20/08/2008

O jornalismo pode ser boa literatura...

Gasto uma dinheirama com informação impressa. Essa é a verdade. O alarido dos telejornais não me seduz; meu negócio é no papel – a melhor retórica é a da palavra escrita. Tento controlar, mas é difícil: além de assinar o Diário Catarinense e O Estado de S. Paulo, INFO e Piauí, compramos, eu e Jade, quase uma dezena de revistas avulsas. Elas ficam espalhadas pela casa, junto com os livros, ao alcance das mãos. Hoje mesmo parei diante de uma banca. Passei os olhos e fui contando, de cabeça, o que gostaria de comprar: uma, duas, três, quatro... Trip, Brasileiros, Rolling Stone e mais uma edição da Bibliteoca Entrelivros. Desta última, vale um comentário.
Trata-se de um volume sobre Jornalismo x Literatura, com uma imagem do filme Medo e Delírio em Las Vegas na capa, Johnny Deep posando de Hunter Thompson. Em casa, abri a revista e comecei a folhear. Por ordem de aparecimento, aparecem em fotos: Graciliano Ramos, Truman Capote, Gay Talese, Hemingway, Zola, Defoe, Victor Hugo, Balzac, Lima Barreto, Orwell, García Márquez, Camus, Otto Lara, Joel Silveira, João do Rio, Wilde, Paulo Francis, João Ubaldo, Vargas Llosa, Antônio Callado, Loyola Brandão, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Euclides da Cunha, Lilian Ross, Flaubert, Tom Wolfe, Mark Twain, João Antônio, Norman Mailer, Sérgio de Souza, Milton Severiano... Vendo essa gente sorrindo para mim, impossível não sentir orgulho da nossa profissão. ps. na RS, olho da matéria de capa, com Paulo Coelho: "A [minha] biografia é perfeita. Mas peca por se deter ao meu lado material e não tocar no tema espiritual - e nem poderia, afinal Fernando [Morais] é um ateu, um cara que acredita em Fidel Castro".

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