10/11/2008

Vicky Cristina Barcelona

Assistimos a Vicky Cristina Barcelona no sábado à noite. Muito bom filme. Woody Allen iniciou seu tour pela Europa em 2005 e, dos quatros filmes que rodou por lá (três em Londres, um em Barcelona), acrescentou pelo menos duas grandes obras à sua filmografia: Match Point (2005) e Vicky Cristina Barcelona (2008). De qualquer forma, Cassandra's Dream (O Sonho de Cassandra, 2007) é bom também. O resumo é que a vida na Europa fez muito bem a Woody, ao proporcionar seu reencontro com três dos seus assuntos preferidos: a culpa, o amor e o (artisticamente infalível e indispensável) sentido da vida. Ao fim da sessão de Match Point, lembro que eu estava lívido: o filme é uma porrada de pessimismo, como se perguntasse: "A vida é isso aí. E agora, que fazer?". Depois veio Scoop (2006), comédia pura, digamos, e o forte Cassandra's..., em que a pergunta foi repetida: "E aí, meu?". Em Anything Else (Igual a tudo na vida, 2003), quando Woody interpretou um anti-Woody (motorista, doido por armas, "no hopes" por nenhum amor etc.) e projetou sua persona no jovem Jason Biggs (caroneiro, com horror a armas, cheio de esperanças de que tudo poderia acabar bem com a namorada problemática), a pergunta foi zombada desde o título, afinal, qualquer problema, por maior que seja, é "igual a tudo o mais na vida". O que reforça o bem que a Europa lhe fez. De certa forma, Woody Allen me parece cada vez menos engraçado e mais assustador. Match Point, por exemplo, não tem o humor de Crimes and Misdemeanors (Crimes e Pecados, 1989), que considero seu melhor filme. Talvez seja só o fato de ele não atuar em Match.... Talvez. Em Cassandra's..., também, nada há para nos fazer rir. Agora, em Vicky Cristina..., Woody retoma o tema dos relacionamentos amorosos, e o pano de fundo de seu segundo melhor filme, Hannah and Her Sisters (Anna e Suas Irmãs, 1986). Com dois atores em atuações perfeitas, Javier Bardem e Penélope Cruz, mais a Scarlett Johansson trabalhando bem, o filme ficou muito divertido. (Os paralelos entre Nova York e Barcelona são deliciosos.) Mas continua assustador. Confira lá.

ps1. a música-tema, para variar, é linda! ps2. observação do Rodrigo Octávio, com a qual concordo: ao lado da Penélope Cruz, como se apaga a (ainda assim bela) Scarlett Johansson... ps3. na New Yorker de 11 de agosto, diz-se que o narrador do filme consegue o mesmo efeito do narrador de Jules & Jim, de Truffaut, mas aí é demais... ps4. a frase do filme é de Penélope: "Quem falou em talento, aqui? Estou falando de gênio, gênio, entendeu?".

Um comentário:

  1. Que post gostoso de ler...

    Assisti a Vicky Cristina Barcelona e agora lendo aqui, só aumentou minha curiosidade em relacao aos filmes do Woody Allen.

    Maysa
    http://www.maysadecastro.com.br/blog/

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