23/06/2009

Dois artigos: o furo histórico e o diploma

DIPLOMA DESNECESSÁRIO Contra a obrigatoriedade, a favor de regulamentação Maurício Stycer Reproduzido do blog do autor, 18/06/09 Dou aulas de jornalismo, de forma não contínua, desde 1994. Já passei por cinco faculdades diferentes. Ao longo do tempo, adquiri algumas certezas e muitas dúvidas sobre a necessidade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista. Tento a seguir ordenar alguns argumentos e questões sobre o fato. 1. O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório. 2. Onde adquirir os conhecimentos citados no tópico anterior? Começa em casa, prossegue na escola básica, depois na secundária e, finalmente, na faculdade. Qual faculdade? 3. Você não precisa cursar uma faculdade de jornalismo para aprender nada disso. 4. Quais são os conhecimentos específicos necessários para ser jornalista? Entramos aqui no terreno da técnica. Não são muitos. Desafio alguém a defender a necessidade de mais do que dois anos de estudos para adquirir conhecimentos específicos da profissão, tais como técnicas de entrevista ou técnicas de redação voltadas para diferentes mídias. Continua aqui. GUERRILHA DO ARAGUAIA Sete anos e 45 viagens para um furo histórico Postado por Luiz Weis em 22/6/2009 Ao contar em poucas palavras como O Estado de S.Paulo conseguiu ter acesso aos documentos sobre a repressão à Guerrilha do Araguaia guardados durante 34 anos pelo major Sebastião Curió Rodrigues de Moura – que renderam na edição do domingo, 21, a revelação histórica de que o Exército executou não 25, como se pensava, mas 41 guerrilheiros presos –, o repórter Leonencio Nossa, o autor da proeza, relata que, nos últimos sete anos, a equipe do jornal “teve 45 encontros” com o militar. Nestes tempos em que a vertigem da comunicação online é celebrada por incontáveis internautas como o fim de um modelo de jornalismo que já teria dado o que tinha de dar e como o advento de sua reinvenção, é bom parar para pensar na empreitada – e no que está por trás dela – que é o processo de informar. Continua aqui.

22/06/2009

A "fotovista" é um barato!

Esqueci também. Ontem o Estadão estreou uma seção nova no caderno Metrópole. É a Fotovista. Ideia do jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Trata-se de uma entrevista feita com perguntas por escrito e resposta por imagens. Muito bom. A primeira foi feita com os atores Gero Camilo e Caco Ciocler, que estão em cartaz com a peça Aldeotas no Teatro da PUC - eu assisti durante o Congresso de Jornalismo Cultural. No Blog do Metrópoles, algumas perguntas-e-respostas que ficaram de fora da linda página impressa. Aqui.

O Radiohead dos jornais brasileiros?

Esqueci de comentar. Ontem, o Estadão trouxe um anúncio de página inteira com uma proposta surpreendente: o assinante decide o quanto vai pagar pelo primeiro mês da assinatura. A campanha se chama "Se hoje a informação é de graça, qual é o valor do conhecimento?". Muito interessante. Regulamento e explicações necessárias, aqui.

Nanopinião 53: O rei da noite

O rei da noite, de João Ubaldo Ribeiro - Objetiva Crônica é um gênero safado mesmo. Ler esta nova coletânea do João Ubaldo Ribeiro me fez lembrar que João Ubaldo Ribeiro é um cronista muito, muito divertido. É assim mesmo: por melhor que você considere o cronista, de tanto lê-lo todo dia ou toda semana, chega uma hora em que a gente se cansa do sujeito, e para de ler. Simples: para mesmo, lê o título, quem sabe, e pula de página. Eis justamente uma das maravilhas das coletâneas, para além de arranjar um dinheirinho para o pobre autor. A cada crônica excelente que eu lia - em especial as feitas só de diálogos, no boteco -, pensava: "Mas como eu não leio o Ubaldo há meses no Estadão de domingo que chega a minha casa toda semana!?!". É assim mesmo. E acho - acho não, tenho certeza - que não li a crônica de ontem.
 
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