De volta ao blog - aos poucos, passo a passo, devagar e sempre.
Abaixo, as últimas crônicas do Diário Catarinense.
14 de setembro
As perdas
As chuvaradas voltaram, e com elas os tornados. Ora, nesta última década Santa Catarina tornou-se um pedaço de terra visitado por tornados e ciclones extratropicais. Não me lembro de algum dia ter aprendido nas aulas de geografia que esse tipo de fenômeno pudesse um dia castigar o lugar onde vivo. Havia a estiagem, que matava o gado, queimava as plantações, secava os rios, e enchentes de grandes proporções de vez em quando, que engoliam casas, carros, vidas. Mas nunca, sei lá, o furacão. De repente, do nada, aparece um Catarina vindo do oceano e arrasa tudo que encontra na sua rota com força inédita, que não conhecíamos senão por filmes de catástrofes, e inaugura uma triste rotina.
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7 de setembro
Se eu pudesse...
Se eu pudesse, confesso que me dava o direito de deixar em branco este espaço que me cabe no caderno Variedades de hoje. Ainda melhor que isso somente se houvesse a possibilidade técnica de trocar o texto que porventura eu apresentasse por uma mancha preta que ocupasse toda a coluna aqui no canto da página, de alto a baixo, nesta segunda-feira de feriado nacional e tédio invencível.
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31 de agosto
O Vô Maneca
Para Guilherme Gouvêa, pelos 33
Nos tempos em que era meu pai quem levava eu e meu irmão ao barbeiro, íamos emburrados, sem dar um pio no carro, indiferentes aos comentários de que estávamos com “jubas de leão”. Nada amenizava nosso aborrecimento contra o ofício de certo velhinho bondoso que nos recebia com sorrisos e abraços. Este senhor chamava-se Vô Maneca, que é como meu pai o tratava. Ele e a mulher moravam em uma casinha azul de madeira, na Trindade.
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24 de agosto
Agosto funesto
Serei azedo como este mês de agosto. Porque pensei que em 2009 o mês não seria tão carregado como outros agostos cujas ocorrências marcaram a história. O agosto atual no Brasil, porém, tem lá suas tragédias, ligadas aos três poderes, cada vez mais indignos de crédito.
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17 de agosto
A sacada e o Peninha
Na semana passada, investi boa parte das minhas tardes sentado na velha sacada, olhando a rua e o movimento. Fizeram-me companhia uma pilha de livros que eu jamais imaginara ler e um canário verde e amarelo chamado Peninha. O passarinho é lindo e cantador, motivo pelo qual recebe tratamento respeitoso e digno dos seus responsáveis: ganha alpiste a cada tantos dias, frutas silvestres ou couve de quando em quando, água renovada diariamente, sementes exóticas, brisa pela manhã, solzinho no fim de tarde e, à noite, a proteção de panos limpos sobre a gaiola para que os mosquitos e as luzes da noite não o incomodem. Além disso, a sacada é ornada com vasos de flores e muito verde, o que decerto ajuda a diminuir ainda mais o desamparo do bicho.
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18/09/2009
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