22/02/2009
Sobre os candidatos a Oscar...
Hoje à noite ocorre a cerimônia de entrega do Oscar. Sexta, rolou a pré-estréia de Slumdog millionaire. Não fomos ver. Dos cinco concorrentes a melhor filme, só assistimos a O leitor (The reader) e O curioso caso de Benjamin Button (The curious case of Benjamin Button) – os mais fracos, ou menos bons, segundo li na imprensa brasileira e norte-americana. Os outros dois indicados, Frost/Nixon e Milk, foram muito elogiados e são concorrentes à altura do favorito Slumdog. Tomara que nas próximas semanas os filmes estréiem por aqui. Vimos ainda a O lutador (The Wrestler) e Foi apenas um sonho (Revolutionary Road). Abaixo, comento os filmes por, digamos, ordem crescente – do mais ou menos ao melhor.
Benjamin Button – Amigos e crítica me encheram de expectativas para o filme de David Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett. Entramos na sala de cinema com uns cinco minutos de atraso, e a Jade me fez sair para verificar se estávamos na sala certa. Quando a história de Button enfim começou, as dúvidas aumentaram. Fiquei um pouco constrangido com aquele velhinho, as situações em que se metia etc. e o ar cômico de cada cena. Uma hora olhei para a Jade e sussurrei: “Freak”, e ela concordou. Conforme o personagem rejuvenesce, o filme torna-se sério, melhora muito. O tour de Button pelo mundo, a bordo de um navio (algo assim meio Jack London, meio Herman Melville), achei o ponto alto do filme. No geral, não me emocionou, nem me fez pensar ou repensar alguma coisa. No estacionamento, já conversávamos sobre outro assunto.
O leitor – Saí da sessão gostando muito do filme. Principalmente de Katie Winslet e do garoto David Kross. A editora Record publicou o romance do escritor alemão Bernhardt Schilink, mas não me atrevo a comprá-lo, apesar de ter achado a história engenhosa, muito bem bolada. Saí da sessão também com a certeza de que o filme não faz concessões ao nazismo. Pelo contrário: as cenas de tribunal me convenceram de que ali todos tinham consciência de que o caso era sério, uma ferida pustulenta que teima reabrir de vez em quando e à qual não há remédio senão escarafunchá-la, por mais nojenta, até que um dia cicatrize de vez. Mas me incomodou ver (mais uma vez) aventada a hipótese de que os alemães, em geral, não sabiam de nada nem tomavam conhecimento das atrocidades nos campos de concentração etc. Esta idéia maluca que paira no filme é o que fez Ron Rosenbaum, na revista eletrônica Slate, escrever o seguinte: “If I hadn't used the locution so recently, I would be certain to call The Reader ‘The Worst Holocaust Film Ever Made’". Leia, é demolidor, e dá o que pensar.
Foi apenas um sonho – Gostei demais. O enredo, as atuações, a falta de redenção no fim. Como escrevi no dia seguinte aqui no blog, ainda hoje não sei o tema do filme. Já ouvi e li muitas opiniões – demasiadas expectativas com o outro, comodismo, medo, somente um caso de amor. Nenhuma me convenceu. Fui à livraria e comprei o livro de Richard Yates, editado pela Alfaguara. Estou quase no fim, e é excelente. Muito bem-escrito. Na Wikipédia, encontrei o treho de uma entrevista de Yates em que ele explica o título do livro – Rua da Revolução – e dá uma pista sobre seu tema. Assim que terminar o livro, comento aqui.
O lutador – O melhor deles. Mickey Rourke faz o filme como o lutador de luta-livre Randy "The Ram" Robinson. Se tudo der certo, ele vencerá o prêmio de melhor ator. O filme de Darren Aronofsky – diretor de Réquiem para um sonho (2000) – é verdadeiro, simples e pesado. Para Randy, não há nada a fazer senão subir no ringue e humilhar-se por 200 dólares. É a única coisa que ama e sabe fazer. Há uma cena em que ele convida um garoto seu vizinho para jogar Pro Wrestling, o clássico joguinho do console Nintendo 8 bits. O rapaz até joga, mas sem prazer nenhum: o bom, agora, é jogar Call of Duty, que no último upgrade transferiu o campo de batalha da Europa da Segunda Guerra para os desertos do Iraque. Mickey Rourke faz uma cara... Pudera: a última luta de sua carreira será contra o Haiatolá (iraquiano), grande amigo seu dos anos 80... Como diz Randy a certa altura: “Os anos 80 foram o máximo. Aí veio o Kurt Cobain e estragou tudo”, ou algo do tipo. A cena do “acidente” no supermercado também é irretocável. Filmaço. Veja o trailer abaixo.
ps. e viva Wall-e, claro!
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casei com a pessoa certa, hehe.
ResponderExcluirconcordo com tudo, mas, acho, sou mais exaltada nas opiniões.
e viva wall-e!!!
te amo, meu boneco.
tua linduda