10/01/2009
Maysa
Quando a microssérie Capitu saiu tomando porrada por aí de blogueiros e internautas (nos espaços para comentários), falei para os meus amigos: de Maysa, esse pessoal vai gostar. Meio óbvio, ok, mas não custa falar. Eu aguentei parte do primeiro capítulo. Quando, na festa de Maysa na "mansão dos Matarazzo", começa o show pirotécnico que André preparou de surpresa para a jovem, um foguete espocou no céu desenhando os inconfundíveis olhos da cantora. Aí, "larguei", como se diz em Porto Alegre. Mas a turma gostou, tá achando "emocionante". Você já ouviu algum diálogo? É mais ou menos assim:
- Maysa, por favor, você precisa tomar jeito. O lugar de uma mãe responsável é em casa, ao lado do filho, junto à família.
- Ora, eu sou rebelde, mas amo meu filho! Serei assim para sempre, doa a quem doer.
Ou:
- E você, Elizeth Cardoso, a maior cantora do Brasil, o que acha da nossa menina?
Ou:
- Estamos passando em frente da mansão dos Matarazzo, a família mais importante de São Paulo, uma das mais ricas do Brasil!
É embaraçoso.
Pois o Luiz Carlos Merten, repórter e crítico de cinema do Estadão, deu sua opinião no seu blog. Segue abaixo, porque é quase tudo o que eu penso.
Socorro!
por Luiz Carlos Merten
Lá vou eu me meter. Fotografia de Afonso Beato, figurinos de Marilia Carneiro, a minissérie ‘Maysa’ é um luxo. Pronto, acabou. Não há mais o que elogiar – tirando, claro, a semelhança de Larissa Maciel, com a biografada, a minissérie pode até estar fazendo boa audiência, mas é ruim demais. Jayme Monjardim me desculpe, mas de onde que ele, tão empenhado em contar a história de sua mãe, tirou a idéia de que Manoel Carlos era o melhor autor para contar essa vida? Não havia gostado de ‘Olga’, porque o filme, afinal, parecia um novelão. Sinto falta do novelão em ‘Maysa’. Tudo me parece raso, as personagens sem vida. A verdade é que Manoel Carlos é especialista naquelas Helenas suburbanas e Maysa não tinha nada a ver com elas. A personagem pedia, exigia o glamour de Gilberto Braga. Como segunda opção, ficaria com Maria Adelaide Amaral. Ambos teriam construído, talvez, uma personagem menos santificada, menos ‘vítima’, mais complexa e fascinante ou simplesmente teriam lhe aplicado a injeção de teledramaturgia que me parece faltar a ‘Maysa’. E o que são aqueles diálogos? A protagonista dizia ontem que era subversiva, que era isso e aquilo. Com todo respeito pela grande artista que Maysa foi, a minissérie tem me passado a idéia de uma criatura mais chata e insuportável do que propriamente ‘revolucionária’, no sentido de adiante de sua época. Por dúvida das vias, estou parando com ‘Maysa’. É muito desgastante querer ficar preso a uma coisa que, obviamente, não está me satisfazendo. Ia perder, de qualquer maneira, o desfecho – viajo na quarta que vem, dia 14. Estou parando por absoluta falta de interesse. E, depois, a história já começou e terminou no primeiro episódio, que também estabeleceu a linha mestra – a divisão mulher/artista/mãe/profissional. Estava no primeiro episódio a única cena de que gostei ou que, pelo menos, apontava um caminho, quando Maysa briga com o dono da churrascaria, depois de atirar o sapato na mesa dos clientes que não param de fazer barulho enquanto ela canta. Maysa diz que exige respeito como artista e o cara responde que o público respeita aqueles de quem gosta. Gostaria de ter gostado de 'Maysa', mas não deu. Em matéria de mini/microssérie, ela pode estar tendo melhor audiência do que ‘Capitu’, mas luxo mesmo, pela ousadia e criatividade, era o trabalho de Luiz Fernando Carvalho. Aquilo, sim, me valeu o esforço.
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