26/10/2009

Peladeiros...

Página 7 do caderno Variedades, na edição de hoje no Diário Catarinense.


Peladeiros

O boleiro – É aquele que, só de bater na bola, todo mundo percebe que entende do assunto. Em 90% dos casos, cresceu jogando futebol de salão em ginásios de saibro. Em 100% dos casos, tem a idade do resto dos peladeiros, mas fuma e bebe como um adolescente em início de carreira boêmia, o que prejudica bastante o seu rendimento. Acontece que ele não esquece o que um dia aprendeu, e quando menos se espera acerta um chute de bico, um drible curto ou um passe de bola cavada – pecado mortal no futebol suíço! – que impressionam pela precisão. É magro por natureza e só entra em campo de grama sintética com tênis de futsal e meia curta. Mestre das assistências.

O gordo – É a melhor saúde entre os boleiros, disparado o que mais corre, seja pela direita, seja pela esquerda, na lateral do campo. Faz gols à revelia, costuma ser o goleador da noite. É o piadista da turma e é sempre espantoso quando ele ganha de você na corrida, chuta todo desengonçado – quase caindo – e tá lá! Temos de reconhecer: o gordo faz um gol memorável por semana. Por exemplo, o Julio do Poeirão: segundo a lenda, já fez mais gols que o Romário, uns 1.200.

O banheira – Mistura de gordo e boleiro: sabe chutar ao gol, mas jamais driblar, e tem bom fôlego, apesar da pança de cerveja. Fica lá na frente, conversando com o goleiro adversário. Desatento, mas pronto para tudo. Perde chances em profusão, mas acerta chutes impossíveis e sai no Bola Cheia do Fantástico. Faltas sofridas por ele parecem mais violentas que as outras. Fala sem parar com o resto do time, grita “Vira, vira!” e “Aqui, aqui!” até o limite do tolerável. Quando você passa a bola e ele marca o gol, vem cheio de orgulho agradecer; quando erra, brada um *#@! e volta para a sua posição de pivô. Tem inveja mortal dos boleiros: “Muita firula, muita firula”.

O capitão – Zagueiro do time, o tipo que compreende suas limitações e fica lá atrás, distribuindo balões, pontapés, empurrões e xingamentos. Tudo porque é o único que leva o jogo a sério. Alerta, reclama de todos: do banheira por não voltar para ajudá-lo, do boleiro por ser displicente e do gordo porque erra passe. Sua frase é “Vamos voltar, time, tô com dois aqui!”.

O dono da bola – É quem organiza o futebol, administra as finanças e a lista de discussão. Ponto.

O goleiro – Peça raríssima. Quando aparece um de verdade, vestido a caráter, é uma festa: ninguém do meu time vai precisar ir para o gol essa noite!

Um comentário:

  1. hehehe,
    eu li esta no dc,
    e adorei,
    como adoro sempre tuas crônicas.

    abraço.

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