Foi apenas um sonho (Rua da Revolução), de Richard Yates - Alfaguara
Em 2007, após assistir ao filme Perfume - A História de um Assassino (Perfume: The Story of a Murderer, 2006), dirigido por Tom Tykwer, fui correndo à livraria comprar o romance O Perfume, de Patrick Süskind, em que o roteiro se baseou. E me dei mal. O livro parece que foi reeditado às pressas pela Record, com uma tradução duvidosa e erros de digitação e gramática. Ainda não gostei nem do estilo nem do narrador: lembro de ter pensado que Victor Hugo deveria ter escrito aquele livro.
Ano passado, assisti a Desejo e Reparação (Atonement, 2007), dirigido por Joe Wright, e também fui à livraria comprar o livro Reparação, de Ian McEwan. Foi uma das melhores aquisições de 2008 para a biblioteca aqui de casa. O livro é uma obra-prima, e McEwan entrou para o meu "panteão". Leia a nanopinião aqui.
No início de 2009, um dos melhores filmes que vi dos concorrentes ao Oscar foi Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008), dirigido por Sam Mendes. Arrisquei de novo comprar o livro no qual o filme se baseia, e me dei muito bem. Foi apenas um sonho (Rua da Revolução), de Richard Yates, é digno do elogio de Nick Hornby, para quem "a obra de Yates é tão brilhante e facetada quanto a Trilogia do Coelho, de John Updike, e tão melancólica quanto a de Scott Fitzgerald", e de Tennessee Williams, que considera o livro "uma obra-prima".
O casal Frank e April Wheeler, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet no cinema, tem dois filhos e acaba de se mudar para uma grande casa num bairro afastado da agitada Nova York dos anos 50, onde ele faz um trabalho tedioso numa empresa em que seu pai passou a vida no anonimato. A residência fica na Revolutionary Road, a grande ironia do livro. Eis a explicação que o autor deu em uma entrevista, resgatada por mim da Wikipedia quanbdo especulava, aqui no blog, sobre qual seria de fato o tema do filme:
"I think I meant it more as an indictment of American life in the 1950s. Because during the Fifties there was a general lust for conformity all over this country, by no means only in the suburbs — a kind of blind, desperate clinging to safety and security at any price, as exemplified politically in the Eisenhower administration and the Joe McCarthy witchhunts. Anyway, a great many Americans were deeply disturbed by all that — felt it to be an outright betrayal of our best and bravest revolutionary spirit — and that was the spirit I tried to embody in the character of April Wheeler. I meant the title to suggest that the revolutionary road of 1776 had come to something very much like a dead end in the Fifties."
As diferentes ambições e os diferentes sonhos de Frank e April, para o casamento e para a vida, vão se revelando nos pequenos gestos e nas pequenas decisões que precisam tomar no dia a dia. April convence o marido a largar o emprego de merda, vender a casa e o carro e ir viver em Paris com as crianças. Frank resiste, ou finge que resiste, e quando toma a decisão de arriscar a viagem, recebe uma promoção no trabalho e passa a ser tratado com a atenção e o prestígio que nunca recebera e pelos quais seu pai morreu de velho tentando conquistar. A cena em que Frank conversa com o dono da empresa em um restaurante chique de NY é antológica.
Foi Apenas um Sonho (Rua da Revolução) foi o primeiro romance de Richard Yates. Com todo aquele talendo para contar histórias com frases que não se encontra facilmente por aí, ele nem precisaria ter escrito mais. Deixou um livraço.
Pois eu li O Perfume quando saiu a primeira vez. E achei bom,mais interessante ainda por ser todo baseado em sinestesias olfativas. Pena pegares edição ruim!
ResponderExcluirJá McEwan dispensa comentários!
bj
Como você tem a audácia de comparar Vitor Hugo a um escritorzinho desprezível como Patrick Süskind?
ResponderExcluirAntes de soltar uma dessas, acho que você devia tentar ler alguma obra completa de Vitor Hugo. Se conseguir, garanto que vai rever seus conceitos.
Flavia, considero Hugo o melhor narrador em prosa da história. Li O último dia de um condenado, Han de Islândia, O corcunda de Notre-Dame e Os miseráveis. Sobre este último, publiquei aqui no blog um comentário. Procure na seção "nanopinião" na lista aí ao lado, à direita. Hugo teria dado tratamento bem melhor à história criada por Süskind.
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