocante, intolerável Alemanha comunista. No fim, é preciso dizer, a arte salva – como sempre, como deve ser.
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