Sexta-feira, acordo com bumbos no ouvido. Olho o relógio: 7h20, quarenta minutos antes de o despertador apitar. Levanto, grogue, e abro a janela: um jaguara musuculoso derruba uma parede a marretadas, numa obra do Clube 12 de Agosto, em Coqueiros, terreno vizinho. Contenho um grito mal-educado. Vou à sala e ligo a TV: o telejornal anuncia com pompa as notícias de ontem, como os jornais que vou ler pouco depois, mas sem o apelo, o carisma, a inteligência do texto. O jaguara segue marretando a parede - que só cede, não cai - até as 8h. E aí pára. Silêncio. Mas já é hora de ir para o trabalho.
Terça-feira pós-feriado. Acordo assustado por um som terrível, indescritível, e quase caio da cama. Olho o relógio: 7h! Não é possível. Abro a janela e a cena é inacreditável: uma escavadeira e um caminhão manobram no pequeno terreno ao lado. Os motoristas contorcendo os volantes... E começa a dureza: junta a parede derrubada, acomoda os destroços; junta a parede derrubada, acomoda os destroços; junta a parede derrubada, acomoda os destroços... Eu não contenho o grito: "Brincadeira, hein? Escavadeira às sete da manhã é brincadeira!". O sujeito me olha com olhos arregalados, assustado, como se previsse que a qualquer momento alguém fosse pôr a cabeça para fora da janela, fora de si. Fecho a veneziana, o vidro. Vou para o computador. Procuro pelo site do Clube 12, quero um telefone. Ligo, ligo, ninguém atende. Aí me dá o estalo: antes das 8h, eles terminam a função. Às 7h45min, silêncio. Abro a janela de novo: um crioulinho varre o chão...
Indignado por não ter conseguido falar com ninguém no Clube 12 entre as 7h e as 7h45min, volto ao site. E descubro toda a verdade: a administração só funciona a partir das 8h. Tá explicado.
22/04/2008
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