14/09/2008

Pinceladas de William Faulkner

Esquetes de Nova Orleans, José Olympio
tradução de Leonardo Fróes
página 131
Mr. Harris detestava duas coisas: seu vizinho, Juan Venturia, e uma música chamada O Rosário. Experimentava um violento prazer por nunca ter decidido qual detestava mais. Nos dias em que Venturia, fazendo suas faxinas, despejava entulho e latas – e uma vez um gato morto – na entrada da casa de Mr. Harris; ou quando uma das apreciadas galinhas de Mr. Harris adentrava o espaço de Venturia e conseqüentemente sofria abrupta e completa extinção, ele tinha consciência de que odiava Venturia com um furor desconhecido no mundo. Porém, quando forçado pela esposa ou as filhas a assistir a um desses saraus musicais onde estrangeiros de jubas desgrenhadas, incapazes de falar ou tocar em inglês, arranhavam rabecas aflitivas, ele tinha consciência de que nada em parte alguma poderia ser pior do que O Rosário – ou, no que lhe dizia respeito, qualquer outra modinha.

10/09/2008

Novo iPod Touch: eita!

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09/09/2008

Nanopinião 43: Tribulações de um chinês na China

Tribulações de um chinês na China, de Júlio Verne - Hemus
Como escrevi no dia 25 de agosto, passei julho e agosto sem ler ficção – a última nanopinião foi sobre Na praia, de Ian McEwan, em 1º de julho. O que está parado, "na cabeceira", como mostra a relação na coluna aí à direita, é o que eu venho lendo, a conta-gotas, desde junho. Para voltar à ativa, peguei este romance de Júlio Verne da estante e o li em uma semana. Conta as aventuras do milionário solteirão Kin-Fo pelo território do Celeste Império, em busca de seu tutor, o filósofo Wang. Sujeito fleumático, Kin-Fo, morador de Xangai, um dia reúne Wang e mais três amigos para anunciar que, dali a dias, se casaria com uma moça de Pequim. Queria, assim, encontrar a felicidade, que até então, em três décadas, não surgira em nenhum aspecto de sua vida, apesar do dinheiro e do conforto. Wang o encoraja: talvez os aborrecimentos do casamento lhe fizessem dar mais valor aos fatos mundanos. Tudo certo. Ocorre que pouco antes do casamento Kin-Fo descobre que está arruinado: todo o seu dinheiro sumira com a bancarrota de um banco na Califórnia. Sem demonstrar muita tristeza, reúne as últimas economias e faz um seguro de vida no valor de 200 mil dólares, quantia que deverá ser dividida entre a noiva e o amigo filósofo, inclusive em caso de suicídio. Dois funcionários da empresa são postos para vigiar o provável suicida e impedir que, com sua morte, provoque um rombo na seguradora. Em casa, Kin-Fo pede que o próprio Wang o mate, e o filósofo concorda, mas exige o pedido por escrito e assinado. Kin-Fo escreve a carta, a entrega ao amigo, mas Wang foge de posse do documento. No mesmo dia, Kin-Fo recebe uma correspondência do banco californiano: o governo federal intervira na crise financeira e reergueu o banco, fazendo com que as poupanças dos correntistas voltassem ao estágio pré-falência. E agora? Há um sujeito com autorização para matar outrem solto pela China! Confusão danada, mas o livro é fácil e divertido: Júlio Verne mistura conhecimentos geográficos e científicos (há uns esquisitos "aparelhos do Capitão Boyton", que salvariam e dariam conformo a qualquer náufrago) a um enredo cheio de reviravoltas. Legal. Mas voltemos, agora, ao Dostoiévski.

08/09/2008

Vão exumar Edgar Allan Poe?

No New York Times de sexta-feira, a curiosa história do acadêmico (Edward Pettit) que deseja exumar os restos mortais de Edgar Allan Poe, em Baltimore, sua cidade natal, e enterrá-los na Filadélfia, onde o autor de O Corvo teria escrito suas principais obras. Comprou briga com o curador do Museu Casa de Poe (Jeff Jerome).
Baltimore Has Poe; Philadelphia Wants Him
By IAN URBINA
BALTIMORE — Edgar Allan Poe never lived in one city for long, and ever since he died and was buried here in 1849 this city has claimed him as its own.
But last year Edward Pettit, a Poe scholar in Philadelphia, began arguing that Poe’s remains belong in Philadelphia. Poe wrote many of his most noteworthy works there and, according to Mr. Pettit, that city’s rampant crime and violence in the mid-19th century framed Poe’s sinister outlook and inspired his creation of the detective fiction genre.
“So, Philadelphians, let’s hop in our cars, drive down I-95 and appropriate a body from a certain Baltimore cemetery,” Mr. Pettit wrote in an article for the Philadelphia City Paper in October. “I’ll bring the shovel.”
Continua aqui.
 
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