27/11/2008

Emergência em SC: dois registros

Caderno Cotidiano, na Folha de hoje: TEVE CASA INVADIDA "Não deixaram nada; levaram até o vaso sanitário" De tudo que havia na casa da costureira Cleuza Hentz, só sobraram o colchão ensopado de lama e o sofá que, feito de folhas de compensado, apodreceu e se rasgou com a enchente. O resto, diz acreditar por ter encontrado portas e janelas arrombadas, foi levado por saqueadores. "Não deixaram nada. Levaram tudo, de liqüidificador à televisão. Olha isso aqui: até o vaso sanitário eles roubaram. Isso não ia sair boiando pela rua", diz Cleuza, que mora no bairro Promorar, um dos mais atingidos pela enxurrada em Itajaí. Do quase tudo que levaram, ela tem de pagar as prestações do aparelho de DVD e do microondas (faltam 13 das 24 parcelas no mesmo carnê). "A gente que é pobre esperava ajuda dos outros, mas o que eu vejo é que é cada um por si e Deus por todos." (VQG) INVADIU MERCADO "Não ia fazer isso, mas está todo mundo levando" Na saída da rede atacadista Maxxi, na periferia de Itajaí, o operário Humberto Domingos de Paula leva um carrinho com açúcar, cerveja, refrigerantes, champanhe, leite condensado e alguns mantimentos. "Ô, seu safado", brinca um rapaz com o colega. Humberto responde: "Estamos "comprando". Está tudo em liquidação. Dá até para dividir no cartão". E os dois riem. Humberto, cuja casa não foi alagada pelas cheias, volta à conversa com o repórter e diz que nunca esteve na loja antes do saque. "Não ia fazer isso, mas está todo mundo levando. Então faço também." Ele calcula que precisaria trabalhar três meses, sem gastar nada, se fosse comprar aquele montante, estimado em R$ 3.000. (VQG)

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