13/04/2008

Sicko: viva o SUS! Dinheiro ao SUS! Já!

Gostei muito de Sicko ($O$ Saúde, Michael Moore, EUA, 2007). Gostei muito, também, da crítica de João Moreira Salles ao filme na Bravo! E gostei mais ainda de saber que até o Brasil, capenga como é, tem um sistema de saúde público melhor que o dos EUA. Na verdade, o que existe lá é vergonhoso, vexatório para o país mais rico do mundo. Moore, com seu jeito bufão e "americano à prova de balas", mostra que na Inglaterra, no Candá, na França e em... Cuba! as pessoas recebem tratamento médico-hospitalar digno, mas investiga só bem por cima o quanto isso custa, o quão problemático pode vir a ser um dia para as finanças do estado, etc. O fato é que na sua terra natal, e parece ser essa a mensagem – e f... os meios –, tudo passa por "the corporation", "the profits". As histórias que ele exibe, pinçadas entre as dezenas de milhares de e-mails-testemunhos que recebeu em resposta a uma pergunta em seu site do tipo "Você já teve problemas com seu seguro de saúde?", são assustadoras. Vão desde o senhor sem seguro que perdeu as pontas dos dedos indicador e médio da mão direita e teve de optar qual deles reconstruir (afinal, um custava U$ 60 mil e outro, U$ 12 mil) até a mulher que, vítima de câncer, após perder a casa para pagar dívidas astronômicas do seguro, tomava um remédio que nos EUA custa U$ 120 e em Cuba, U$ 0,50. Mas o melhor do filme é o depoimento de um senhor canadense, jogador de golfe. Michal Moore pergunta se ele não preferia pagar somente o seu plano de saúde, sem precisar arcar com a conta do resto da população. Com uma naturalidade civilizada, de quem não consegue enxergar ironia num questionamento desse tipo, o senhor responde que não, porque há pessoas no Canadá que não poderiam arcar com seus próprios gastos médicos se não houvesse um sistema universal financiado por todos. Moore então brinca: "O senhor é socialista? Verde?". Com cara de contrariado, o homem nega. Moore: "Você tem filiação partidária? Que corrente você segue?" E o senhor: "Sou do partido conservador"... ps. meu xará Felipe Wolff, dentista que estudou sistemas de saúde públicos do mundo inteiro na sua especialização em odontologia na UFSC, me chama a atenção para o fato de que 90% dos transplantes, no Brasil, são feitos pelo SUS. Trailer:

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