O rei da noite, de João Ubaldo Ribeiro - Objetiva
Crônica é um gênero safado mesmo. Ler esta nova coletânea do João Ubaldo Ribeiro me fez lembrar que João Ubaldo Ribeiro é um cronista muito, muito divertido. É assim mesmo: por melhor que você considere o cronista, de tanto lê-lo todo dia ou toda semana, chega uma hora em que a gente se cansa do sujeito, e para de ler. Simples: para mesmo, lê o título, quem sabe, e pula de página. Eis justamente uma das maravilhas das coletâneas, para além de arranjar um dinheirinho para o pobre autor. A cada crônica excelente que eu lia - em especial as feitas só de diálogos, no boteco -, pensava: "Mas como eu não leio o Ubaldo há meses no Estadão de domingo que chega a minha casa toda semana!?!". É assim mesmo. E acho - acho não, tenho certeza - que não li a crônica de ontem.
Mostrando postagens com marcador Nanopinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nanopinião. Mostrar todas as postagens
22/06/2009
Nanopinião 53: O rei da noite
O rei da noite, de João Ubaldo Ribeiro - Objetiva
Crônica é um gênero safado mesmo. Ler esta nova coletânea do João Ubaldo Ribeiro me fez lembrar que João Ubaldo Ribeiro é um cronista muito, muito divertido. É assim mesmo: por melhor que você considere o cronista, de tanto lê-lo todo dia ou toda semana, chega uma hora em que a gente se cansa do sujeito, e para de ler. Simples: para mesmo, lê o título, quem sabe, e pula de página. Eis justamente uma das maravilhas das coletâneas, para além de arranjar um dinheirinho para o pobre autor. A cada crônica excelente que eu lia - em especial as feitas só de diálogos, no boteco -, pensava: "Mas como eu não leio o Ubaldo há meses no Estadão de domingo que chega a minha casa toda semana!?!". É assim mesmo. E acho - acho não, tenho certeza - que não li a crônica de ontem.
Marcadores:
Nanopinião
16/06/2009
Nanopinião 52: O homem na varanda do Antonio's
O homem na varanda do Antonio's, de Carlinhos de Oliveira - Civilização Brasileira
Apesar de ter na estante já há algum tempo quatro volumes de crônicas do capixaba José Carlos Oliveira, todos editados pela Civilização Brasileira, só no início do ano li um deles. Trata-se de um excelente cronista boêmio. O homem na varanda do Antonio's reúne textos sobre a vida do cronista nos bares da cidade do Rio de Janeiro das décadas de 60 e 70. Ou seja: um passeio pelo paraíso. As crônicas foram publicadas no Jornal do Brasil, então uma potência jornalística, e organizadas pelo jornalista Jason Tércio. Curiosidade: Laudelino José Sardá, que era o coordenador do curso de Jornalismo da Unisul na minha graduação, trabalhou com Carlinhos no JB. Sardá me contou que foi a condessa Pereira Carneiro, proprietária do jornal, quem bancou o tratamento do alcoolismo de Carlinhos na Europa, mas que, quando ele voltou, ninguém o suportou abstêmio. Ele mesmo deve ter concordado, porque voltou a beber e morreu pouco depois.
Marcadores:
Nanopinião
09/06/2009
Nanopinião 51: Foi apenas um sonho (Rua da Revolução)
Foi apenas um sonho (Rua da Revolução), de Richard Yates - Alfaguara
Em 2007, após assistir ao filme Perfume - A História de um Assassino (Perfume: The Story of a Murderer, 2006), dirigido por Tom Tykwer, fui correndo à livraria comprar o romance O Perfume, de Patrick Süskind, em que o roteiro se baseou. E me dei mal. O livro parece que foi reeditado às pressas pela Record, com uma tradução duvidosa e erros de digitação e gramática. Ainda não gostei nem do estilo nem do narrador: lembro de ter pensado que Victor Hugo deveria ter escrito aquele livro.
Ano passado, assisti a Desejo e Reparação (Atonement, 2007), dirigido por Joe Wright, e também fui à livraria comprar o livro Reparação, de Ian McEwan. Foi uma das melhores aquisições de 2008 para a biblioteca aqui de casa. O livro é uma obra-prima, e McEwan entrou para o meu "panteão". Leia a nanopinião aqui.
No início de 2009, um dos melhores filmes que vi dos concorrentes ao Oscar foi Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008), dirigido por Sam Mendes. Arrisquei de novo comprar o livro no qual o filme se baseia, e me dei muito bem. Foi apenas um sonho (Rua da Revolução), de Richard Yates, é digno do elogio de Nick Hornby, para quem "a obra de Yates é tão brilhante e facetada quanto a Trilogia do Coelho, de John Updike, e tão melancólica quanto a de Scott Fitzgerald", e de Tennessee Williams, que considera o livro "uma obra-prima".
O casal Frank e April Wheeler, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet no cinema, tem dois filhos e acaba de se mudar para uma grande casa num bairro afastado da agitada Nova York dos anos 50, onde ele faz um trabalho tedioso numa empresa em que seu pai passou a vida no anonimato. A residência fica na Revolutionary Road, a grande ironia do livro. Eis a explicação que o autor deu em uma entrevista, resgatada por mim da Wikipedia quanbdo especulava, aqui no blog, sobre qual seria de fato o tema do filme:
"I think I meant it more as an indictment of American life in the 1950s. Because during the Fifties there was a general lust for conformity all over this country, by no means only in the suburbs — a kind of blind, desperate clinging to safety and security at any price, as exemplified politically in the Eisenhower administration and the Joe McCarthy witchhunts. Anyway, a great many Americans were deeply disturbed by all that — felt it to be an outright betrayal of our best and bravest revolutionary spirit — and that was the spirit I tried to embody in the character of April Wheeler. I meant the title to suggest that the revolutionary road of 1776 had come to something very much like a dead end in the Fifties."
As diferentes ambições e os diferentes sonhos de Frank e April, para o casamento e para a vida, vão se revelando nos pequenos gestos e nas pequenas decisões que precisam tomar no dia a dia. April convence o marido a largar o emprego de merda, vender a casa e o carro e ir viver em Paris com as crianças. Frank resiste, ou finge que resiste, e quando toma a decisão de arriscar a viagem, recebe uma promoção no trabalho e passa a ser tratado com a atenção e o prestígio que nunca recebera e pelos quais seu pai morreu de velho tentando conquistar. A cena em que Frank conversa com o dono da empresa em um restaurante chique de NY é antológica.
Foi Apenas um Sonho (Rua da Revolução) foi o primeiro romance de Richard Yates. Com todo aquele talendo para contar histórias com frases que não se encontra facilmente por aí, ele nem precisaria ter escrito mais. Deixou um livraço.
Marcadores:
Nanopinião
21/04/2009
Nanopinião 50 (!): 1808
1808, de Laurentino Gomes - Planeta
Feriado de Tiradentes, escreverei sobre 1808. Demorei para puxar da estante, sentar e ler. Quando o fiz, terminei em quatro ou cinco noites. É muito bem escrito. Claro, o livro vendeu mais de 500 mil cópias, acho, por causa da passagem dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil, e nada melhor do que ler sobre como foi a fuga da metrópole e o desembarque na colônia no dito "calor da hora", apesar de quase tudo ali já ser de conhecimento de quem estuda História no colégio. Acontece que o texto é muito bem escrito mesmo, e é notória a dificuldade que a maioria dos professores e historiadores tem para escrever um texto palatável ao leitor médio. Eis um trunfo decisivo, penso, para o sucesso do livro de Laurentino Gomes, jornalista que por muitos anos trabalhou praticamente anônimo na editora Abril. (Hoje, parece, depois de vender áudiobook, DVD, edição especial para jovens, kit com tudo isso reunido, ele largou a empresa para se dedicar apenas à faina de escrever livros. Sortudo.)
Trata-se de uma longa narrativa de fatos históricos, uma mescla da forma jornalística da reportagem com o rigor do respeito à História - não faz sentido esperar ficção, boa ou má, de um livro desses. E a escolha é muito consciente: de quando em quando, o autor faz referências aos "livros de história", colocando-se à parte da historiografia "oficial" do assunto. Pode ser birra de jornalista, ou medo de se meter em áreas que sejam do domínio da academia - tome-se como exemplo o pau que outros jornalistas já levaram ao fazer o mesmo -, mas foi a escolha do autor. O último capítulo, por exemplo, nem é interessante, mas reforça a ideia de que Laurentino prefere ficar do lado do jornalismo sempre: revela, pela primeira vez, com informações descobertas na internet - uma ferramenta indispensável ao jornalista de hoje! - detalhes de um personagem que participou de toda a saga da fuga-chegada-estabelecimento da corte no Brasil e que livro algum, pesquisador algum, pergaminho algum preservara em arquivo algum. Me pareceu ironia. Só pareceu, claro, porque Laurentino presta a toda hora suas homenagens a dezenas de historiadores brilhantes.
Mas o que será desperta mais a curiosidade do leitor de 1808? A descrição da sociedade portuguesa na época da invasão das tropas francesas? Do jeito de ser de D. João e Carlota Joaquina que já mais ou menos conhecemos do cinema? Da longa viagem da esquadra de XX naus que rumaram superlotadas para o Brasil em desabalada carreira? De como eram as cidades de Salvador (primeira parada) e Rio de Janeiro? Provavelmente isso tudo junto. Mas o que mais impressiona no livro é acompanhar a formação da elite brasileira, as pistas que Laurentino dá para que possamos adivinha o quê, daqueles tempos, permanece como praxe da nossa elite e da nossa classe dirigente atual. É assustador olhar de perto o Brasil de 1808 - cheio de capitães-do-mato, fazendeiros de açúcar, exploradores de minas, pequenos comerciantes, traficantes de escravos, todos eles precariamente alfabetizados, ignorantes das culturas já desenvolvidas de outros países - e ver que essa gente foi quem passou a dar as cartas enquanto a Universidade de Coimbra não nos fornecia cabeças pensantes em bom número. De repente, tínhamos condes, marqueses, barões oficializados, em profusão. De repente, o estado brasileiro "nascia" com 15 mil empregados (nos EUA, quando da transferência da capital da Filadélfia para Whashington, eram 1000), mantidos pela corte na base do aumento de impostos, do tráfico, de explorações de todo tipo etc.
No fim das contas, foi o que D. João, inseguro, medroso, conseguiu fazer: uma elite tosca, mas também demarcar limites geográficos, erigir banco, biblioteca, faculdades, imprensa, instituições. De um matagal de 300 anos, ele praticamente fez um país. Em uma década, e depois fugiu - o que não deixa de ser bem brasileiro.
ps. esta é a 50ª nanopinião no blog!
Marcadores:
Nanopinião
08/02/2009
Nanopinião 49: Memórias alcoólicas
Memórias alcoólicas, de Jack London – Paulicéia
O Dauro Veras acabou de ler O filho eterno, do Cristovão Tezza, e já o elegeu o melhor de 2009. Parece estranho, mas faço aqui o mesmo com Memórias alcoólicas, de Jack London (1876/1916). Eis um livro que, certamente, estará na minha lista de cinco melhores no fim do ano. Publicado em 1913, o livro é uma “autobiografia do alcoolismo” do escritor – doença que, garantia, conseguia dominar. É o melhor livro sobre o assunto que eu conheço, mas no fim London defende a proibição total da bebida como forma de resolver a questão. A Lei Seca, aliás, é o mote do livro. London inicia o relato dizendo que acabou de votar num plebiscito a favor do sufrágio universal apenas para que as mulheres, cansadas de perderem seus esposos, filhos e familiares à ação nociva do álcool, votem a favor da Lei Seca. A partir daí, acompanhamos os primeiros porres do jovem London, filho de agricultores: cerveja aos 5 anos e vinho aos 7, duas das melhores e mais belas passagens do livro. Interessante que o título original do livro é John Barleycorn, que seria o pseudônimo da bebida pescado de uma canção britânica da idade média. O livro abarca dos 5 anos de idade até o estágio atual da vida do escritor (três anos antes de sua morte). Há alguns pulos na cronologia da narrativa, justamente as épocas que estão narradas em O chamado da floresta (a corrida do ouro), De vagões e vagabundos (o período de errância clandestinamente a bordo de trens de carga) e em A travessia do Snark (uma das longas travessias de barco que London fez). Um clássico.
Marcadores:
Nanopinião
Nanopinião 48: O animal agonizante
O animal agonizante, de Philip Roth – Cia das Letras
Este foi o primeiro livro de Philip Roth que peguei para ler. É uma novela narrada pelo professor e crítico cultural David Kepesh, sessentão. Culto, erudito, divorciado, pai de um filho que não o tolera, Kepesh sempre dá um jeito de transar com uma de suas alunas do curso de Crítica Prática. Depois que sai a lista dos aprovados, ele promove uma festa no seu apartamento dúplex e, em meio a bebidinhas, comidinhas, conversinhas, musiquinhas, convence uma das muitas garotas que procuram suas aulas a ficar mais um pouco. Tudo isso nos é contado de maneira muito sedutora, numa prosa elegante. Com um início desses, seguimos adiante. Um dia, surge Consuela Castillo, a filha de imigrantes cubanos que ostenta seios perfeitos. Interessada por assuntos culturais, dedicada às aulas, Consuela vai à tal festinha de fim de curso e fica com Kepesh. E lá se vão oito anos de relacionamento tempestuoso. Quem é o animal do título? Bom, o livro não vai mudar sua vida, e talvez os leitores de mais idade o aproveitem melhor.
Marcadores:
Nanopinião
18/01/2009
Nanopinião 47: Fazendo as malas
Fazendo as malas, de Danuza Leão - Cia. das Letras
Li Fazendo as malas na tarde do dia 1, de férias, na Cachoeira do Bom Jesus. Só conhecia o texto de Danuza Leão das crônicas que ela escreve para a Folha de S. Paulo. O livro tem o mesmo tom, porque não é literatura, mas relatos ligeiramente afetados de viagens a Lisboa, Paris, Roma e Sevilha. Leitura rápida, às vezes divertida. "Mulherzinha", OK, mas a descrição de restaurantes, dos pratos e do serviço de alto nível dos lugares onde almoçou ou jantou vale a pena. O mais é roupa, sapato, jóias e "leis" de etiqueta e bom gosto. Esperava uma Danuza mais contida, mais classuda. O bom do livro mesmo é o serviço completo dos lugares citados na "reportagem". Pode ser útil um dia, se um dia tivermos os milhares de euros de que ela dispõe para se divertir na Europa.
Leia mais nanopiniões:
Suave é a noite, de F. S. Fitzgerald
Em Brasília, 19 horas, de Eugênio Bucci
Esquetes de Nova Orleans, de William Faulkner
Tribulações de um chinês na China, de Júlio Verne
Na praia, de Ian McEawn
Marcadores:
Nanopinião
06/01/2009
Nanopinião 46: Suave é a noite
Suave é a noite, de F. S. Fitzgerald - Casa Jorge Editorial
Este foi o terceiro romance que li de Fitzgerald, o primeiro de que não gostei. Continuo achando Deste lado do paraíso melhor, até do que de O grande Gatsby. É estranho, sei, mas acho mesmo. Talvez a tradução do Gatsby que li não tenha ajudado, e eu precise relê-lo em breve. Mas da história dos Diver só gostei do início, quando tudo se concentra na Riviera Francesa. A partir do momento em que a narrativa passa a desvendar o início do relacionamento de Nicole e Dick, paciente e médico, sei não. Duas cenas me ficaram. Uma, logo no início, é a festa noturna que o casal promove na sua casa no alto do morro. Uma frase de Dick a repeito da festança, que a Jade quis gravar no nosso convite de casamento, diz ela, eu não deixei (não lembro!), é demais: "Quero dar uma festa onde haja socos e seduções, as pessoas voltem para casa sentindo-se magoadas e as mulheres desmaiem no toalete". É afetada à Fitzgerald, mas devíamos ter usado. Aliás, li Suave... por insistência da Jade, que já o leu e releu muitas, inúmeras vezes, por achá-lo o melhor livro de todos os tempos. A outra cena é a do acidente de carro do casal com os filhos no banco de trás. Ah, e quando Dick começa a beber de verdade também é interessante.
Marcadores:
Nanopinião
08/10/2008
Nanopinião 45: Em Brasília, 19 horas
Em Brasília, 19 horas, de Eugênio Bucci - Record
Terminei o livro de Eugênio Bucci há duas semanas, mas a preguiça me impediu de escrever essa nanopinião. É muito boa leitura. Bucci faz um relato precioso de seu trabalho de presidente da Radiobras entre 2002 e 2007. Revela bilhetes internos, confidenciais à época, de José Dirceu pedindo-lhe a cabeça. Explica a luta para impor, dentro da empresa, junto com Gustavo Krieger, um padrão de jornalismo isento, impessoal, em que não se festeja o governo nem se sonega, ao leitor/ouvinte, visões contrárias aos projetos oficiais. Segundo ele, como não há lei que impeça a Radiobras de executar um jornalismo apartidário, independente da vontade do "patrão", a barreira mais difícil de ser vencida foi a da cultura da empresa - hábitos que faziam (fazem?) do boy ao apresentador cabos eleitorais de quem está no poder. Empreguinho barra-pesada...
Marcadores:
Nanopinião
14/09/2008
Nanopinião 44: Esquetes de Nova Orleans

Esquetes de Nova Orleans, de William Faulkner - José Olympio
Outra leitura de junho, estacionada até dias atrás na mesa de cabeceira. O livro reúne 17 contos e esquetes que William Faulkner, então com 27 anos, publicou durante o ano de 1925 em um jornal (Times-Picayune) e uma revista literária (The double dealer) de Nova Orleans. São os os seus primeiros textos em prosa, ele que até o momento dedicara-se somente à poesia (sem sucesso). Na apresentação (que só li depois de terminar o livro, como faço sempre), o professor Carvel Collins, especialista em Faulkner, aponta vários elementos destes textos que viriam a se tornar matéria de seus gigantescos romances futuros (Luz em agosto, O som e a fúria etc.). Como, até agora, só tinha lido Palmeiras selvagens e Enquanto agonizo, não consegui identificar muito. A apresentação de Collins também dá um amplo e interessante painel da vida literária e cultural de Nova Orleans em meados da "era do jazz", em especial a relação de amizade (mas nem tanto) de Faulkner com Sherwood Anderson. O livro em si é gostoso de ler. Pelo menos um texto me pareceu fora de série, O Rosário, de 3 de maio de 1925, cuja abertura transcrevo abaixo, num post da seção Pinceladas.
Marcadores:
Nanopinião
09/09/2008
Nanopinião 43: Tribulações de um chinês na China
Tribulações de um chinês na China, de Júlio Verne - Hemus
Como escrevi no dia 25 de agosto, passei julho e agosto sem ler ficção – a última nanopinião foi sobre Na praia, de Ian McEwan, em 1º de julho. O que está parado, "na cabeceira", como mostra a relação na coluna aí à direita, é o que eu venho lendo, a conta-gotas, desde junho. Para voltar à ativa, peguei este romance de Júlio Verne da estante e o li em uma semana. Conta as aventuras do milionário solteirão Kin-Fo pelo território do Celeste Império, em busca de seu tutor, o filósofo Wang. Sujeito fleumático, Kin-Fo, morador de Xangai, um dia reúne Wang e mais três amigos para anunciar que, dali a dias, se casaria com uma moça de Pequim. Queria, assim, encontrar a felicidade, que até então, em três décadas, não surgira em nenhum aspecto de sua vida, apesar do dinheiro e do conforto. Wang o encoraja: talvez os aborrecimentos do casamento lhe fizessem dar mais valor aos fatos mundanos. Tudo certo. Ocorre que pouco antes do casamento Kin-Fo descobre que está arruinado: todo o seu dinheiro sumira com a bancarrota de um banco na Califórnia. Sem demonstrar muita tristeza, reúne as últimas economias e faz um seguro de vida no valor de 200 mil dólares, quantia que deverá ser dividida entre a noiva e o amigo filósofo, inclusive em caso de suicídio. Dois funcionários da empresa são postos para vigiar o provável suicida e impedir que, com sua morte, provoque um rombo na seguradora. Em casa, Kin-Fo pede que o próprio Wang o mate, e o filósofo concorda, mas exige o pedido por escrito e assinado. Kin-Fo escreve a carta, a entrega ao amigo, mas Wang foge de posse do documento. No mesmo dia, Kin-Fo recebe uma correspondência do banco californiano: o governo federal intervira na crise financeira e reergueu o banco, fazendo com que as poupanças dos correntistas voltassem ao estágio pré-falência. E agora? Há um sujeito com autorização para matar outrem solto pela China! Confusão danada, mas o livro é fácil e divertido: Júlio Verne mistura conhecimentos geográficos e científicos (há uns esquisitos "aparelhos do Capitão Boyton", que salvariam e dariam conformo a qualquer náufrago) a um enredo cheio de reviravoltas.
Legal. Mas voltemos, agora, ao Dostoiévski.
Marcadores:
Nanopinião
01/07/2008
Nanopinião 42: Na praia
Na praia, de Ian McEwan - Cia das Letras
Belo romance de 2007. Comprei convencido de que quem é capaz de escrever Reparação (2001; nanopinião aqui) não pode, em seguida, cometer livros ruins, desaprender a arte (Sábado, inédito para mim, é de 2006). É muito bom - sem a envergadura do romance de 2001, claro. Curto, com pouco mais de 100 páginas. McEwan conta uma história de amor entre dois adolescentes ingleses, no início da década de sessenta - tempos pré-"revolução sexual". Ainda na lua-de-mel, num quarto de hotel à beira-mar, uma bobagem desmancha um casamento de oito horas entre jovens que dizem se amar. Não sabem nada, na verdade, e estragam tudo por seguirem convenções sociais, medo da opinião alheia, sofrerem da ânsia de atender expectativas que apenas desconfiam que o outro tem, não se aceitarem como são – em vez de ser eles mesmos, inventarem o seu jeito de viver a dois, fabricarem a felicidade à moda da casa. Impressionante como McEwan consegue nos apresentar os personagens, e o quanto ele nos permite conhecer deles, com tão poucas linhas. E são tão verossímeis, reais, que a cada cena, cada descrição, lá está você, descoberto em algum detalhe, alguma nuance. Texto extraordinário, boa história e a virtude de revelar mais sobre mim mesmo. Que mais querer?
Marcadores:
Nanopinião
30/06/2008
Nanopinião 42: Estorvo
Estorvo, de Chico Buarque - Cia das Letras
Sem muito a dizer. Bem-escrito, principalmente em relação a Fazenda modelo (que li na faculdade e achei muito ruim), mas a história não me disse nada. Interessante como exercício de estilo. Vou experimentar Budapeste.
Marcadores:
Nanopinião
23/06/2008
Nanopinião 41 - O mago
O mago, de Fernando Morais - Planeta
Li em duas semanas, mas pode ser lido em três dias. É excelente. Fernando Morais escreve muito bem, e minha impressão é que emprestou todo o seu talento a este livro, que afinal já foi vendido para muitos países e a tendência é que alcance muitos outros. Não é caudaloso nem vibrante como Chatô, porém. Parece que o acesso ao baú de Paulo Coelho aos 45 minutos do segundo tempo, apesar de ter auxiliado a confecção de um perfil muito mais profundo e contundente do biografado, atrapalhou um pouco na hora de reescrever o que já estava pronto. Tem muita citação... No mais, a história de Paulo Coelho é mesmo digna de uma biografia robusta: a vida do escritor brasileiro que mais vendeu livros, mais quebrou recordes, é mais traduzido que Shakespeare e que desde a adolescência sonhou em ser o que é hoje. Morais não esconde que não acredita em nada que Coelho garante ter acontecido, espiritualmente falando, na sua trajetória tortuosa até tornar-se um mago. O ceticismo do autor é claro; no entanto, todas as experiências sensoriais, espirituais e de além-túmulo que Coelho diz ter vivido são narradas com correção jornalística e apuro estilístico invejáveis. Paulo não jura que se encontrou com o demônio, com o Anjo da Morte, com espíritos suspeitos? Está tudo lá. Interessante, claro, a relação de Coelho com Raul Seixas (foi Paulo quem desencaminhou o homem!) - e o desnudamento de uma personalidade egocêntrica, às vezes doentia e covarde, claramente usando as pessoas ao seu redor para alcançar o objetivo de ser um escritor lido em todo mundo. A parte final do livro, em que é destrinchada a “febre” Paulo Coelho, do lançamento de O Diário de um Mago em 1987 até o de A bruxa de Portobello em 2007, é como um alerta que Morais dá à imprensa, aos críticos e ao Brasil em geral: acordem, porque o homem já vendeu mais de 100 milhões de exemplares e não conseguiu receber um único e escasso prêmio em seu país, enquanto no resto do planeta coleciona comendas e homenagens em todos os idiomas e angaria ao menos o respeito de críticos e personalidades! A descrição dos vexames que já teve de aturar no exterior devido ao desprezo e à falta de sensibilidade das autoridades brasileiras é chocante. Em 1998, o governo federal levou uma caravana de 50 escritores para representar o país no Salão do Livro de Paris. Paulo Coelho, claro, não foi incluído na lista, mas estava no estande da sua editora francesa. No dia em que o presidente Jacques Chirac recebeu a caravana para um passeio pelo centro de convenções Paris Expo, a comitiva liderada pela primeira-dama Ruth Cardoso simplesmente ignorou o estande. Chirac, ao vê-lo amuado num canto, abandonou o grupo e foi cumprimentá-lo pessoalmente, para espanto geral da imprensa e dos brasileiros. Em 2006, no segundo turno das eleições presidenciais, Coelho, na sua casa no Sul da França, gravou um pedido de votos a Lula para ser veiculado no último programa eleitoral da TV, sábado à noite, véspera do pleito. Horas depois de o programa ter sido exibido no Brasil, sua caixa de e-mail passaria a receber cerca de 10 mil mensagens de leitores dizendo-se decepcionados com a atitude. Lula nunca disse obrigado, nem mesmo nessas cartas que só assina sem ler. É inacreditável que um escritor que leva o nome do Brasil mundo afora com tanta ou mais intensidade e sucesso que Ronaldo ou Pelé não mereça um bom-dia cordial, uma única demonstração de civilidade. E pensar que a mãe de Paulo Coelho – irritada por saber que o filho iria rodar de ano no tradicionalíssimo Colégio Santo Inácio – tenha tentado alertá-lo sobre a “carreira” de escritor: “Meu filho, somos 130 milhões de brasileiros, mas Jorge Amado só existe um”. No que ele respondeu, escrevendo no diário: “Minha mãe é uma besta”. A verdade é que passei a admirar Paulo Coelho, mesmo já tendo lido livros seus e não gostado. Pretendo ler O Alquimista, agora. Quem sabe o conhecimento da vida do autor não ajude a lê-lo com outros olhos?
Marcadores:
Nanopinião
10/06/2008
Nanopinião 40 - O sol é para todos
O sol é para todos, de Harper Lee - José Olympio
Enfim, leituras plenamente retomadas. Que livro este de Harper Lee, a amiga de Truman Capote. Lindo, lindo, lindo... Não sei não, mas achei que ela escreveu diálogos de crianças melhor do que Mark Twain. Impossível ler as falas de Atticus sem lembrar do Gregory Peck, estrela do belíssimo filme (To Kill a Mockingbird, 1962) baseado no romance. A narradora, Scout, conta sua vida ao lado do irmão Jem e sob a proteção do pai, o advogado que, por determinação do estado, tem de defender um negro acusado de estupro contra uma branca na região mais racista dos EUA. Scout é de uma ironia... A tensão sobre a sua sexualidade é quase explícita (estranha-se seu jeito de falar, sua preferência por brincar com meninos e o fato de usar macacão de jeans em vez de vestidos, por exemplo), e ela, como contadora da história, não esconde nada, até esnoba as senhoras que a tentam pôr "na linha". E ainda há a subtrama de Boo Hadley. O fim é demais. Atticus é um dos melhores professores de ética da história da humanidade. Quase como Jean Valjean. Obra-prima.
Jem e Scout, perfeitos no filme, como no livro
Marcadores:
Nanopinião
13/05/2008
Nanopinião 39 - O romance morreu
O romance morreu, de Rubem Fonseca - Cia. das Letras
Comprei o primeiro livro de crônicas de Rubem Fonseca com a expectativa de ver revelado um grande cronista. Enganei-me. As crônicas do contista magistral, do autor de A grande arte (romance que li de cabelos em pé na faculdade), são bem ruins. Muito, até. Não há quase nada ali digno de nota. O melhor está no fim do livro, José – uma história em cinco capítulos, em que Fonseca faz uma rápida, mas apurada, recapitulação de sua infância, do nascimento em Juiz de Fora (MG) até sua ida para o Rio de Janeiro, onde experimentou a pobreza. Há também um relato interessante sobre sua vida em Berlim, quando acompanhou a queda do muro. O resto, infelizmente, não tem brilho, nem aquele olhar diferenciado sobre o mundo que faz do sujeito um cronista de fato. A impressão é que qualquer um poderia escrever aquilo, ou que você já ouviu muitas daquelas opiniões saindo da boca de um taxista. Uma falha da edição: não diz em que veículo as crônicas foram publicadas originalmente. Só lá pela metade ele faz menção a um site sem nome, que é o Portal Literal.
ps. a escritora Lúcia Bettencourt resenhou o livro para o ótimo jornal literário Rascunho, mas chega a ser constrangedora a falta de um olhar crítico...
Mais nanopiniões:
O mundo é plano, de Thomas L. Friedman
O novo conto catarina, Regina Carvalho (org.)
Reparação, de Ian McEwan
Carne viva, de Paulo Francis
A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, de Jorge Amado
O homem que inventou Fidel, de Anthony DePalma
Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
Rubem Braga - um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho
A trégua, de Mario Benedetti
Marcadores:
Nanopinião
06/05/2008
Nanopinião 38: O mundo é plano
O mundo é plano, de Thomas L. Friedman - Objetiva
ps. ligue a rádio no post abaixo, e leia ouvindo música!
Minhas nanopiniões em 1 crônica por dia são sempre modestas, em tamanho e rigor. O mundo é plano – uma breve história do século XXI, do jornalista do NYT Thomas L. Friedman, merecia uma bela e extensa análise – mas ela já foi feita, em muitos veículos, por diversos analistas de diferentes pontos de vista, porque o livro é de 2005. Trata-se de uma baita reportagem, em que o autor explica como funciona o mundo desde o ano 2000. É uma tese de doutorado jornalística, digamos. E é admirável que ele tenha conseguido transformá-la num livro tão redondo, tão rico, partindo de uma constatação quase à toa, num passeio em Bangalore, na Índia. Um dia, deu-se conta de o mundo tinha mudado, e achou que só ele sabia disso. Foi atrás de suas fontes e elas (políticos, homens de negócio, gênios da informática, em geral) lhe mostraram que o processo já tinha algum tempo, e ninguém ao certo sabia para onde se encaminhava. Então, entrevistando, entrevistando, entrevistando, lendo, lendo, lendo, reuniu primeiramente o que chama de “Dez forças que achataram o mundo”: entre elas, a queda do muro de Berlim, o surgimento do Netscape e dos softwares de fluxo de trabalho, o desenvolvimento das cadeias de fornecimento entre países e a entrada da China na OMC. Em seguida, definiu a “Tripla convergência”: união de software e hardware de fluxo de trabalho; as novas formas de fazer negócio que esta união possibilitou; e a expansão da banda larga. A partir daí, montado o cenário do “mundo plano”, Friedman expõe por que os EUA se saem bem nesse novo contexto (e o que precisam fazer para continuarem por cima), por que Índia e China se beneficiaram desse novo contexto (e como podem deixar os EUA para trás), por que inúmeros países em desenvolvimento ainda não tiraram vantagens do achatamento do mundo (ê, Brasil!), como empresas pequenas podem virar empresas globais sem deixar de serem pequenas, as implicações geopolíticas do achatamento do mundo e o que, afinal de contas, pode dar errado, ou emperrar ou reverter o processo de achatamento. Soa técnico, e é, de fato, mas apenas no início, quando o autor esmiúça o boom da internet (o que não deixa de ser interessantíssimo – você conhece bem a história do Netscape, da disseminação da fibra ótica, do Google?). Da metade para a frente, fica melhor, porque o teor político aumenta. O texto é bom e claro (Friedman tem três Pulitzer na bagagem). Vale a pena.
Aqui você encontra uma explicação mais minuciosa do livro (em inglês).
Outras nanopiniões:
O novo conto catarina, Regina Carvalho (org.)
Reparação, de Ian McEwan
Carne viva, de Paulo Francis
A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, de Jorge Amado
O homem que inventou Fidel, de Anthony DePalma
Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
Rubem Braga - um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho
A trégua, de Mario Benedetti
Marcadores:
Nanopinião
04/05/2008
Nanopinião 37: O novo conto catarina
O novo conto catarina, org. Regina Carvalho - EdUFSC
O lançamento foi na terça-feira, terminei de ler hoje. São 31 contos de 31 autores catarinenses ou radicados em Santa Catarina, a maioria inédita em livro. A seleção foi feita por Regina Carvalho, minha professora e orientadora no curso de Especialização em Jornalismo da UFSC e madrinha de casamento. Não há nenhum Silveira de Souza – ele que assinou a orelha do livro – entre os novos escritores. Meu preferido foi o texto do jornalista joinvilense Rodrigo Schwarz (“Em algum lugar já são sete horas”). Em seguida, o do recifense, também jornalista, Dauro Veras (“Pura sorte”), companheiro de +D1 – coletivo de blogs catarinenses. Gostei ainda do conto da jornalista blumenauense Ana Paula Fehrlen (“A cura da faca”), do conto do funcionário público federal natural de Iracema Ivan Panchiniak (“Estranhas manifestações”) e do conto da bibliotecária brusquense Suzana Mafra (“A santa que ri”).
Marcadores:
Nanopinião
27/04/2008
Nanopinião 36: Reparação
Reparação, de Ian McEwan - Cia. das Letras
O primeiro impulso depois de ler Reparação é lamentar o final de Desejo e reparação, filme baseado no livro de Ian McEwan: é muito menos bonito e elaborado que o original. A adaptação do roteirista Christopher Hampton dirigida por Joe Wright é, no geral, um melodrama, e o livro é uma obra-prima de muitas leituras. E é muito pior, mais fraca de intensidade e emoção porque McEwan escreve bem demais, como eu não sabia que se escrevesse por aí... Agora, é preciso confessar um preconceito: comprei Reparação com dois pés atrás, e quase não o comprei, apesar de já ter lido críticas muito favoráveis. Sem me informar antes sobre a nacionalidade do escritor (e, portanto, da tradição literária de seu país) e sua idade, cheguei à conclusão fantástica, e burra, de que se tratava de um autor “contemporâneo”, ou “pós-moderno”, ou seja: nada de enredo, nada de personagens, só fluxo de consciência e livros em que não acontece nada. Há no Brasil, mas não só por aqui, tantos assim... Quantas críticas você já não leu a García Márquez, Vargas Llosa etc. de gente que, peito estufado, garante nunca ter lido Dickens, Mann, Hugo, Balzac, Zola etc. e que defende livros em que não acontece nada, narrados por figuras marginais, esquecidas ou isoladas, com muito sangue, muita violência, muitas bizarrices e fraturas sociais expostas em linguagem coloquial? Nada disso. Ian McEwan é inglês e completará 60 anos no dia 21 de junho – e, parece, segue a melhor tradição do seu país (ficaria chocado de ver uma crítica dele à “falta de atualidade” de Dickens, por exemplo). Bem, como só li Reparação, tenho receio de dizer que é um escritor supremo; vai que Reparação seja uma iluminação, trabalho extraordinário que talvez ele nunca mais consiga repetir? Pelo menos, é um autor admirável, e Reparação tem de entrar na lista dos melhores livros dos anos 2000, e deve figurar em listas que abranjam mais décadas. Mas as minhas dúvidas não acabam. Em Reparação, a prosa é tão rica, de uma engenhosidade tão rara, de tanta sensibilidade, que é impossível não pensar que quem narra a história é uma mulher. Talvez ele tenha se esforçado para emular um “estilo” feminino, se é que existe isso, e sua prosa em si nada tenha com aquilo (teimo em pensar que há em Reparação uma homenagem a Jane Austen, George Eliot – mulher também, lembre-se...) Bom, seria o caso, então, de os seus fãs pedirem com veemência: “não desencorpore Briony!”. Ainda pensando em termos literários, lá pelas tantas o narrador conta que Briony, jovem metida a escritora, tem certeza de que na época em que ela vive (pré-Segunda Guerra Mundial) a ficção não pode mais ser como a do século XIX, baseada em personagens e enredos... Mesmo depois de tomar conhecimento do nome do tal narrador da história, este trecho me pareceu uma ironia de McEwan, pondo uma idéia tão atual entre círculos literários na cabeça de uma jovem dos anos 1930. E Reparação é isso: personagens de quem você se aproxima e conhece em poucas páginas, enredo envolvente e uma prosa muito, muito elegante. Tão elegante que deve envergonhar certos escritores “contemporâneos” – porque invejável. Livraço.
Leia outras nanopiniões:
Nanopinião 35: Carne viva, de Paulo Francis
Nanopinião 34: A morte e a morte de Quincas Bica D'água, de Jorge Amado
Nanopinião 33: O homem que inventou Fidel, de Anthony DePalma
Nanopinião 32: Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
Nanopinião 31: Rubem Braga - um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho
Nanopinião 30: A trégua, de Mario Benedetti - Alfaguara
Marcadores:
Nanopinião
07/04/2008
Nanopinião 35
Carne viva, de Paulo Francis - Francis Editora
Comprei na terça-feira passada, junto com A morte e a morte de Quincas Berro Dágua (nanopinião, dois posts abaixo), do Jorge Amado. E já terminei. É um bom romance, apesar de o Francis ter morrido quando ainda ajeitava a história. Mesmo assim, gostei mais do que Cabeça de papel e Cabeça de negro, de que não retive quase nada – Filhas do segundo sexo, então, nem conta. A melhor parte de Carne viva é quando o personagem principal, o banqueiro Francisco Guerra, vai a Paris, tratar de negócios, em maio de 1968...
Marcadores:
Nanopinião
Assinar:
Postagens (Atom)