08/11/2006

As explosões do Gre-nal

O Gre-nal. Ao Gre-nal, já é sem tempo. O clássico é repleto de explosões de boiada enfurecida. A explosão ocorre muito antes do jogo, durante as preliminares, quando as torcidas cantam de pulmões e fígados cheios – a da casa com mais energia, mais exaltada, a visitante só reage, e provoca. Ocorre explosão também um pouco antes do começo da partida, em resposta ao autofalante do estádio, que dita a (muitas vezes falsa) escalação dos times: urras para os da casa, soldados, vaias para os de fora, ordinários. Há dupla explosão quando o time mandante entra em campo: a torcida enlouquece, canta e vibra, o foguetório espouca lá fora, treme o estádio e todo o resto. (Em geral explode o apupo, uma vaia generalizada, quando os forasteiros ousam subir ao gramado de mãos dadas.) Pouquinho antes do início do jogo, o estádio explode de impaciência, durante o minuto de silêncio que o juiz teima em dar ao defunto mais recente. E quando o atacante rola a bola para o meia, há uma explosão de alívio porque a peleja teve início – uma vaiazinha para eles, se estiverem com a bola, um brado de incentivo a mais para nós, se a pelota estiver com a gente. E se o primeiro tempo termina e ninguém mais explodiu, porque a partida é chocha, o intervalo é cheio de estouros. Explode de um lado, quando os torcedores saem no braço, chutando e socando uns aos outros, quebrando cadeiras, atirando bandeiras. Explode do outro lado, quando os integrantes de uma organizada partem para cima da PM e apanham com a típica hombridade dos ébrios (ou a natural ebriedade dos homens?). "E tudo volta ao normal quando os inimigos do campo voltam à batalha que vale os três pontos", narra o radialista com voz potente. E um cartão amarelo para lá merece uma explosão dos de cá; se for vermelho, então, nem se fale. Já qualquer cartão para os de cá exige uma explosão de protestos (até dos camarotes, das tribunas de honra!). As explosões seguem-se umas às outras. O Gre-nal é, portanto, uma artilharia de explosões emocionais que raras vezes se registra nos campos desse Brasil. A explosão mais calamitosa, mais doída, porém, é provocada por aqueles que, nesse jogo em especial, são a minoria do estádio. Por exemplo: ouvir a comemoração de um gol do Internacional dentro do Olímpico é de uma monumental tristeza. Se é...

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