20/04/2009

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. Preços de verão... Seria importante que um grupo de zelosas donas de casa e de cidadãos conscientes, munidos com artilharia do Procon, formasse uma espécie de Comando Delta na cidade para caçar os preços de verão que continuam vigorando no outono, por oportunismo ou esquecimento de quem os reajustou na véspera da alta temporada. O DC mostrou, quarta-feira, que o assunto é “da hora”. Pesquisa encomendada pela Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert) revelou que a região Sul do Brasil é aquela onde menos se paga por uma refeição: R$ 13,88 contra R$ 16,26 da média nacional. Em Florianópolis, a refeição sai por R$ 19,52: o valor mais alto da região que menos cobra. Na categoria “à la carte”, a comparação é covardia: R$ 45,70 aqui, contra média de R$ 21,05 no Sul e de R$ 27,22 no Brasil. O levantamento foi realizado em janeiro, claro. OK, em março, Floripa voltou a ser a capital dos catarinenses, dos florianopolitanos, dos que moram aqui. Fomos à praia, num domingo pela manhã, e não encontramos filas nem na Via Expressa Sul nem no trevo que dá acesso à Ressacada nem no trevo que encaminha à Lagoa ou ao Sul da Ilha. Havia estacionamento de sobra perto da praia, ninguém pedia dinheiro para “cuidar” do carro, cerveja e refrigerante e sanduíches naturais eram vendidos a preços justos. Ou seja, feita hoje, a pesquisa poderia resultar em dados diferentes e tal, mas, sei não: proprietários de certos estabelecimentos parecem ainda não ter percebido que não somos paulistas grã-finos. Até entendo: é porque os bolsos estão cheios. Apesar da enxurrada de novembro, o governo conseguiu deixar tudo limpinho e relativamente organizado para receber os viajantes do mundo. Fez-se, então, entre dezembro e fevereiro, uma poupança gorducha, as algibeiras estão forradas. Até o fim do ano, é possível que algumas lojas, alguns restaurantes, algumas casas noturnas e alguns prestadores de serviço não tenham de se incomodar com as finanças, se preocupar com a escassez da “baixa temporada” – época em que os turistas endinheirados do Brasil trocam o nosso vento Sul, a nossa escassez de teatros, museus e eventos interessantes pelos atrativos embolorados da Europa ou ensolarados do Nordeste. Sei que a ideia faz arrepiar o cabelo do nariz dos colunistas políticos, mas creio que o Comando Delta teria uma missão justa e faria um bom trabalho. Só espero que a prefeitura não use a PM para proteger os preços altos.

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