Como escrevi no dia
25 de agosto, passei julho e agosto sem ler ficção – a última nanopinião foi sobre
Na praia, de Ian McEwan, em
1º de julho. O que está parado, "na cabeceira", como mostra a relação na coluna aí à direita, é o que eu venho lendo, a conta-gotas, desde junho. Para voltar à ativa, peguei este romance de
Júlio Verne da estante e o li em uma semana. Conta as aventuras do milionário solteirão Kin-Fo pelo território do Celeste Império, em busca de seu tutor, o filósofo Wang. Sujeito fleumático, Kin-Fo, morador de Xangai, um dia reúne Wang e mais três amigos para anunciar que, dali a dias, se casaria com uma moça de Pequim. Queria, assim, encontrar a felicidade, que até então, em três décadas, não surgira em nenhum aspecto de sua vida, apesar do dinheiro e do conforto. Wang o encoraja: talvez os aborrecimentos do casamento lhe fizessem dar mais valor aos fatos mundanos. Tudo certo. Ocorre que pouco antes do casamento Kin-Fo descobre que está arruinado: todo o seu dinheiro sumira com a bancarrota de um banco na Califórnia. Sem demonstrar muita tristeza, reúne as últimas economias e faz um seguro de vida no valor de 200 mil dólares, quantia que deverá ser dividida entre a noiva e o amigo filósofo, inclusive em caso de suicídio. Dois funcionários da empresa são postos para vigiar o provável suicida e impedir que, com sua morte, provoque um rombo na seguradora. Em casa, Kin-Fo pede que o próprio Wang o mate, e o filósofo concorda, mas exige o pedido por escrito e assinado. Kin-Fo escreve a carta, a entrega ao amigo, mas Wang foge de posse do documento. No mesmo dia, Kin-Fo recebe uma correspondência do banco californiano: o governo federal intervira na crise financeira e reergueu o banco, fazendo com que as poupanças dos correntistas voltassem ao estágio pré-falência. E agora? Há um sujeito com autorização para matar outrem solto pela China! Confusão danada, mas o livro é fácil e divertido: Júlio Verne mistura conhecimentos geográficos e científicos (há uns esquisitos "aparelhos do Capitão Boyton", que salvariam e dariam conformo a qualquer náufrago) a um enredo cheio de reviravoltas.
Legal. Mas voltemos, agora, ao Dostoiévski.