27/07/2009

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense.
No Twitter, quarta-feira passada:
loucura: acabo de chegar à ressacada, de moto taxi. A cronica de segunda ta garantida!
De moto, pelo Grêmio! Eu não iria a Avaí x Grêmio, por falta de ingresso. Acontece que duas horas antes do início do jogo eu consegui uma entrada. Telefonei para um avaiano que, de manhã, me oferecera carona. Para a minha desgraça, ele já estava na Ressacada. Amigo de longa data, porém, ele tratou de me encorajar: – Amigão, na rádio dizem que a fila está lá no túnel! Se eu fosse tu, ia até o Centro e pegava um moto-táxi. Vais chegar rapidinho. Boa sorte! Suei frio ao considerar a ideia. Mas decidi arriscar. No Largo da Alfândega, o único taxista que avistei estava com um avaiano na garupa. Esperei, e quando faltava pouco mais de uma hora para o começo da partida – eu cogitava desistir –, encontrei um livre. Combinei preço, meti o capacete e pedi muita calma – sou novato e tenho medo. Parecia que rodávamos havia meia hora, quando uma freada brusca me fez repensar no que diabos eu estava metido. Próximo ao túnel, a poucos metros de onde partíramos, dois motociclistas se estatelaram na nossa frente. Ao ver a cena – motos no chão, os sujeitos se levantando em câmera lenta, os faróis dos carros, o semáforo verde, buzinadas –, quase pedi para descer. – Esses irresponsáveis... Era o meu taxista. Suspirei de alívio. E no túnel eu dizia a ele: – Só na manha, só na manha, meu senhor. Percebi então que quanto mais eu falava, menos ele acelerava. Tratei de puxar conversa. O problema é que ele começou a virar a cabeça para trás repetidamente (“Como?”). Balbuciei “só na manha” e fiquei quieto. De qualquer forma, agora estávamos na Via Expressa Sul, sem curvas, com carros por todos os lados! Por que me preocupar? Tudo ia muito bem quando comecei a achar o espaço entre os carros muito estreito. E se eu desse uma joelhada num espelhinho? Se alguém resolvesse mudar de pista? Ou abrir a porta? E se a polícia nos parasse? Se eu fosse preso? Estrada reta é um perigo. Depois do Trevo da Seta, incentivado pelo meu silêncio de aparente tranquilidade, o taxista invadiu a pista no sentido contrário e acelerou. Um ônibus em alta velocidade surgiu, e o meu piloto teve de voltar à sua pista, sobre os sinalizadores, provocando-me uma leve tremedeira na espinha. Quando chegamos, faltavam 40 minutos para o começo do jogo. E o resto da noite, para ser franco, foi bem sem graça.

2 comentários:

  1. até a pé nós iremos, mas de moto-táxi é novidade... Bjs

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  2. hahaha!

    eu li essa crônica no dc.
    e adorei!

    linkei teu blog.
    cheguei aqui por intermédio da regininha ^^

    abraço.

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