06/05/2009

CJC – Dia 2 – Manhã

Uma saia justa de Márcia Tiburi? O primeiro debate de ontem foi chamado “A cultura é fundamental na formação do homem: quais são os meios de acesso e a importância do jornalismo na difusão da cultura?”. Quem centralizou a discussão, de maneira enviesada, foi Márcia Tiburi, professora da Universidade Mackenzie e integrante do Saia Justa, da GNT. Ela apresentou uma visão bastante pessimista do que seja considerado cultura hoje. Sua fala repercutiu na exposição dos outros debatedores. “Toda cultura é hoje indústria cultural”, disse ela, para quem não é possível mais ver a cultura fora do mercado e submetida às regras da administração. Na mesa com ela havia mais quatro pessoas, três delas consideradas “administradores de bens culturais”: o editor da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Hubert Alquéres; o diretor do SESC-SP, Danilo Miranda; e o diretor do CPFL Cultura (que produz programas e documentários exibidos na TV pública, como o Café Filosófico na TV Cultura), Augusto Rodrigues. Os três não gostaram de descobrir que o seu trabalho não é mais que vender produtos culturais... Márcia cometeu, no mínimo, uma imprecisão ao abrir sua palestra dizendo que os funcionários do MinC que falaram na segunda-feira no congresso deixaram claro que, até no governo, tudo se trata de vender bens culturais. Não é verdade. O ministro interino Alfredo Manevy e o secretário de Incentivo e Fomento fizeram de tudo para mostrar que sua missão no ministério é justamente o contrário, desde 2003: transcender o paradigma de que cultura só se compra e se vende - como contei aqui no blog. Em resumo, acho que Márcia cumpriu bem o papel que usualmente lhe cabe no Saia Justa e que é o imperativo da sua profissão de filósofa... Um case interessante: CPFL Cultura Augusto Rodrigues não estava na relação oficial dos palestrantes. Ele dirige, desde 2003 (coincidentemente o mesmo ano que marca as mudanças no MinC), uma série de programas televisivos cujo tema são reflexões sobre o mundo contemporâneo e os problemas – práticos também, mas muito mais filosóficos – da contemporaneidade. Como diretor, entende seu trabalho como o de aumentar o leque de perspectivas culturais para a exibição na TV pública. O excelente Café Filosófico é o melhor exemplo disso. Para os anos de 2009 e 2010, serão rodados 84 programas com o tema da crise em vários aspectos: financeiro, social, no casamento, na sexualidade etc. Rodrigues revelou ainda que a TV pública não consegue difundir como deveria este acervo de quase seis anos de produção, praticamente desconhecido do grande público. Aí, uma boa notícia: a CPFL Cultura está criando uma revista online em que, além de conteúdo jornalístico próprio e exclusivo, irá disponibilizar todo o acervo (quase mil DVDs) para download. A conferir. A Virada Cultural na mídia Danilo Miranda, diretor regional do SESC-SP, comentou a cobertura da mídia de São Paulo à Virada Cultural. Disse que pode perceber, lendo duas manchetes do mesmo dia, em jornais diferentes, como parte da mídia não consegue apreender a importância do evento na difusão e no “facilitamento” do acesso à população das mais diversas manifestações culturais. Um título dizia: “Virada Cultural reúne quatro milhões de pessoas em 24 horas”. O outro: “Centro de São Paulo vira lixão e banheiro público”. OK, a Néri Pedroso, que está aqui participando do congresso, me contou que passou pelo Centro e viu que a imundície – e o cheiro – era terrível, por exemplo, mas Miranda viu nessa postura uma má vontade com o evento. Ao que parece, nunca a Virada conseguira reunir tanta gente na cidade de São Paulo (em outros anos, o evento ocorreu também em outros municípios do estado), mesmo com um corte de 30% na verba em relação a 2008. No Estadão, que li em casa antes de viajar, a cobertura foi bem favorável, com a equipe do Caderno 2 selecionando o que de melhor, em sua opinião, havia para assistir entre sábado e domingo. Mas há quem tenha publicado, na véspera, um título como “Prefeitura COMETE outra Virada Cultural”...

Um comentário:

  1. Mestre, a Virada Cultural aconteceu no SESC Pompéia e arredores?
    abração

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