18/01/2009

Poe, 200

Uma das leituras que mais me impressionaram no começo da adolescência, quando eu tinha 12 ou 13 anos, foi o Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe, cujo aniversário de 200 anos é hoje. Lembro que foi em Porto Alegre, na casa de meus padrinhos, numa - acredite - noite de tempestade, em dezembro. Não havia o que fazer, já mais de meia-noite, com quase todo mundo dormindo, quando desci à biblioteca e puxei o livro de capadura preta da estante. Acho que foi pelo título. Que beleza. Até hoje me lembro do conto em que o sujeito tinha a estranha doença de desfalecer e acordar algumas horas depois, e por isso vivia paranóico que o fossem enterrar vivo, ou o conto chamado A queda da Casa de Usher, assustador. Para comemorar a efeméride, segue abaixo trecho do artigo de Joyce Carol Oates para o New York Times, que começa quase igual a este post: Os pesadelos reais de Edgar Allan Poe Joyce Carol Oates Ali estava um mistério! Em nossa casa de fazenda que quase não tinha livros, no Estado de Nova York, na região conhecida estoicamente por seus moradores como Snow Belt (Cinturão de Neve), havia um volume -- danificado como se tivesse manchas de água, com cara de velho, austero em sua escura capa dura -- com o título intrigante de "O Escaravelho de Ouro". "O Escaravelho de Ouro" -- minha imaginação infantil tomou asas com essa imagem intrigante. Insetos -- principalmente moscas e mosquitos -- existiam aos montes no interior. Mas um "escaravelho de ouro", o que poderia ser? O nome do autor -- Edgar Allan Poe -- era forte, "poético", mas desconhecido para mim, uma criança de dez anos com um interesse precoce por livros e contação de histórias e tudo o que não era real, mas imaginado, como uma espécie de sonho acordado. Continua aqui.

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