Salim Miguel, jornalista e escritor
Autor de Nur na Escuridão recebe dia 23 de julho o Prêmio Machado de Assis, a mais importante honraria das letras nacionais
13/07/2009
Felipe Lenhart
O escritor Salim Miguel não se cansa de repetir a história da tarde em que, por telefone, teve de explicar a um impaciente revisor do centro do país o significado da palavra tanso. Para não soar professoral, Salim foi didático: "Meu filho, se tu não sabes o que quer dizer tanso, então és um tanso mesmo".
Este ruído de comunicação entre o epicentro e a periferia da produção cultural brasileira serve de metáfora para ilustrar uma embolorada tradição do mercado editorial: para ser lido e publicado por editoras importantes, angariar críticas relevantes ao seu trabalho, o escritor de fora do eixo Rio-São Paulo precisa vencer desafios às vezes absurdos.
Mas perdoai o revisor diligente: inquirir o autor em busca de justificativas pela escolha de certos vocábulos, pelo uso de certa sintaxe, faz parte do seu ofício. Ele só não sabia que o libanês Salim Miguel não se permite concessões de estilo. Sua obra literária foi construída a partir da cidade catarinense em que passou a infância, Biguaçu, na Grande Florianópolis, onde os açorianos legaram uma herança peculiar nos usos, costumes e no linguajar local. Por ali e em quase todo o litoral, tanso - sonso, tolo, ingênuo - é palavra corriqueira na boca dos "manezinhos da Ilha" e dos que vivem à beira-mar.
Foi essa pertinácia em escrever obedecendo ao tom da própria voz e à cadência do próprio ritmo, levando a sério o ensinamento de que é a partir dos pormenores da aldeia que se revela a complexidade do mundo, que levou Salim Miguel a empenhar toda a sua vida à palavra escrita e à difusão da literatura no Brasil.
No dia 23 deste mês, quando entrar na sede da ABL para receber o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, a mais importante honraria das letras nacionais, Salim estará emocionado pela realização do sonho de ter reconhecida a sua trajetória literária, e lá nos desvãos da memória haverá de emergir uma cena da época em que fazer-se escritor e jornalista era apenas um desejo de criança: o dia em que conheceu João Mendes, o livreiro cego da sua Aracataca afetiva.
Continua aqui.
13/07/2009
Salim Miguel no site da revista Cult!
A melhor notícia do dia: saiu hoje, no site da revista Cult, o perfil que escrevi de Salim Miguel, o escritor "líbano-biguaçuense", como ele gosta de dizer, que no dia 23 vai à Academia Brasileira de Letras receber o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra. O texto visa mostrar a incessante atuação de Salim na vida literária e cultural brasileira, lá se vão mais de 60 anos... Abaixo, a abertura. O resto, confira no site.
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mandou muuuuito bem, Felipe!
ResponderExcluirCheguei até a última linha de um texto sobre Salim Miguel. Taí o meu elogio :)
ResponderExcluirValeu, Frank!
ResponderExcluirValeu, Diego!
Abraços
Foi essa pertinácia em escrever obedecendo ao tom da própria voz e à cadência do próprio ritmo, levando a sério o ensinamento de que é a partir dos pormenores da aldeia que se revela a complexidade do mundo, que levou Salim Miguel a empenhar toda a sua vida à palavra escrita e à difusão da literatura no Brasil.
ResponderExcluir(?)
...
Como diria Eliziário, uaupontocompontobeérre!!!
MARAVILHOSO Felipe...
lindo, sensível, tocante, denso e ao mesmo tempo suave. Deslizei pelas linhas do teu texto.
Bjs.