25/05/2009

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. A semana Na quarta-feira, os ônibus voltaram a circular no fim da tarde. Às 19h, embarquei em Coqueiros e saltei no Terminal do Centro. Quase não havia passageiros. Os ônibus estacionados, luzes apagadas, motores desligados. Por um ou dois minutos, nenhum veículo saiu do terminal, e eu temi de que a paralisação ainda estivesse valendo. Motoristas e cobradores conversavam sentados nos bancos, de pé, em roda. Eles falavam em voz alta, mas eu não conseguia ouvi-los direito. O alarido percorria a plataforma. Alguns, com os cabelos brancos, gesticulavam como se tratassem dos entraves da greve, da dificuldade das negociações, da volta ao trabalho etc. Jovens fumavam sem parar, e por algum motivo sorriam. Ninguém ficava parado, nem quem estava sentado. Tive vontade de me aproximar para ouvir o que diziam – o ônibus da linha que eu precisava pegar só sairia em cinco minutos. Hesitei, fiquei olhando para eles ali, possuídos de adrenalina, e achei melhor não me meter. Sentei e esperei. *** Seis meses se passaram desde as enxurradas de novembro. E a semana nos deu notícias de lascar: donativos enviados de todo o Brasil eram revendidos por atravessadores, que os compravam por R$ 1 de funcionários da prefeitura de Ilhota, uma das cidades mais atingidas pelo desastre. Que tal mandar tudo para o Nordeste, já que aqui as prefeituras consideram que ninguém mais precisa? *** E não param de surgir notícias sobre a “farra das passagens”. Há algumas semanas, em São Paulo, o jornalista Pedro Alexandre Sanches disse que achava o assunto sério. Mas lembrou que desde sempre jornalistas viajam para os mais diversos lugares do planeta com passagens custeadas por empresas interessadas em elogios e divulgação na imprensa. E alguns veículos de comunicação “se esquecem” de contar isso ao leitor. *** OK, políticos catarinenses meteram-se no esquema das passagens. Mas na semana passada uma notícia chegou de Brasília e elevou o astral da turma: Ideli Salvatti é a nova líder do governo no Congresso Nacional. Eis um novo degrau na carreira política da senadora: substituir Roseana Sarney. Esse era o assunto de sábado na mesa, e alguém lembrou que Ideli venceu até Paulo Bornhausen em 2002. Houve quem dissesse, porém, que hoje a única grande diferença entre os dois é a de que ele é democrata.

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