04/04/2009
Adolfo Boos Jr. no DC Cultura
Excelente, de novo, a entrevista do mês com um escritor catarinense da série que o DC Cultura começou em março com Silveira de Souza. Dessa vez, o entrevistado é Adolfo Boos Jr., autor dos romances Um largo, sete memórias e Quadrilátero, ambos elogiadíssimos. Se Fábio Brüggemann foi o parceiro do editor Dorva Rezende na primeira entrevista, agora foi o também escritor Flávio José Cardozo.
ps. com exceção do Dorva, claro, já entrevistei todos eles. :)
DC Cultura – Você é conhecido como um escritor difícil, exigente consigo mesmo e para com os leitores, que sempre busca a melhor frase, a melhor palavra, rescreve com frequência os seus textos. Entre escrita e rescrita, um romance como Quadrilátero, por exemplo, levou quanto tempo para ficar pronto?
Boos – Eu gosto de elaborar um texto, eu acho uma maravilha, o processo de criação é apaixonante. Quadrilátero levou alguns anos para ficar pronto. Primeiro porque eu tinha imaginado para o livro um outro formato. Seria um romance formado por histórias curtas, contos, mas depois foi sofrendo transformações. Foi apaixonante escrevê-lo. Apanhei feito boi ladrão, porque eu não tenho teoria literária. Fiz no instinto, fui na marra, lendo e chorando de raiva quando tinha que rasgar uma página, era no tempo da máquina de escrever. Um trabalho do cão. E aí, quando chegou a época da Bienal Nestlé de Literatura, eu dei o trabalho como terminado. Só não tinha o título. Mas eu tinha quatro personagens principais, aquela ideia de Quadrilátero nasceu dali. Tanto que, no Quadrilátero publicado, só tem o primeiro e o segundo livros, o Livro de Mateus e o Livro de Lucas. Os quatro personagens principais têm os nomes dos quatro evangelistas. Na continuação do romance que estou negociando publicar com o (o editor Carlos Jorge) Appel, vão ser os livros de João e de Marcos. Essa segunda parte do Quadrilátero também foi escrita e rescrita várias vezes, e ficou de lado um tempo dando espaço para outros livros como Um Largo, Sete Memórias, o Burabas e até o (Presenças de) Pedro Cirilo. Quando o romance nauseava demais, eu me dedicava a outro. É um negócio meio sazonal, tem uma época que eu só faço aquele livro, até ficar pronto. E como publicar no Brasil está cada vez mais difícil, a tendência da gente é continuar inédito, porque publicar na província é também continuar inédito. Você não vence as barreiras assim fácil.
UPDATE: contei no Twitter e esqueci depostar aqui: o Julio Basadona Dutra e a Dona Iolanda a que o Boos Jr. se refere na entrevista são avós maternos da Jade.
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'Um largo, sete memórias' é ótimo! Li depois de entrevistar o escritor, ali em Coqueiros. :)
ResponderExcluirEmprestei e nunca peguei de volta. Deve estar repousando, espero eu, com dedicatória e tudo, em uma estante lá da Avenida Beiramar. :)
Beijos. Rafa
Vou procurar então, Rafa. Pra ler, hehe. Beijo
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