07/05/2009
CJC - Dia 3 - Tarde
A arte de resistir: o teatro fora da pauta
Eu e a Jade lemos com admiração o que Beth Néspoli escreve sobre teatro no Estadão. E sempre achei que seus textos eram quase como eventos especiais no jornal: aparecem de vez em quando, como se Beth fosse uma convidada e não uma repórter do jornal que está ali na redação todo dia. Para mim, era uma questão do tipo: ela tem tempo para apurar bem e tal. Mas não é só isso. Na palestra, ela contou que "briga" muito, nas reuniões de pauta, para conseguir publicar pautas interessantes de teatro.
O problema básico com que ela se depara na escolha das pautas de teatro é: balancear o espaço da arte "genuína" e a arte produzida para o mercado. Em geral, editores preferem abrir espaço para as peças que possuem apelo comercial. E o que reforça essa preferência, diz Beth, é que jamais um diretor ou um ator dirá claramente que está encenando tal peça para, basicamente, ganhar dinheiro. O discurso chega travestido, o que gera confusão e reforça a necessidade de resistir e "vender bem a pauta" (expressão que ela usou a contragosto, porque diz detestar).
Outra tensão do trabalho é ela se considerar uma repórter de teatro, não uma crítica. Amigos, colegas de trabalho e gente do meio teatral tenta convencê-la de que seria melhor se assumir como crítica, para aumentar o prestígio, mas ela resiste também aí. Outra ainda é a pressão por dar notícias e análises antes da concorrência. "A questão não é saber se a Folha deu antes. Dane-se a Folha. Eu quero é dar bem o que me proponho a escrever. Passa-se a pensar na concorrência e se esquece que o leitor do Estadão não está preocupado em saber como a Folha deu tal assunto, mas sim em perceber que fiz bem meu trabalho."
Contou também que faz muita crítica "offline", em e-mails e conversas pessoais com diretores e elencos. Beth garante que há, entre os que produzem "arte pela arte", quem não se interesse em ganhar cobertura do jornal, mas sim receber críticas sinceras, honestas e pertinentes sobre o seu trabalho.
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baita, rei.
ResponderExcluire salve o teatro!