10/06/2007

Nanopinião 18

Os miseráveis, de Victor Hugo - Cosac & Naify/Casa da Palavra Comecei a ler Os miseráveis em janeiro. Hoje pela manhã, terminei o livro. Cinco meses de leitura, 15 minutos de lágrimas. Pela primeira vez, chorei ao terminar um livro. Tinha a convicção de que isso nunca ocorreria. Mas Victor Hugo, um escritor pelo qual me encantei há alguns anos, ao ler O corcunda de Notre-Dame na edição integral da Ediouro, conseguiu me arrancar um choro que há muito eu desejava. Ao ler as duas últimas páginas, tive a certeza de que levarei Jean Valjean comigo para sempre – como a um segundo pai, talvez. Só a literatura elevada a píncaros pode forjar mágica igual. Victor Hugo dedicou trinta anos à sua criação máxima, das primeiras anotações em 1824, até a publicação do livro em 1854, em volumes. Na introdução desta edição comemorativa, Renato Janine Ribeiro convence o leitor de que “Os miseráveis é a grande obra – ao lado de muitas outras, que vendiam bastante na época – não só a mostrar o espetáculo da pobreza, mas a despertar nossos sentimentos pelos mais pobres”. Para o professor, “Victor Hugo foi o maior responsável por se constituir, na França e num mundo inteiro que lia e sentia com base na cultura francesa, uma preocupação com a miséria. Com ele, não só se deslancha esse tema como, além disso, assume a fisionomia compassiva, solidária”. Que privilégio içar tal bandeira, mais alta que a de 1789! Myriel (bispo de Digne), Fantine, Cosette, Javert, Fauchelevent, Thenardier, Marius, Courfeyrac, Feuilly, Enjolras, Grantier, Eponine, Gavroche... Não há livro mais bonito, não há gente mais verdadeira. Que texto.

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