16/12/2008
Salim Miguel no Paiol Literário
Com atraso, publico aqui o link da entrevista do Salim Miguel ao José Castello, no projeto Paiol Literário, que o jornal Rascunho promove todo mês e publica boa parte do conteúdo na versão impressa (no caso, edição de outubro). No site, vai na íntegra. Abaixo, um dos trechos...
• Procurado
Existem duas maneiras de um escritor trabalhar. Os temas são uns poucos desde o começo do mundo, temas recorrentes. Os personagens também. Só que alguns autores ficam procurando isso. Eu não. Personagens e temas me procuram. Para alguns, eu digo: "Tudo bem, vamos ver se trabalhamos juntos". Para outros, digo: "Ó, por favor, não dá. Procura outro autor, eu não estou disponível". Posso dar um exemplo? Estava na minha casa de praia com a Eglê e a minha filha Sônia. Anoitecia de repente. A Sônia me diz: "Pai, é para ti essa ligação". Eu perguntei: "Quem é?". E ela: "Não sei, é uma voz de mulher". Peguei o telefone e a mulher disse: "Salim Miguel?". E eu: "Sim". E ela: "Preciso falar contigo". Começou assim. Eu disse: "Fala". E ela: "Mas não pode ser por telefone". Eu: "Mas por quê?". Ela: "É que estou chegando do Rio de Janeiro e preciso te encontrar". Pensei: mas que negócio mais maluco. "Não podemos nos encontrar num barzinho aqui em Florianópolis?". E eu disse: "Por que você não pega um ônibus e vem aqui?". E ela: "Não, são quase 40 quilômetros". E não sei mais o quê. Resumindo: marquei com ela no outro dia, na editora da universidade onde eu trabalhava. Às dez horas. Perto das dez, ouço uma voz: "Que pena. Parece, mas não é". Olhei e lá estava aquela mulher na porta da editora. Ela olhou para mim e disse: "Me desculpe, é uma pena. Parece, mas não é. Até logo". E eu: "Não, não, não. Que história é essa? Até logo? Parece, mas não é? Me deixaste preocupado. Deixaste minha mulher com a pulga atrás da orelha e agora vens com isso? Que pena, parece, mas não é? Tu me deves uma explicação". Ela perguntou: "Será que devo?". E eu: "Deve, sim". Ela entrou. Eu disse: "Senta". Ela sentou e disse: "Anteontem, passei numa banca, peguei um jornal, abri e vi uma foto tua, com uma enorme matéria falando do teu último livro. Olhei e disse: ‘É ele, é ele'". "Ele quem?" "Pois é aí que começa a história." "Me conte." E ela: "Nunca. Jamais contei para ninguém". E eu: "Agora vai contar para mim. Tu estás me devendo alguma coisa". E ela me contou um conto que se chama Um verão louco. Um conto completo.
Leia tudo aqui.
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I think I come to the right place, because for a long time do not see such a good thing the!
ResponderExcluirIt seems different countries, different cultures, we really can decide things in the same understanding of the difference!
ResponderExcluirPE Net