30/03/2009

A crônica de hoje, no DC!

Página 7 do caderno Variedades, no Diário Catarinense. O trampolim sorri Foi-se o verão, eis o outono, mas o sol não cede. Desde as primeiras horas do dia, desde o despertar forçado da gente, o céu já brilha azul, o sol já torra a Ilha. O mormaço se forma aos poucos – liga-se aqui um condicionador de ar, liga-se ali um ventilador –, e ao meio-dia é verão em toda a cidade. Antes de dormir, é preciso repetir o banho, e os desodorantes estão vencidos. Esse princípio de outono está mais para verão disfarçado do que para indício de inverno. É praia e praia. Por quê? Por causa da Praia da Saudade. Mal o outono começou, a Fatma descobriu que o mar neste ponto de Coqueiros está em condições de banho, depois de décadas de sujeira grossa. Só a Praia das Palmeiras, lá no Itaguaçu, conseguia o carimbo de salubridade no verão. O fato é que a Praia da Saudade voltou a ficar limpa, e eis por que o sol resolveu permanecer aceso a todo vapor por mais um pouco, justificando a descoberta. O pessoal desce o morro, atravessa a Via Expressa, caminha pelo bairro e vem passar o dia na praia, no mesmo local onde a elite florianopolitana (eita palavrinha!) costumava descansar os ossos. Agora que Jurerê Internacional é o point, que o Riozinho é a nova febre, a molecada da Vila Aparecida elegeu a Praia da Saudade, e se diverte como se divertiam os bacanas. Não há melhor opção ali onde a José do Vale Pereira desemboca na areia do que o trampolim que eu vejo da sacada há três anos. Semana passada, descobri, conversando com o pessoal do bairro, que o trampolim tem nome e foi “inaugurado” durante uma “solenidade” da prefeitura, há muitos e muitos anos. Mas o nome do dito cujo escapou da memória das minhas fontes, que me sugeriram olhar a placa comemorativa que há no início do trapiche que se enfia pela baía. A preguiça me venceu, e não fui olhar nada. Mas há um homenageado, para orgulho dos familiares, quem sabe, e é o que importa. Melhor assim. Porque também não sei o nome de quem pula do trampolim, e é quem pula do trampolim que empresta graça a tudo. São uns garotos, umas meninas que não conheço. Nosso contato é unilateral: eu os vejo, eles nem suspeitam de mim. Pelo menos no fim de semana, que é quando tenho tempo de olhar paisagem da sacada. E esteja o sol de pé, estão lá os que pulam do trampolim. Até que o tempo feche, a tarde caia e o vento sul venha lhes empurrar para fora do mar. Mar limpo, verão estendido.

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