28/04/2008

A reedição de Moby Dick e um pitaco sobre tradução

No dia 16 de janeiro, o escritor Sérgio Rodrigues postou em seu Todoprosa a abertura de Moby Dick, de Herman Melville, na seção "começos inesquecíveis". Aproveitou para comentar a tradução da primeira frase do livro: "Call me Ishmael" por "Chamai-me Ismael". Por ele, ficava "Me chamem de Ismael". Quando li, concordei. Acontece que esta semana começa com o lançamento da "edição definitiva" brasileira do clássico de Melville, pela Cosac & Naify, com tradução de Irene Hirsch e Alexandre Barbosa de Souza. E que solução eles encontraram para o desafio da primeira frase? Esta: "Trate-me por Ishmael". Comentei com a Jade, e chegamos à conclusão de que é a melhor saída. Por quê? Porque não há certeza de que o sujeito que começa a conversar com o leitor se chama mesmo Ismael. "Me chamo", então, ficaria errado, e "chamai-me", um pouco mais correto. "Trate-me por" Fulano é perfeito.

2 comentários:

  1. Felipe, não sabia dessa edição, obrigado pela informação e por lembrar o meu post. Essa solução é certamente melhor que a minha, que era mais uma provocação mesmo, abrindo a frase com o pronome oblíquo. Mas note que nunca propus "me chamo", o que seria um erro grosseiro, e sim "me chamem de". Acho o "trate-me por" preferível porque evita a próclise, isso sim, mas nos outros aspectos todas as soluções se equivalem. Um abraço.

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  2. Anônimo19:48

    Gostaria mais de: "Podem me chamar de Ismael". Uma forma mais coloquial.

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