06/05/2009
CJC – Dia 2 – Tarde
Um divertido José Arbex Jr.
Logo no início da palestra de Arbex, que abriu a mesa-redonda intitulada “Cultura, imperialismo e globalização: os mecanismos de dominação tecnológica”, pensei comigo: por que Arbex não escreve na Caros Amigos artigos divertidos como suas palestras (já havia visto outras, em Porto Alegre e Floripa)? Sua gargalhada é dessas que não se esquece e que “ganha” de cara qualquer plateia.
Arbex fez elogios à iniciativa do congresso, do qual a Caros é apoiadora, mas não deixou de apontar lacunas. Disse que a educação que as escolas do MST promovem por todo o Brasil, amparadas no método genuinamente brasileiro de Paulo Freire, deveriam constar do programa, assim como as nuances e as riquezas do regionalismo. Para ele, o jornalismo cultural no Brasil é uma indústria do press release e nada a ver com cultural.
O cerne da sua palestra foi um assunto que, para ele, o jornalismo dito cultural deveria estar abordando com seriedade: a incorporação do discurso da produtividade e da eficácia como valores supremos, que eclipsam qualquer humanidade. Em outras palavras, a velha reificação do homem.
Citou como causa dessa reificação os aparatos tecnológicos que são também aparatos culturais, que contém em si uma idéia e uma experiência cultural e são exportados para países e regiões de diferentes realidades. “Todas as grandes tecnologias do século XX têm inspiração militar, de matriz bélica – a comunicação, o tungstênio, a internet etc.” Palavras como torpedo para mensagens de celular e público alvo lhe dão arrepios.
O jornal como espelho da realidade?
O professor de Ética da ECA-USP Clóvis de Barros Filho falou sobre a pauta jornalística - para os muitos estudantes que frequentam o congresso todo dia. Nada de novo.
Espanta-lhe que repórteres, mesmo os de longa data, ainda considerem que o jornal seja o espelho da realidade. Clóvis chama a atenção de que esse discurso é o mesmo dos departamentos de marketing das empresas jornalísticas: leia o que aconteceu no mundo, veja a história acontecer aqui. Ora, nenhum discurso pode corresponder à realidade: o mundo não cabe no jornal e todo jornal é apenas um mundo possível, publicado todo dia em lugar de outros mundos preteridos na reunião de pauta.
Em suma, o discurso exime o jornalista dessa atuação de escolha da realidade e na intervenção da construção da realidade do leitor.
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muito safo o arbex.
ResponderExcluirhehe.
te amo, rei.
Surpresa,né?
ResponderExcluirquem lê aqueles textos pesados que nem chumbo do Arbex não espera isso dele, hehehe...
bom saber!
bj