22/06/2008

O sol é para todos - adaptação à altura do papel

Revimos ontem a To kill a mockingbird (1962), clássico dirigido por Robert Mullingan, estrelado por Gregory Peck e baseado na obra-prima de Harper Lee. Chorei, claro, mas também porque, visto logo em seguida à leitura do livro, o filme ficou ainda mais lindo. Impressiona a atuação de Peck como o advogado viúvo Atticus, pai dos ótimos, cativantes Jem e Scout. O ator não só disse as falas, mas também criou uma persona, um jeito de ser irretocável ao personagem: compenetrado, sério, sábio. O filme consegue mostrar o novelo de histórias paralelas e simultâneas de Maycomb com perfeição. Eis, acho, o segredo da adaptação de obras literárias para o cinema: engrandecer o que está no papel. Entre todas as nuances, a que mais gosto é sugerida nas cenas do tribunal, lotado de gente ansiosa pelo desfecho do julgamento de Tom Robinson. É tão claro que o réu não estuprou ninguém e está sendo acusado somente por ser negro que até Jem, com 8 ou 9 anos de idade, percebe. Para o garoto, a frustração de ver uma pessoa claramente inocente ser condenada à morte é decepcionante, e dói. É o fim, “precoce, mas necessário”, poderia dizer Atticus, da inocência. Que belo filme.

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