No sábado, o Estadão me informou que a biografia de Paulo Coelho, escrita por Fernando Morais (Olga, Chatô), começou a chegar às livrarias do país inteiro ontem, com tiragem de 100 mil exemplares. A matéria de Ubiratan Brasil garante: a editora Planeta, que publica os livros do mago no Brasil, pretende traduzir a obra em 40 países. Não lembro de outra reportagem de jornal que tenha me despertado o desejo de ler um livro. Pudera. Em entrevista, Morais conta que, depois de ter o livro pronto para publicação, leu no testamento do autor de O alquimista que, quando ele morresse, um baú teria de ser incinerado imediatamente. Morais, claro, quis saber que diabos continha o baú, guardado com todo cuidado num apartamento em Copacabana (RJ). Coelho recusou-se a informar o conteúdo da arca, mas Morais tanto insistiu que o biografado lhe propôs um desafio: o biógrafo teria acesso ao baú se descobrisse o nome do militar que o prendeu em 1969, no Paraná, achando que detia um guerrilheiro. Repórter de primeira, Morais descobriu, e fez a descoberta: cadernos com os diários de Coelho entre 1960 e 1994 e cerca de 100 fitas cassete com gravações do autor. Resultado: a biografia precisou ser reescrita.
Paulo Coelho já vendeu 100 milhões de livros, é mais traduzido que Shakespeare atualmente (66 idiomas) e, em entrevista a Mônica Bergamo, tempos atrás, disse que não sabe quanto dinheiro tem na conta bancária: ele apenas vai ao banco e saca a quantia necessária para o momento. Morais escreve que desde jovem, quando era roqueiro, Paulo Coelho tinha obsessão de ser o que é hoje: um escritor lido em todo canto do planeta. O resto não importava. Nem Raulzito, nem nada. É estranho, porque li um ou dois livros de Coelho (Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei e Brida, acho) e achei uma porcaria sem tamanho, mas minha impressão é de que, após ler a biografia, vou achar o sujeito do cacete...
Confira a cobertura do Estadão aqui.
02/06/2008
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