07/09/2007

O filho oculto, e eterno

A Vanity Fair deste mês trouxe uma reportagem curiosa: o dramaturgo Arthur Miller teve um filho com Síndrome de Down, Daniel Miller, e sempre escondeu o rapaz de todos. Apenas em 2005, seis semanas antes de morrer, o autor de A morte do caixeiro-viajante reescreveu seu testamento para que Daniel tivesse direito a herança, junto com os três irmãos “normais”. Daniel foi o segundo filho de Miller com a superfotógrafa Inge Morath, sua terceira mulher. O reencontro de pai e filho teria ocorrido em 16 de setembro de 1995, em Connecticut, presenciado por testemunhas, sem que isso tenha alinhado suas vidas. Depois do abraço afetuoso, foi cada um para o seu lado, em silêncio. História completa, aqui. No Brasil, este tema – a infelicidade de um pai com o nascimento de uma criança downiana –, parece, foi muito bem explorado pelo escritor catarinense Cristovão Tezza, que acaba de publicar O filho eterno. O autor lageano é pai de um garoto com Síndrome de Down, e seu livro está, dizem, entre os melhores dos últimos anos da literatura brasileira.

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