02/02/2009
A crônica de hoje no DC: E agora, Salim?
Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense.
E agora, Salim?
E agora me digam: o que diabos teremos de fazer para transformar a próxima noite de autógrafos do Salim Miguel em um evento turístico de grande porte, com uma multidão formada por argentinos, paraguaios, gaúchos, paulistas, cariocas e até catarinenses de outras cidades acotovelando-se por uma conversa rápida, uma dedicatória, uma fotografia, uma mecha dos cabelos cada vez mais escassos do octogenário autor de A voz submersa e Nur na escuridão?
Porque agora que o prefeito decidiu, e a maioria dos vereadores de Florianópolis aprovou, fazer da Fundação Franklin Cascaes apenas mais um departamento da Secretaria de Turismo, cada artista morador da cidade deveria inscrever-se em um cursinho de guia turístico, reforçar o aprendizado de línguas, antenar-se nas novidades do trade e unir forças à municipalidade na batalha pelo desenvolvimento deste setor que já revelou intelectuais de brilho como Rafael Greca e Walfrido dos Mares Guia.
Não é urgente atrair a população mundial para a Ilha da Magia? Ora, sob essa nova orientação das políticas públicas para a cultura, nada melhor do que uma badalada noite de autógrafos do simpático e famoso Salim Miguel para servir de projeto-piloto.
Eu escrevi "badalada noite de autógrafos"! Ora, qualquer inauguração de loja de grife, sem a presença de um único turista, é assim classificada pelos colunistas sociais. O objetivo a partir de hoje, portanto, é trabalhar com afinco em campanhas promocionais cada vez mais inovadoras e surpreendentes para os saraus do Salim, até que as suas noites de autógrafos passem a ser chamadas de "feéricas" e "inesquecíveis".
Eis a melhor idéia que tive para alcançarmos este novo patamar: realizar o próximo lançamento numa sunset party em Jurerê Internacional, com DJs, open bar, dançarinas contratadas, show pictórico, efetivo da PM. Na semana anterior à grande data, servidores distribuiriam livretinhos com o primeiro capítulo do novo romance aos turistas que desembarcassem no aeroporto Hercílio Luz em vôos charters ou chegassem à cabeceira das pontes em ônibus de excursão. Um anúncio em Veja propagandearia o evento com uma foto do Salim fazendo um gesto de "vem" em frente a um dos nossos afamados beach clubs.
Se 70 pessoas comprovadamente turistas participarem, o sucesso será total. Se todas comprarem um livro, a nova Fundação Franklin Cascaes terá superado as expectativas.
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