04/09/2007

E a reforma ortográfica?

Estadão de domingo:
A língua não é a Gisele Bündchen
Inês Pedrosa*
A expressão "acordo ortográfico" provoca-me um cansaço fulminante. Quando alguma coisa me decepciona muito, adormeço. Num minuto, esteja onde estiver, o que espanta os próximos, que me conhecem como insone militante. Um psicanalista explicou-me que se trata de uma reacção saudável do inconsciente. Útil, pelo menos, tem sido. Mas nesta questão da ortografia, sempre que abro os olhos, vejo mais uma figura da cultura portuguesa bradando contra "o colonialismo dos ex-colonizados". Urrando contra a humilhação estatística: 1,4% de alterações para Portugal contra uns míseros 0,5% do Brasil. Como se admite que a Língua-Mãe da velha Lusitânia se vergue à grafia do ingrato e vistoso filho? Ó inclemência! Ó misericórdia - assim se despejam, Atlântico abaixo, anos e anos de namoro oficial e promessas de um radioso futuro comum.
Continua aqui.
*Inês Pedrosa , escritora portuguesa, é autora, entre outros livros, de Fica Comigo esta Noite (Editora Planeta)

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