Memórias alcoólicas, de Jack London – Paulicéia
O Dauro Veras acabou de ler O filho eterno, do Cristovão Tezza, e já o elegeu o melhor de 2009. Parece estranho, mas faço aqui o mesmo com Memórias alcoólicas, de Jack London (1876/1916). Eis um livro que, certamente, estará na minha lista de cinco melhores no fim do ano. Publicado em 1913, o livro é uma “autobiografia do alcoolismo” do escritor – doença que, garantia, conseguia dominar. É o melhor livro sobre o assunto que eu conheço, mas no fim London defende a proibição total da bebida como forma de resolver a questão. A Lei Seca, aliás, é o mote do livro. London inicia o relato dizendo que acabou de votar num plebiscito a favor do sufrágio universal apenas para que as mulheres, cansadas de perderem seus esposos, filhos e familiares à ação nociva do álcool, votem a favor da Lei Seca. A partir daí, acompanhamos os primeiros porres do jovem London, filho de agricultores: cerveja aos 5 anos e vinho aos 7, duas das melhores e mais belas passagens do livro. Interessante que o título original do livro é John Barleycorn, que seria o pseudônimo da bebida pescado de uma canção britânica da idade média. O livro abarca dos 5 anos de idade até o estágio atual da vida do escritor (três anos antes de sua morte). Há alguns pulos na cronologia da narrativa, justamente as épocas que estão narradas em O chamado da floresta (a corrida do ouro), De vagões e vagabundos (o período de errância clandestinamente a bordo de trens de carga) e em A travessia do Snark (uma das longas travessias de barco que London fez). Um clássico.
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