Longa, excelente e muito bem-vinda reportagem de Felipe Pereira na edição deste domingo do Diário Catarinense. Tomara que o jornal aposte cada vez mais em textos como o que o xará escreveu. Leia já!
Drogas
Tribunal do tráfico
A história de um crime hediondo revela como a Lei do Morro é usada para julgar e executar sem piedade em Florianópolis
FELIPE PEREIRA
Um silêncio sepulcral envolve o barraco no Morro do Mocotó, onde dois olheiros descansam. O maior, de 19 anos, está capotado no sofá, chapado de crack. Fabiano, 15 anos, ligado de cocaína, não consegue dormir. São os últimos momentos de tranqüilidade deles. Devem ser assassinados esta noite. Os dois foram condenados pelo tribunal do tráfico, um sistema paralelo e implacável de Justiça que regula a criminalidade da Capital ao menos desde 2000, ano em que um consórcio de traficantes passou a controlar os morros da cidade.
Por volta da meia-noite, os carrascos entram no casebre para cumprir a sentença. Fabiano vê quatro homens começarem o ritual de tortura no olheiro que dorme no sofá. Ele é empurrado para o quarto ao lado a socos e pontapés. O som das pancadas, misturado aos gritos e súplicas, atravessa as paredes de madeira. O jovem é arrastado para fora do barraco inconsciente. Tem as mãos e braços imobilizados por uma fita adesiva. Nunca mais será visto, mas muito vai se falar a respeito dele.
Continua aqui.

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