De qualquer forma, nessa história da obrigatoriedade, fico com Eugênio Bucci, Mino Carta, Caio Túlio Costa e Daniel Piza. São melhor companhia, e muito mais profissionais, do que certos professores lamentosos e sindicalistas enfurecidos.
22/06/2009
Sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista
Desde antes de me tornar um jornalista diplomado, nunca aceitei a ideia de que passaria a vida devendo o meu orgulho profissional-de-verdade a Jarbas Passarinho. Para quem não lembra, Moacir Pereira recontou, na sua coluna no Diário Catarinense de sexta-feira passada, o episódio da criação do Decreto-Lei:
(...)
Desinformação que se evidenciou na abordagem do Decreto-Lei 972/69. Esta lei resultou de uma histórica mobilização dos jornalistas na Câmara e no Senado, cujas maiorias concordavam com a regulamentação. Mas dependiam do governo militar. O ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, no Congresso dos Jornalistas, em Teresina (1969), selou um acordo com a federação nacional. Autorizaria a maioria governista a aprovar a exigência do diploma e do registro. Dias depois, contudo, o presidente Costa e Silva foi afastado e substituído por uma junta militar. Quando os sindicatos e a Federação dos Jornalistas temiam que o pacto estava sepultado, o ministro Passarinho surpreendeu. E submeteu à junta o texto que estava no Legislativo. Com o Congresso fechado, só restava a via do decreto-lei. Assim, a regulamentação era legítima e democrática, ainda que sua forma tenha sido excepcional. Mas quantos outros decretos-leis continuam em plena vigência?
Beleza, hein? O mesmo Passarinho que, menos de um ano antes desta gentileza, mandou "às favas os escrúpulos de consciência" para ajudar a instituir o AI-5, o mais feroz atentado à liberdade de imprensa e às liberdades individuais da história do país.
Na verdade, acho que não vai mudar nada, se se pode acreditar 100% na promessa dos veículos de comunicação de continuarem contratando os melhores das faculdades, conforme li em vários editoriais sobre o assunto.
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