"Um amigo meu, escritor de sucesso, costuma dizer que a literatura já era. Diz e demonstra. Concordo com ele e vou além: tudo já era, menos as multidões. Não há nada mais de interesse permanente ou durável em nosso tempo, a não ser alimentar as multidões ou explorá-las, impedir que elas morram ou matá-las, aliviar os seus males ou agravá-los, adular-lhes as pobres esperanças ou aterrorizá-las com ameaças. A unidade passou a ser multidão; o que não entra nesta escala só pode ter um interesse circunstancial ou fugaz."
Paulo Mendes Campos, na crônica O poeta que se foi, sobre Auden, pg. 139 de Artigo indefinido - crônicas literárias, editora Civilização Brasileira.
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