A mulher fresca pode surgir assim, dentro de um ônibus. Ela estará com uma blusinha branca sem mangas, os cabelos escuros cheirosos ainda úmidos do banho, a pele brilhando de um creme perfumado, uma calça jeans justa e bem azul-marinho, os braços e o rosto quase morenos graças ao sol pálido que ela com esforço pegou em julho, os pés de fora numas chinelas daquelas que só envolvem o dedão com um anel de couro. Com uns óculos delicados, lendo um texto sobre Reich ou Freud, a pasta da Psicologia da UFSC deitada sobre o colo. Sem a roupa das elegantes, a cabeleira tratada das vaidosas, a palidez das mulheres lindas, os sapatos de grife das sensuais. A mulher fresca é um momento de simplicidade, um desses meio-termos que alegram os olhos e contentam a maioria. E no inverno, quando você cruza com ela, toda fresca, toda brisa, é como se uma lufada de verão desfizesse o tempo feio e transformasse tudo em volta.
04/09/2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Coisa linda! Sempre curti fazer observações antropológicas em ônibus.
ResponderExcluirme fez sentir no verão!
ResponderExcluiradorei!
:)
Valeu, Dauro! Valeu, Ainá! Voltem sempre!!!
ResponderExcluirMuito bem escrito.
ResponderExcluirMulheres frescas são maravilhosas.