30/03/2008

Exposição 100 Histórias abre nesta segunda-feira em Florianópolis

Não percam a abertura da exposição 100 Histórias, hoje, às 19h, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis.

27/03/2008

Um prêmio literário de 100 mil euros e a informação: Cia. das Letras será vendida

Matéria de Bruno Dorigatti no Portal Literal sobre o Prêmio Leya de romance inédito em língua portuguesa, que dará 100 mil euros ao vencedor! E os melhorzinhos ainda podem levar 25 mil euros! No lead, uma dica: o grupo que dá nome à premiação, uma "multinacional" do negócio de livros em Portugal, quer adquirir a Cia. das Letras! O regulamento do prêmio está aqui. O resto do texto do Bruno, aqui. 24 / 03 / 2008 Império português Prêmio Leya comtemplará romance inédito em língua portuguesa com 100 mil euros. Até quem não escreve ficção anda sentindo vontade de começar a produzir algo de fôlego... Formada em janeiro deste ano pela união de doze editoras, dez portuguesas (Edições ASA, Editorial Caminho, Publicações Dom Quixote, Gailivro, Edições Novagaia, Texto Editores, Caderno, Lua de Papel, Oceanos e Livros d'Hoje), uma de Angola (Edições Nzila) e uma de Moçambique (Edições Ndjira), o grupo editorial Leya nasce ambicioso. Para 2008, articula a compra de uma das maiores editoras brasileiras, a Companhia das Letras, e lança o maior prêmio para romances inéditos escritos em português. O grupo ja havia desembolsado 80 milhões de euros para comprar a Dom Quixote, braço espanhol em terras lusas da editora de mesmo nome.

De quando fomos alienígenas durante um almoço de quarta-feira

Quando encontrei a Jade ontem no Centro, para almoçarmos, tive vontade de lhe tascar um beijo e dizer, feliz da vida, "Que bom que o Rafinha ganhou, não é mesmo?", na esperança de que ela, ágil e natural, me devolvesse no mesmo idioma, "Um alívio. Imagina se vencesse a cajuína!". Isso porque a quarta-feira de sol e muito trabalho foi uma quarta-feira monotemática, de um único e relutante assunto, e me admirei ao descobrir que nem as manchetes dos jornais, nem as chamadas dos telejornais fossem sobre o resultado do BBB8, mas notas de canto, submatérias. Corajosos jornais, alheios à vida lá fora: até os cães vadios trotaram por aí discutindo o caráter dos contendores, as pernas da mulher e a inteligência do sujeito. No bar, um bêbado de língua enrolada afirmava que iria inscrever-se para a seleção do próximo programa, e um outro rebatia que "Você não entra nem pro AA, imagina pro BB". Na banca de revistas um grupo de senhoras malvestidas conversava sobre o que cada uma fizera para entreter a família durante os derradeiros minutos do programa – pipoca, doces, ovos de páscoa, refrigerante light –, senhorinhas safadas que ajudaram a inchar o Ibope de 46 pontos do Bial. O guarda de trânsito, entre um siga e um alerta, trocava algumas palavras sobre o evento da noite passada com um companheiro de ofício. O vendendor ambulante falava do BBB8, o porteiro do centro comercial também. E num certo momento, durante o almoço, eu nos flagrei cercados por BBB maníacos inamistosos, ululantes, de olhos rútilos e espuma na boca como os mais desesperados personagens rodriguianos. Só porque a Jade estava comigo, falando de trabalho, da tese e da vida.

26/03/2008

Drauzio Varella em entrevista à Bravo!

Muito boa a entrevista do médico Drauzio Varella - que lançou há poucos meses O médico doente (Cia. das Letras), sobre quando quase foi desenganado, devido à febre amarela - a Armando Antenore, da Bravo!, pelo que diz de inteligrente e importante como médico e de tolo como escritor. Leia trechos abaixo e todo o resto no site da revista. Sobre a vontade de viver e o pensamento positivo ajudarem na cura "Considero uma sacanagem espalhar crenças do gênero. Um absurdo, um desrespeito com os doentes, por lhes atribuir responsabilidade sobre algo que não depende exclusivamente deles. Quer dizer, então, que só morrem os fracos, os covardes? Que culpa tem uma criança de 8 meses se sucumbir à leucemia? Ou um idoso de 85 anos se não suportar um câncer de próstata? Há um grau de fatalidade na condição humana que me parece incontornável." Sobre pensamentos ruins ou de neuroses provocarem doenças "Não se trata de acreditar. Medicina não é religião. Costumo cuidar de mulheres com câncer de mama. Às vezes, recebo uma no consultório que me fala: "Puxa, doutor, sei exatamente como arranjei esse tumor". E associa o mal à depressão, à ansiedade, às crises de pânico, à separação do marido. Olhe que terrível: a paciente, já debilitada pelo problema de saúde, ainda se tortura por imaginar que o provocou. Onde arrumam teorias assim? Desconheço trabalhos sérios, organizados, que as comprovem." Sobre ser um bom escritor "Sinceramente, não. Quando me comparo com autores de peso — com os russos, por exemplo, Tolstói, Dostoiévski, Andreiev —, reconheço a distância que me separa deles." (!!!)

25/03/2008

Exposição fotográfica 100 Histórias

Abre na segunda-feira que vem, dia 31, às 19h, no hall da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, a exposição fotográfica 100 Histórias, composta por fotos de dois repórteres-fotográficos estrangeiros com experiência de guerra: o italiano Matt Corner e o espanhol Guillermo Valle. Quem organiza é a jornalista Juliana Kroeger, esposa do também jornalista Fernando Evangelista, meus amigos (cada um à sua época) de Unisul. O patrocínio é da Brasil Telecom, e a mostra poderá ser visitada até o dia 11 de abril. Evangelista, repórter da Caros Amigos (de luto hoje, por sinal), trabalhou com os dois, na Palestina (2002), no Iraque (2003) e no Líbano (2006). Leia abaixo sobre a parceria deles. Guillermo Valle, Líbano 2006 Matt Corner, Líbano 2006 Fotos de guerra e algumas encrencas por Fernando Evangelista Matt Corner é um fotógrafo de guerra. Tem cara de alemão, nome de americano, mas é italiano da gema. É um sujeito esperto e corajoso. Corajoso demais e, às vezes, lá no meio das bombas, eu ficava me perguntando se ele era mesmo corajoso ou só um suicida alucinado. Mais um doido em busca de um sentido ou de uma revelação, igual àqueles fanáticos com o Velho Testamento embaixo do braço. Uns se agarram à religião, outros ao poder, às drogas e outros se agarram às guerras. Cada um na sua, como naquele comercial de cigarro. Pena que não é tão simples assim. A primeira reportagem que fizemos juntos foi durante a operação militar Escudo Defensivo. O exército de Israel fechou e ocupou todas as cidades controladas pela Autoridade Palestina. Era 2002 e esse seria o último grande confronto entre Ariel Sharon e Yasser Arafat. Em Ramallah, vimos uma senhora palestina ser assassinada por um franco-atirador israelense. Ela estava saindo de um hospital, acompanhada do marido e levou um tiro na testa e outro no pescoço. Tentamos regastá-la e trazê-la para dentro do hospital, mas ouvimos outros tiros e ela não pode ser socorrida. Morreu no meio da rua, a alguns metros de onde estávamos. Então é isso o que os jornais chamam de “efeito colateral”? É isso que chamam de “direito de defesa”? Que nome se dá a esse tipo de crime? Nas guerras do começo do século XX, 90% das vítimas eram soldados. Hoje, 90% são civis. Em 2003, junto a um grupo de ativistas italianos, Matt e eu chegamos a Amã, capital da Jordânia, com o objetivo de cruzar a fronteira do Iraque, invadido meses antes pelos Estados Unidos. A estrada que liga Amã ao Iraque - 400 quilômetros em meio ao deserto - é estreita e sem sinalização. Lembro que fazia um calor de mais de 45 graus, nosso carro não tinha ar-condicionado e as janelas traseiras estavam emperradas. Na fronteira, os militares norte-americanos impediram a nossa passagem e nos ameaçaram de morte. “Tirem seus rabos daqui, senão vamos atirar”, disse um dos soldados, metralhadora em punho. Um pessoal nada simpático. Assim, sem escolha, voltamos para Amã e na manhã seguinte o grupo de ativistas ocupou a embaixada italiana e exigiu do embaixador uma providência. “Somos cidadãos italianos e queremos que nosso governo nos ajude a entrar no Iraque”, gritou um dos ativistas. E o melhor de tudo isso foi a foto de Matt, mostrando a cara de um embaixador, perplexo e apavorado. O homem ligou para as autoridades norte-americanas, explicou a situação e eles mandaram um fax de rendição, autorizando nossa entrada. Fez-se uma festa. “Derrotamos o Império”, comentou alguém. Matt foi o único a não comemorar. No dia seguinte - sempre com o grupo – retornamos à fronteira segurando o papel das autoridades norte-americanas, nosso visto incontestável. Os militares (os mesmos da véspera) olharam o papel, conversaram entre si, olharam outra vez, e disseram muito educadamente: “isso não vale nada, caiam fora”. E tudo aconteceu muito rápido. Dois soldados me pegaram pelos braços, outros dois pelas pernas e me arremessaram para fora da fronteira. Fomos expulsos e alguns de nós levaram pontapés e socos. Matt também foi expulso, mas não deixou de fazer as fotos sem que os soldados percebessem. O resto do grupo desisitiu de entrar no Iraque. Eu também desistiria não fosse pela insistência do meu companheiro de reportagem. De volta a Amã, descobrimos que a Polícia Secreta da Jordânia era o único orgão – naquele momento – que poderia nos conceder um documento autorizando a entrada no país vizinho. Fomos a vários ministérios até encontrar a sede da Polícia Secreta, bem no centro da cidade e devidamente identificada com uma placa na entrada. Lá, depois de uma interminável conversa sobre o futebol brasileiro, pegamos nosso “visto”. E assim, nós dois e um motorista iraquiano, fizemos aqueles 400 quilômetros pelo deserto e chegamos pela terceira vez à fronteira. Papéis e passaportes entregues, o militar norte-americano perguntou se estávamos com o grupo do dia anterior – “grupo, qual grupo?” – olhou cada página do passaporte, chamou um superior, repetiu as mesmas perguntas e, finalmente, nos deixou entrar. Fomos os únicos, de um grupo de 43 pessoas. E lá no Iraque, no mesmo momento em que Bush e boa parte da mídia ocidental comemoravam – patrioticamente - o fim da guerra, Matt e eu fizemos uma reportagem dizendo que a tragédia estava apenas começando. Porém, nem os mais pessimistas poderiam imaginar o que aconteceria nos cinco anos seguintes: o número de civis iraquianos mortos – segundo o jornalista Robert Fisk - está entre 350 mil e um milhão, quatro mil são as baixas norte-americanas e os feridos passam dos 29 mil. Conforme o governo dos Estados Unidos, o conflito já custou 500 bilhões de dólares. Para Joseph Stingliz, prêmio Nobel de economia, os gastos já chegam a 3 trilhões de dólares. Não é simples caminhar pelas estradas do Oriente Médio e Matt escolheu trilhar as estradas secundárias. As histórias que lhe interessam são as histórias que não se contam. Ele possui qualidades fundamentais para quem trabalha em áreas de risco: é pragmático, sem ser indiferente; é posicionado, sem ser ideológico; é cético, sem ser cínico. É apaixonado pelo o que faz, o que pode soar piegas e fora de moda diante do jornalismo estatístico e desumanizado de hoje em dia. Em 2006, cobrimos a guerra do Líbano, que durou 34 dias e matou 1.200 libaneses e 157 israelenses. E foi no sul de Beirute que conheci o fotógrafo espanhol Guillermo Valle. Ele, então com 23 anos, já estava cobrindo sua quarta guerra. Havia começado aos 14 anos. As fotos de Guillermo unem o que existe de mais fascinante no fotojornalismo: arte e informação de qualidade. Não por acaso, tornou-se um dos mais jovens colaboradores do jornal El País e integrante da agência francesa Sipa Press. Não conheço ninguém que tenha captado tão profundamente o clima desse conflito como ele o fez. Se alguém me perguntar o que de fato aconteceu no Líbano, posso indicar qualquer uma de suas fotos. Matt e Guillermo lançam, no dia 31 de março, às 19 horas, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, o projeto 100 histórias, mostra fotográfica que reúne imagens da Europa, África e Oriente Médio, com destaque para imagens recentes da Palestina, Iraque e Líbano. A mostra, organizada pela jornalista Juliana Kroeger e patrocinada pela Brasil Telecom e pela Universidade Estácio de Sá, é dedicada a todos aqueles que, por ignorância ou ingenuidade, acreditam nas armas como um método legítimo de luta. Toda a guerra, como fica evidente em cada uma das fotos, é imunda e desumana. Sem exceção. Esses dois fotógrafos, além de certa loucura, compartilham a certeza de que uma foto – apenas uma foto bem feita – pode ser capaz de denunciar a injustiça mais terrível. E isso, para eles, justifica todos os riscos. Fernando Evangelista é jornalista fernando_evangelista@hotmail.com

Morre Sérgio de Souza, editor da Caros Amigos

Foi-se Sérgio de Souza, o nosso Serjão Mylton Severiano* Morreu em São Paulo aos 73 anos o jornalista Sérgio de Souza, o Serjão. Operado dia 10 de março de 2008 em razão de uma perfuração no duodeno, morreu em decorrência de complicações na madrugada de hoje, terça-feira, 25 de março, no Hospital Osvaldo Cruz. Sérgio deixa viúva a jornalista Lana Nowikow, com quem teve três de seus sete filhos. Nascido em 1934 no Bom Retiro, bairro tradicional no centro da capital paulista, Serjão era um autodidata. Não chegou ao curso “superior”, mas fez-se na rua e nas redações “doutor” em jornalismo. Bancário, recém-casado, viu uma notícia na Folha de S. Paulo no fim da década de 1950, do tipo “você quer ser jornalista?”, e para lá se dirigiu. Fez um teste e, aprovado, entrou para a reportagem do jornal da Barão de Limeira, onde nos conhecemos.
Quatro anos depois, a convite de Paulo Patarra, transferiu-se para Quatro Rodas, da Editora Abril. Ali, em 1966, faria parte da equipe que fundou e lançou REALIDADE, cujo forte era a reportagem, revista “cult” daquela editora e maior sucesso jornalístico do gênero neste país. Avesso a entrevistas, até tímido diante de uma câmera, microfone ou mesmo um colega de caneta e papel na mão, Serjão não deixou muitas pistas sobre sua vida particular, onde estudou, que preferências tinha em matéria de literatura, cinema, e outras trivialidades que costumam compor um necrológio. Certo é que Sérgio de Souza é o último monstro sagrado vivo que se vai de uma geração que fez, além de REALIDADE: a revista quinzenal de contracultura O Bondinho; o jornal mensal de política, reportagem e histórias em quadrinhos Ex-; o programa de televisão 90 Minutos na Bandeirantes – entre dúzias de trabalhos.
Há onze anos, em abril de 1997, Sérgio lançou, com amigos e associados, a revista Caros Amigos, que vinha dirigindo até duas semanas atrás. A importância de Serjão para o jornalismo pátrio é discreto como sua figura e incomensurável como seu tamanho – pois se dá justo naquele trabalho quase anônimo do editor, do editor de texto, da palavra seca, cortante, exata, da melhor linha humano-política na orientação ao repórter, ao subeditor, ao chefe de arte, ao departamento comercial, advinda de um caráter íntegro e de um senso jornalístico próprio dos gênios.
Dedicou 50 anos à profissão, na qual não fez fortuna, ao contrário: deixa dívidas. Aliás, uma de suas últimas criações foi o “Anticurso Caros Amigos – Como não enriquecer na profissão”. Aos que o sucedem em Caros Amigos, fica a desmedida tarefa de homenagear sua memória fazendo das vísceras coragem e coração para tocar o barco em frente. *editor-executivo de Caros Amigos

24/03/2008

Nassif na Caros Amigos: é o mercado!

Excelente a entrevista que a Caros Amigos publicou este mês com o Luis Nassif. Muito melhor que a do Luiz Fernando Verissimo, péssima. O que tornou o bate-papo com Nassif ainda mais rico foram suas divergências pontuais com alguns entrevistadores, como José Arbex Jr., que acredita mais em conspirações e manipulações ideológicas inatas do que em "vale tudo" como estratégia de mercado. E fica claro que Nassif só está ali, no banco do entrevistado, porque protagoniza uma "briga" com a Veja (confira a sua série de reportagens contra a maior revista do país aqui). Lia o Nassif na Folha – achava sua crônica de domingo, sempre sobre MPB, no meio do caderno de Economia uma beleza. Depois, no blog do UOL, agora no Projeto BR (onde hospeda seu blog). E, em 2006, li O jornalismo dos anos 90, uma paulada (uma resenha mea-culpa aqui). Pena que o site da Caros só tenha reproduzido poucos trechos: aqui.

23/03/2008

Floripa, 282

Um domingo de Páscoa de muito trabalho me impediu de ir ao aniversário do amigo Rodrigo Octávio, que completou 29 anos, e de folhear os jornais como se deve. O seu Júlio, avô da Jade, foi quem me alertou durante o almoço de bacalhau: "O caderno do DC em homenagem a Florianópolis está lindíssimo". Agora eu conferi, e é verdade. Destoam apenas os anúncios toscos, constrangedores, de Sérgio Grando e do tal "vereador Miotto", que melhor fariam se não estivessem ali roubando lugar das fotografias. No Donna DC, seis artigos sobre a cidade, e o que de melhor há está na aula de história de Sérgio da Costa Ramos, na declaração de amor do Flávio José Cardozo e na pensata do vento da Regina Carvalho. Veja a galeria de fotos do caderno do DC.
De minha parte, escrevi no Donna DC de 16/12/07, no período de interino do escritor Maicon Tenfen, a seguinte crônica, que cabe no clima de homenagem:

Feliz é a gaivota Leitoras, a verdade é uma só. Como não almejo ser o autor de qualquer versão oficial, é preciso que eu confesse, antes de tudo: foi uma bruxa, destas que de vez em quando saem dos livros de Franklin Cascaes para dar uma volta nas noites de lua cheia, quem me segredou o que vai relatado abaixo. À sabedoria da feia e boa velha, pois, é que devemos creditar a beleza da revelação. O lúdico a quem é fantástico, como deve ou deveria ser tudo o mais nesta Ilha misteriosa. Contou-me a bruxa que há uma relação estreita entre os que moram em Florianópolis, em especial os que aqui nasceram ou se criaram desde pequeno, e as gaivotas que habitam a cidade. Ora, quem não as conhece de vista? Encontramos gaivotas por toda parte, diariamente, e não apenas nas praias. No trajeto para o trabalho, ao atravessar as pontes de carro, numa caminhada pela Avenida Beira-Mar Norte, nas pinturas das fachadas de prédios... A gaivota é nossa íntima. Dito isto, aprendam enquanto há tempo e ainda existem bruxas para nos ensinar os segredos da Ilha: da mesma forma que nós olhamos para o céu à noite e vemos a beleza, a intensidade e a presença de estrelas que não existem mais, as gaivotas manezinhas sobrevoam uma cidade que ainda tem a beleza, a intensidade e a presença de uma Florianópolis que também não existe mais. Ou que só é visível a olhos humanos nas fotos da nossa carente Biblioteca Pública, nos arquivos de jornais ou nos blogs dos saudosistas. As gaivotas que habitam as nossas praias ainda olham para o mar e só vêem canoas e baleeiras de pescadores, no lugar dos jet-skis poluidores e lanchas potentes poluidoras e banana-boats ridículos e escunas cujo passeio é embalado por trilhas sonoras de filmes do Indiana Jones; miram os costões e áreas de preservação e não encontram prédios, casas e outros empreendimentos irregulares construídos sob a rígida vigilância de políticos desatentos; voam pela faixa de areia e enxergam só areia, que na cidade entrevista por elas ainda não foi engolida pelas casas criminosamente construídas à beira-mar nem é utilizada para festas "VIP" de réveillon, privando o público do seu espaço; dão rasantes sobre o espelho dágua e ainda encontram fartura de peixes para deglutir, no lugar de uma sujeira cada vez mais irremovível que bóia e nos fere o olho, o nariz e a saúde. Elas até hoje não conseguiram compreender o sentido da canção de Luiz Henrique Rosa, que diz "Ai, que saudades que eu tenho da minha lagoa", já que a Lagoa da Conceição, do seu ponto de vista, ainda é um paraíso pujante de vida, cor e cheiro de mar como desde sempre. Nessa cidade fantástica das gaivotas nativas, o Avaí é o time mais vezes campeão do Estado e também o de maior torcida. E a bruxa contou ainda que dentre todas essas gaivotas, as que mais enxergam a beleza, a intensidade e a presença de uma Ilha que não existe mais são as que vivem entre Coqueiros e Itaguaçu, bairros onde Florianópolis é mais Rio de Janeiro. Eis, portanto, toda a verdade. De minha parte, desconfio que as belas gaivotas que habitam Florianópolis são todas umas hippies da primeira geração dos hippies. Mas não considero que essa característica as faça um exemplo acabado de alienação. Afinal, elas não escrevem as leis, não se elegem vereadoras nem são envolvidas até as asas em operações da Polícia Federal como a Moeda Verde. Diria mesmo que as invejo. Todo dia, quando abro a janela aqui de casa, não por acaso em Coqueiros, sinto prazer em observá-las planando, corajosas, contra o vento Sul, velho e vagabundo, como o definiu outro dia o poeta Cruz e Sousa.

22/03/2008

Fidel, NYT e os Estados Unidos (nanopinião 33)

Hoje eu iria apenas escanear a capa do DC Cultura e dar o link da resenha de O homem que inventou Fidel (Cia. das Letras), de Anthony DePalma, no site do Diário Catarinense. Mas vejo agora, na edição impressa, que o resultado ficou... Confuso. Então resolvi publicar aqui no 1 crônica por dia o texto na íntegra, com o título original e uma foto que diz respeito ao livro. É isso. Herbert Matthews e Fidel Castro O repórter que a história não absolveu por Felipe Lenhart* No dia 6 de março, reportagem de James C. McKinley Jr., correspondente do The New York Times em Havana, descrevia como estudantes cubanos, por meio de um mercado informal de pen drivers e conexões clandestinas de internet, fazem para enviar para o exterior notícias e desabafos que não seriam publicados no Granma. Situação semelhante enfrentou o também jornalista do NYT Herbert Matthews, em 1957, para ludibriar a censura de Fulgêncio Batista. Para sair do país com as anotações de uma reportagem histórica, ele precisou recorrer à imunidade da esposa. Presas à cinta, coladas ao corpo de Nancy Matthews, viajaram as fotos e os apontamentos que comprovariam a existência de Fidel Castro. O relato dos bastidores, da execução e das conseqüências da entrevista com o líder revolucionário – cuja data, 16 de fevereiro, é comemorada em Cuba – está em O homem que inventou Fidel (Cia. das Letras), de Anthony DePalma. Lançada em 2006, a obra ganha atualidade com a renúncia do comandante-em-chefe. O encontro dos dois se deu numa clareira da Sierra Maestra, após o jornalista ter furado o bloqueio militar da região disfarçado de fazendeiro e passado a noite em claro à espera do entrevistado. Fidel estava escondido com o seu exército estropiado, pronto para mudar a história à bala, mas a versão oficial, divulgada mundo afora meses antes, era de que fora morto, seu cadáver desaparecido nos charcos de um pântano onde ele, Raúl Castro, Che Guevara e mais um punhado de homens desembarcaram do veleiro Granma, vindos do México, sob o bombardeio de aviões do governo. A reportagem que o NYT publicou na capa em 24 de fevereiro de 1957 mostrava uma foto de Fidel armado e a reprodução da sua assinatura nas anotações de Matthews (com a data da entrevista). No texto, o jornalista escreveu que os revolucionários queriam "uma mudança radical e democrática para Cuba, e portanto anticomunista" e que o movimento “é também nacionalista, o que, em geral na América Latina, significa anti-ianque”. O governo cubano se pronunciou: a entrevista era uma farsa. O NYT então publicou uma fotografia de Matthews e Fidel no meio da mata. A reação foi trepidante. Jovens norte-americanos viajaram à Ilha para se juntar aos heróis da Sierra; setores de Washington ficaram satisfeitos, porque empresários e políticos já estavam desiludidos com Batista (apesar de ser de direita e "confiável", o ditador era corrupto demais, um empecilho ao business); a luta por valores apresentados como os dos Founding Fathers encheu de orgulho a nação que estaria exportando, assim, o seu modelo de democracia. O furo, talvez a entrevista mais importante do século XX, fez Matthews acreditar que haviam retornado os bons tempos, ele que começara no departamento comercial, subira a repórter, editor, correspondente internacional, repórter especial e editorialista. Mas se a reportagem exclusiva tornara a lhe inflamar o ego, ressuscitara também os questionamentos ao seu bom senso e à sua ética jornalística a partir do momento em que Fidel passou a expropriar empresas norte-americanas, pregar anti-americanismo em seus longos discursos, fuzilar gente ligada ao regime deposto nos paredões... Sobretudo depois que Guevara e Raúl estreitaram relações com a União Soviética. Começou a recair sobre o jornalista a suspeita do engodo: Matthews teria escondido o caráter comunista de um regime instalado a 140 km da Flórida, em plena Guerra Fria. Para os detratores do veterano repórter, esse tipo de manipulação não seria novidade. Apesar de ser um dos responsáveis por redigir as opiniões do mais respeitado jornal do planeta, Matthews acumulara rusgas com editores e políticos no quesito “editorial x opinião”. No começo da carreira, ele cobrira a invasão da Abissínia pela Itália, em 1935, e a sua admiração por Mussolini ia além das entrelinhas – arrepender-se-ia, depois, do apoio ao fascimo. Na Guerra Civil espanhola – ao lado de Ernest Hemingway e Robert Capa –, diziam, só faltou-lhe empunhar um rifle de braços dados com os comunistas. O endurecimento progressivo do regime provocou inúmeros problemas para Matthews. Ele passou por todas as humilhações que um jornalista acusado de traição poderia passar em tempos de guerra – o fiasco da invasão da Baía dos Porcos, em 1961, e o episódio da “crise dos mísseis”, em 1962, agravariam a situação: ameaças de morte, investigações do FBI, interrogatórios no Senado, inquirições de toda a espécie, o desprezo de velhos amigos, a desconfiança de antigos patrões. É comovente acompanhar a luta de Matthews em defesa de sua honestidade: o Fidel de 1957 não era comunista e queria sim realizar eleições livres ao assumir o poder. Para ele, os vendavais da História – incluindo a animosidade dos EUA – é que haviam arrastado Cuba para dentro da Cortina de Ferro.
Um cartão-postal enviado por um leitor, em 1967, quando o jornal anunciara, em texto pesaroso, a aposentadoria de Matthews, é uma amostra contundente do desgaste a que o jornalista fora submetido: “Prezado sr., é com satisfação que vejo o encerramento de sua desastrosa carreira. Bem ao contrário das opiniões volúveis de seus colegas do NYT, você será lembrado pelo apoio à sangrenta República Espanhola de 1937 até [sic] o humanitário Fidel Castro em 1957, somente como: Herbert Matthews, um tolo em quem os tolos acreditaram”. Isso porque Fidel a cada ano dava mais demonstrações de que havia ludibriado o repórter e se aproveitado do seu entusiasmo, pois sabia que uma matéria na imprensa dos EUA impulsionava insurreições na América Latina: José Martí, o herói da independência cubana, fizera o mesmo, em 1895, ao falar para o correspondente do New York Herald. Para DePalma, a reportagem de Matthews é corajosa e honesta – Fidel é que não fez o menor esforço para dissipar a nuvem de dúvidas que encobria o assunto, pois ao regime interessa preservar a história da entrevista com a mesma cor romântica que ainda prevalece na análise de outros aspectos de Cuba. Basta saber que no Museu Nacional da Revolução, em Havana, há, dentro de uma caixa de vidro, uma foto de Matthews e Fidel fumando charutos e uma surrada máquina de escrever identificada como a que teria sido utilizada durante a entrevista. Não é verdade: Matthews usou papéis de carta dobrados em três para que coubessem na palma da mão – e para que não denunciassem a sua condição de jornalista caso fosse abordado pelos truculentos soldados da ditadura que antecedeu a atual. *Jornalista

21/03/2008

Paranoid Park – duca!

Hoje, depois do trabalho, deu tempo de pegar a última sessão de Paranoid Park, de Gus Van Sant, no cinema do CIC. Que diferença para Juno... O filme é de rachar a cuca de adultos e adolescentes, muito bem filmado. O mais perturbador é que o rapaz skatista comete a sua bobagem inesquecível num num momento crucial da vida, em que o seu caráter está se definindo de fato e várias preocupações importantes – virgindade, namoro, estudo, o divórcio dos pais, a possibilidade de ir à guerra dentro de alguns anos – se acumulam, mas perdem importância da noite para o dia. Excelente.

20/03/2008

17/03/2008

Nanopinião 32

Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum - Cia. das Letras Milton Hatoum publicou seu quarto livro há uma semana, e enfileirou mais uma pequena obra-prima na estante da sua bibliografia. Pequena mesmo, a novela tem pouco mais de 100 páginas. Um narrador misterioso conta a história de um amor impossível entre Arminto Cordovil e Dinaura, em Manaus e arredores. O livro integra uma coleção sobre mitos de um editora estrangeira. Os gringos hão de pirar com a mitologia amazônica, certamente a mais misteriosa do Brasil. E o melhor: você lê Órfãos... em menos tempo do que assiste a Juno.

Sunday Book Review: o livro para as massas

Artigo no Sunday Book Review do NYT sobre as diferenças de mercado, formato e qualidade dos livros que, após virarem filme, por exemplo, são postos à venda no formato paperback, para venda em massa. Muito bom. Browsing Books Paperback Row By ELSA DIXLER When the Book Review introduced a new best-seller list devoted to trade paperback fiction last Sept. 23, the editors explained that the list “gives more emphasis to the literary novels and short-story collections reviewed so often in our pages (and sometimes published only in softcover).” That suggests the difference between trade and mass-market fiction, but it doesn’t really make it clear, and many readers have written to express their confusion. This column, sitting as it does in the print edition next to the full spread of paperback best-seller lists, will attempt to explain the difference. For this exercise we need a ruler and two versions of a book whose market niche has particularly confounded readers: Ian McEwan’s “Atonement,” which appears on both the trade and mass-market fiction lists. (This week it appears at Numbers 8 and 17, respectively.) “Atonement,” a gracefully written novel about the power of the past and the nature of storytelling, set mostly in England around the time of World War II, was first published in the United States in 2002. The paperback appeared a year later and spent 11 weeks on our (at that time, only) paperback best-seller list. The movie, a sweeping love story starring Keira Knightley and James McAvoy, opened here in December 2007. In November, just before the movie’s release, Anchor, the publisher of “Atonement,” issued a mass-market paperback. I have before me two copies of “Atonement.” The cover of the trade version, published in February 2003, is black and white. It shows a child seated on stone steps, calling to mind the Tallis family’s country house and their younger daughter, Briony, who sets the plot in motion. Employing my ruler, I find that the book’s dimensions are 7.9 by 5.2 by 0.9 inches. It sells for $14.95. And now, the mass-market version. This cover is in color, and it features photographs of Knightley and McAvoy looking passionate in their Oscar-nominated period costumes. This book measures 6.8 by 4.2 by 1.2 inches, and it costs $7.99. Continua aqui.

Juno...

Trabalhei a tarde inteira, e voltamos há pouco de uma sessão de Juno no Cinesystem do Iguatemi. Não há muito a dizer; talvez que teria sido melhor ter entrado a noite trabalhando.

13/03/2008

A microfísica da diplomacia

Alguém não ficou constrangido com a situação dos espanhóis e da alemã deportados no aeroporto de Salvador segunda e terça-feira? O pai da moça mora na cidade! E o funcionário da PF, dizendo que o cabeludo "não pode entrar assim (sem dinheiro) em meu país"? E o tal Thomas Wlassak, chefe da delegacia de imigração local, afirmando ao Jornal Nacional que os viajantes barrados são "turistas que não interessam vir ao nosso país"? Parecia um britânico zeloso das riquezas do seu reino ultra-marino.

11/03/2008

O leitor, um solitário - por Harold Bloom

“Lemos, penso eu, para sanar a solidão, embora, na prática, quanto melhor lemos, mais solitários ficamos." Harold Bloom, em Onde encontrar a sabedoria? (Furtado do Gymnopedies, de Jonas Lopes.)

07/03/2008

Os blogs conversam: Rubem Braga em Zero Hora e no Diário Catarinense

Semana passada, fucei o Mundo Livro, blog das equipes de jornalistas do Segundo Caderno de Zero Hora e do clicRBS. Lá, durante a semana, Carlos André Moreira antecipa o que será destaque no ZH Cultura, que sai aos sábados. Descobri que na edição do último fim de semana o caderno sairia com um texto de Daniel Feix sobre a biografia de Rubem Braga (Marco Antonio de Carvalho, Editora Globo). Enviei um e-mail ao Carlos (que também foi cronista da versão gaúcha da Revista de Verão) comentando uma coincidência: eu acabara de escrever sobre o mesmo livro, também para o caderno de Cultura do Diário Catarinense. Indiquei-lhe a leitura, e o tempo passou. Agora, descobri, com atraso, que no sábado 1º de março ele não só comentou o assunto, como fez a gentileza de publicar minha resenha no Mundo Livro.
Aproveite para ler a entrevista que Carlos publicou em ZH Cultura com o grande Milton Hatoum, que acaba de lançar a novela Órfãos do Eldorado (Cia. das Letras) - também porque do escritor amazonense não se pode perder nem os artigos. Leia aqui.

06/03/2008

Cuidado com o vírus!

Parece sacanagem, mas um tempo depois de eu publicar o post abaixo, sobre como estudantes cubanos fazem para enviar informações para fora do país sem ser submetidos à censura, pintou um vírus no espaço dos comentários. É a primeira vez que acontece isso em 1 crônica por dia. A mensagem é esta: Mezik disse... See Here (http://tinyurl.com/2hvuep) or Here (http://ctk-vincent-alberici.blogspot.com/) Está ali, para quem quiser arriscar.

O contrabando de informações em Havana

É ótima a reportagem do correspondente do New York Times em Cuba publicada hoje no jornalão. Descreve como os estudantes de Havana fazem para enviar informações para fora do país, notícias que não seriam publicadas nos jornais oficiais (há mais um, além do Granma) e certamente desfavoráveis ao governo. Por exemplo, um vídeo em que representantes deles interpelam o presidente da assembléia nacional, Ricardo Alarcón. E não é o tipo de questão "Ah, por que não aderimos ao capitalismo?" Os caras citam José Martí, a Bolívia de Evo Morales, falam em nome da classe trabalhadora cubana etc., sobre a qualidade de vida no país. Descreve o funcionamento de um mercado informal de pen drives, venda de pontos de acesso à internet (em Havana, há um cybercafé, vigiado, em que não se pode usar o Google, segundo o texto) e como um casal faz para manter blogs em servidor alemão. Enfim, a estudantada lá se mexe, mesmo que "falando de lado e olhando pro chão". Que repercuta! By JAMES C. McKINLEY Jr. Published: March 6, 2008 HAVANA — A growing underground network of young people armed with computer memory sticks, digital cameras and clandestine Internet hookups has been mounting some challenges to the Cuban government in recent months, spreading news that the official state media try to suppress. Last month, students at a prestigious computer science university videotaped an ugly confrontation they had with Ricardo Alarcón, the president of the National Assembly. Mr. Alarcón seemed flummoxed when students grilled him on why they could not travel abroad, stay at hotels, earn better wages or use search engines like Google. The video spread like wildfire through Havana, passed from person to person, and seriously damaged Mr. Alarcón’s reputation in some circles. Continua aqui. O vídeos dos estudantes cubanos interpelando Ricardo Alarcón, presidente da Assembléia Nacional de Cuba: Os blogs que cubanos mantém em servidores estrangeiros, citados na reportagem, são estes: Consenso desde Cuba e Generación Y.

05/03/2008

O Oscar 2008 foi do cacete!

Ontem assistimos a There wil be blood (Sangue negro), e saímos do Floripa Shopping bastante satisfeitos. Com atraso de uma semana e meia, pudemos confirmar que o Oscar 2008 foi do cacete, um dos melhores dos últimos anos, acho. Os dois principais filmes na disputa, Sangue... e No country for old men (Onde os fracos não têm vez), são longos, sem pressa, mais difíceis que a média e pouco convencionais. Além disso, um inglês (Daniel Day-Lewis) conquistou o prêmio de melhor ator, um espanhol (Javier Bardem) o de melhor ator coadjuvante e uma francesa (Marion Cotillard) o de melhor atriz. E estou com os votantes da academia: por muito pouco, gostei mais de Onde os fracos..., e Daniel está de matar no papel do oilman ("prospector", no filme) self-made-man, empresário típico dos EUA: não preciso do Estado, estudo, planejo, empreendo e executo meu negócio por minha conta etc. Só achei que no fim do filme, praticamente na última cena de Sangue..., Daniel imitou o Jack Nicholson de O iluminado. Achei igual. Sangue Negro: Onde os fracos não têm vez:
 
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