08/06/2009

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. Uma década Então eu olhei o calendário com um olhar inédito e me dei conta de que estamos em 2009, e de que no primeiro semestre de 1999 eu conheci os meus melhores amigos. Hoje eles estão um pouco distantes, afastados de mim e entre si – uns mais, outros menos – por tantos motivos que talvez eu nem soubesse enumerá-los. Mas já foi pior. Um deles desembestou pelo mundo e viajou durante dois ou três pares de anos exercendo a vocação que nos uniu. Sabíamos da sua vida pelas páginas de revista que escrevia sobre lugares do planeta que os turistas preferem jamais visitar. Há pouco ele retornou e tornou mais evidente para nós as diferentes trilhas que tomamos na vida, fado previsto com acerto por um velho lobo comunista. Foi em 1999 que a tal paixão nos reuniu e nos tornou cúmplices, pois tivemos a sorte ou o destino de estudar jornalismo numa faculdade em que um punhado de professores defendia a tradição de que ser jornalista era ser Nelson Rodrigues, Rubem Braga, Joel Silveira, Ernest Hemingway, era escrever Realidade, rabiscar Pasquim. Agora somos repórteres, cronistas, desenhistas, escritores e compositores de música popular brasileira de texto afiado – todos ainda a muitas laudas do ideal – para demonstrar que o sonho e a coragem daqueles professores talvez não tenham sido em vão. Não podemos reclamar de que ninguém nos avisou. Para resumir tudo numa frase, vou citar de cabeça, sem compromisso com a precisão, um alerta do finado Fausto Wolff. Foi dado a nós seis _ são cinco os meus melhores amigos _ durante uma longa e inesquecível entrevista no salão de café colonial do Hotel Itaguaçu: – É bom vocês decidirem logo se querem mudar o mundo juntos. Porque daqui a pouco um vai para a Europa, outro se casa, outro decide ficar rico e abandona o jornalismo, outro engravida uma namorada, e isso que vocês estão construindo ficará para trás. Aconteceu quase tudo o que o autor de À mão esquerda disse. Cada um tratou de mudar o mundo à sua maneira, e não é difícil constatar que o mundo nos transformou com mais eficiência. Mas, acho, ainda conservamos o principal da amizade: nas horas de apuro, revelar tudo, até o que nos constrange, para ganhar em resposta não apoio incondicional, mas um conselho sincero; nas horas de celebração, nos reunirmos e esquecermos o momento de voltar para casa. Eis os exemplos que o Fausto nos legou naquela noite. Vejo vocês na quarta-feira.

Um comentário:

  1. dá-lhe capengas!
    parabéns pros seis!
    e um especial pro meu boneco.

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