Meti-me num banco na hora do almoço, e ele me recebeu com a grosseria habitual. Peguei a fila, interminável, uma linha de gente aborrecida e apressada, setindo-me, eu também, um pobre-diabo. Que fazer, se não esperar, e olhar, e contar um a menos, um a menos, a cada sujeito que sai do caixa com suas pendências ajustadas? Eu gastei o tempo observando os maus tratos que o banco - qualquer banco - dispensa ao povão. Confesso que, entretido nisso, distraí-me. Não deixa de ser curioso perceber os mecanismos repressivos da "instituição". É a porta giratória que trava no nosso nariz, como a recusar a entrada do cliente, e faz a fila de gente que está entrando recuar. As câmeras de vídeo penduradas aqui e ali vigiando tudo (e quando você passa e a câmera o acompanha!). A fila do "caixa a jato" que se forma em frente à escada, atravancando os caminhos. Os seguranças que nada ou pouco sabem (ou podem) informar. O sistema de senhas, caixas especiais para idosos e gestantes, apitos de alarme e alerta soando a todo momento. O entra e sai de funcionários: um gaiato, irritado e beligerante, garante que "lá atrás" há um monte de trabalhadores "tomando café e fumando um cigarrinho". E eu que pensava ser um banco o lar de Kafka. Engano, está mais para Foucault. Ao menos não tinha ninguém conversando sobre o último paredão do BBB8.
08/02/2008
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